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sábado, 18 de junho de 2011

A vida e seus saberes


Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
BELO HORIZONTE, sexta-feira, 17 de junho de 2011 (ZENIT.org) -É simples, mas ao mesmo tempo desafiador, concluir que a vida se conduz e se sustenta de saberes, que são muitos, fonte de poder e até de dominação. Sabido pode ser entendido como aquele que consegue, com palavras e artimanhas, ludibriar os outros. Encontrar saídas e passagens, fazer valer e alcançar seus objetivos e metas, até quando são espúrios e distantes do que se entende e é cidadania. Já vão se tornando obsoletas, e até ridículas, frases ou atitudes que caracterizaram a sagacidade política. Por exemplo, a arte de engambelar os outros, prometer e não cumprir, dar tapinhas nas costas para agradar ou fazer afirmações - até contrárias à própria convicção - para garantir simpatias e resultados positivos para pretensões, mesmo distantes, em projetos próprios.
É esperançoso ver desmoronar, ainda que lentamente, esse traço antipático na cultura e nas posturas, fruto da projeção que a exigência e o gosto pela transparência e a verdade emolduram na vida social e política. Os saberes científicos alargam horizontes, corrigem descompassos, realimentam a esperança de conquistas e momentos novos mais propícios para a vida. Esses saberes constituem um tesouro que expressa a magnificência da inteligência humana, os engenhos admiráveis das pesquisas que modificam perspectivas. Abrem possibilidades e configuram esperanças e boas condições para o viver humano e tratamentos mais racionais da natureza. Dão iluminação diferente ao sentido da vida, ao grande e crucial desafio da existência.
Está localizada na gama complexa e fascinante dos saberes -ciência, política, arte, tecnologia - a referência, sem igual, do saber que é a sabedoria. Vale lembrar o tesouro da Palavra de Deus nolivro bíblico da Sabedoria, referência insubstituível e coluna de sustento na vida do Povo de Deus, a compreensão da sabedoria como virtude e companheira. No capítulo oitavo dessa obra, ela é tida como um amor que se procura desde a juventude. Quem quer ser sábio deve buscá-la com a pretensão de fazê-la sua esposa, compreendendo que ela é conhecedora da ciência de Deus, é quem seleciona as obras do Criador, é artífice do bom senso para tudo o que existe. Essa obra recorda que o amor à justiça é fruto da sabedoria, pois ela ensina a temperança e a prudência, a fortaleza - os bens mais úteis na vida.
Uma experiência vasta, como capacidade de conhecer o passado e entrever o futuro, conhecendo a sutileza das palavras e as soluções dos enigmas, brota e se mantém pela força da sabedoria. Sem seu saber e o sabor, o bem se compromete, a justiça não é prioridade e a vida fica mais difícil de ser vivida. Perde facilmente o sentido genuíno de dom. Aquele que se empenha, em meio aos embates, para se apropriar de saberes que sustentam o exercício profissional, abre caminhos para ganhos e sustentos da vida, por fazer da sabedoria a sua esposa. “Nela tem uma fiel conselheira para o bem, o conforto nas preocupações e tristezas”, assevera a literatura sapiencial mais genuína do Israel antigo. Por causa dela é que se podem conquistar louvores diante da multidão; o jovem ser honrado pelos anciãos e nos julgamentos se reconhece a perspicácia. De volta para casa, nela se encontra descanso, pois sua companhia não traz amargura e nem tédio a sua convivência, mas sim alegria e contentamento.
Os saberes todos têm sua dinâmica e lugar de produção, destinação e atendimento de demandas próprias. O saber da sabedoria não está simplesmente no ar. Ele se produz e se sustenta também em lugares e por dinâmicas. As obras de infraestrutura em instituições ou cidades são de extrema importância. A queixa mais lamentável é a defasagem no atendimento de demandas, com retardamentos que esgotam a paciência, com escândalo de sacrifícios impostos, em especial sobre os mais pobres, com a complicação advinda da falta de mão de obra especializada e de objetividade e honestidade na gerência de processos.
As instituições e cidades precisam também de obras, lugares de produção da sabedoria, certamente o tesouro mais precioso para a vida de cada um, que pode amalgamar diferenças e com elas construir tempos novos. Garantir sentido para a vida, que se não for autêntico e profundo não tem gosto e torna-se campo aterrador de batalhas, disputas, desgostos e vaidades que enjaulam a vida entendida e vivida no efêmero, que está no que é espetacular. É preciso ter obras como lugar, referência símbolo permanente de beleza e ensinamentos, com dinâmicas que permitam o entendimento, a busca e a súplica, como o sábio Salomão dirigia a Deus, a fonte inesgotável da Sabedoria: “Dá-me a sabedoria que se assenta contigo no teu trono, pois ela tudo conhece e compreende e me guiará com prudência”.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo é arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Comentários Comentados

Caros irmãos e irmãs combatentes,


Graças a Deus e a participação de muitos em divulgar nosso blog, ele tem sido visto por pessoas de muitas partes do país e do mundo, cristãs e não-cristãs.
Passaram a surgir comentários as postagens, que pedem de mim considerações. Em respeito aos irmãos que fizeram estes comentários, não os publiquei diretamente, mas os torno públicos com as minhas considerações e inauguro assim uma] novo marcador, que chamaremos de "COMENTÁRIOS COMENTADOS".


O primeiro é o do irmão em Cristo Jesus José Agostini, e peço desculpas a ele pela demora em dar um pronunciamento quanto a sua consideração, que foi feita no dia 19 de Dezembro de 2010, em relação a postagem intitulada: "Peritos brasileiros rechaçaram campanha de frases ateístas nos ônibus às vésperas do Natal" 


"Mas e quando vocês, cristãos, afirmam que "SÓ CRISTO SALVA", vocês não estão ofendendo da mesma maneira todos os judeus, muçulmanos e demais religiões não cristãs? Não é o caso de retirar os cartazes que por ventura tenham esta frase?"


Caro José,


Costumo dizer que paradigmas equivocados, nos levaram a conclusões equivocadas. A matéria que motivou seu comentário diz respeito a uma campanha de caráter ofensivo a fé cristã, e principalmente, baseando-se informações levianas no mínimo, ou propositalmente falsas. O princípio do segmento de uma fé, seja ela cristã, islâmica, judaica, budista ou uma outra qualquer, é acreditar na sua autenticidade e veracidade. Significa dizer que você está no caminho certo. Não posso de fato falar por outras denominações cristãs, mas posso fazê-lo naquilo que tange a doutrina católica. O Catecismo diz que:
«Fora da Igreja não há salvação»?
846-848
Significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.

Acreditamos que a salvação vem de Cristo, Cabeça da Igreja, e do segmento verdadeiro a sua palavra. Nisto cremos. Nada impede que as demais expressões de fé externalizem suas convicções, desde que não venha a ferir a crença do próximo. E este princípio não é religioso ou teológico , mas está na esfera do direito civil. Você deve recordar do episódio lamentável daquele pastor dando chutes em uma imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e de como se comportou a justiça. 

Se a expressão: "Só Cristo Salva", fosse substituída por exemplo por: "No Islamismo não há salvação", certamente os irmãos islâmicos iriam a justiça, e com razão, exigir a reparação de seus direitos. Nossa doutrina, e enfatizo, NOSSA DOUTRINA professa que mesmo aqueles que não são cristãos e que serão salvos pela misericórdia de Deus, o serão pelo Cristo.

Espero ter contribuído com esta reflexão.

Ab imo corde

Christian Moreira