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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Homilia Diária - 20.08.2013


Faça de Jesus o grande tesouro da sua vida

Faça de Jesus o tesouro da sua vida, saiba ter um coração livre, desapegado, porque um novo amor vai entrar no seu coração.
“E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mt 19,29).
Hoje, Jesus está olhando para o coração de cada um de nós e nos perguntando: Qual é a sua disposição em me seguir? Qual é a sua disposição em me servir? O que você é capaz de sacrificar, de renunciar por causa do Reino dos Céus?
Ora, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. Aqui, a tradução da palavra “rico” é soberbo. Por soberbo faço entender aquele que faz de qualquer bem o orgulho e a riqueza de sua vida e de seu coração, é aquela pessoa que possui pouco ou muito, mas coloca nos bens materiais o valor da sua vida, e não sabe ser rico para Deus.
O Senhor não está condenando as riquezas que nós temos nem os bens que possuímos. O que Ele está nos dizendo é que, quando temos bens para nos apegar, não temos tempo para o Reino de Deus.
É questão de escolha, mas, muitas vezes, a escolha do nosso coração é outra, não é o Reino dos Céus.
Às vezes, no dia do Senhor, vemos as pessoas muito ocupadas com seus negócios e afazeres, atarefadas até nas coisas próprias da casa como lavar um carro o dia inteiro, cuidar disso ou daquilo; elas não têm tempo para o Senhor no dia a dia, não tem tempo para a oração.
Faça de Jesus o tesouro da sua vida, saiba ter um coração livre, desapegado, porque um novo amor vai entrar no seu coração. E quando este for invadido pelo amor divino, você poderá amar melhor as coisas que são de sua responsabilidade, poderá amar mais o seu pai, a sua mãe, os seus filhos ou seja lá quem for. O importante é você já ter o seu lugar garantido na presença de Deus, aquele lugar que ninguém tomará de você.
Faça de Jesus o grande tesouro da sua vida.
Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Homilia Diária - 14.12.2011 - "Oração, meio necessário para vencer as dúvidas que assolam a alma".

João Batista é um crente em Deus, que vive para Ele, sempre aberto, disponível às Suas iniciativas. Por isso, sabe reconhecê-Lo no misterioso Homem da Galileia que vem se fazer batizar por ele, no Jordão: Jesus de Nazaré.

Contudo, na escuridão da prisão de Herodes, João Batista é invadido pelo medo, pela tristeza, pela dúvida: “Ter-me-ei enganado ao ver em Jesus o Cordeiro de Deus?” Mas a sua fé é grande. Em vez de pô-la em discussão, manda embaixadores a Jesus, pedindo luz para compreender a situação. Torna-se, pois, ainda mais pobre, fazendo-se a simples interrogação: “És Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?”
Jesus responde aos embaixadores apontando as obras que anda a fazer. Não apenas os milagres que dão testemunho d’Ele, mas o que eles significam. São sinais de que começou uma nova humanidade, que sabe acolher a Palavra de Deus, ver as maravilhas que Ele faz e caminhar pelos Seus caminhos: “a Boa Nova é anunciada aos pobres”.
O estilo paradoxal da ação de Deus – em Jesus – não escandalizará um pobre prisioneiro, como é João. Pelo contrário, torná-lo-á muito “feliz”. Embora tenha anunciado a vinda de Jesus, o próprio João Batista teve dificuldade de reconhecê-Lo. Com a chegada do Messias, o mundo não se acabou, como proclamava João. Ele não se apresentou como um juiz severo, como fora anunciado; antes se caracterizou por Sua mansidão e humildade de coração.
Sua pregação não visava incutir medo e levar à conversão a qualquer custo, mas tentava avivar a chama do amor no coração dos pobres e sofredores. Além do mais, João estava no cárcere, e Jesus não o havia libertado, como se esperava do Messias, libertador dos prisioneiros. Eis porque sentiu a necessidade de mandar seus discípulos para interrogarem a Jesus sobre Sua identidade.
A resposta de Cristo colocou João e Seus discípulos diante de um exercício de discernimento. Eles foram confrontados com os gestos prodigiosos de Jesus e tinham o testemunho da cura de cegos, coxos, leprosos, surdos e de mortos que haviam sido ressuscitado. Enfim, os pobres estavam sendo evangelizados. Interpretando estas ações de Jesus, a partir de textos dos antigos profetas, não era possível pôr em dúvida a condição d’Ele de Messias. Todo o agir do Senhor inspirava-se nas profecias messiânicas e Seus gestos comprovavam Sua identidade. Diante dos milagres de Jesus Nazareno, era necessário, porém, ter a coragem de reconhecer sua condição de Filho de Deus.
“Destilai, ó céus, lá das alturas o orvalho, e que as nuvens façam chover a justiça”. Isaías oferece-nos, hoje, uma aclamação que traduz perfeitamente o estado de alma de quem vive o Advento. Por isso é que a Igreja a repete tantas vezes na sua oração durante esse tempo litúrgico. O profeta manifesta o desejo de uma intervenção divina, porque está convencido de que a justiça e a salvação só podem vir de Deus. Ao contrário de tantos outros textos, nos quais a intervenção de Deus é comparada a uma tremenda batalha contra os maus, aqui é comparada a um calmo e benéfico orvalho, ao mistério de uma chuva fecunda.
São imagens adequadas ao mistério da Encarnação, que não se realizou de modo estridente, mas com infinita discrição, na “sombra” do Espírito Santo. À intervenção divina deve corresponder a nossa discreta disponibilidade: “Abra-se a terra!” E a terra abriu-se, quando a Virgem de Nazaré deu o seu “sim”: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
O Evangelho de hoje apresenta-nos João rendido a Cristo, dando testemunho d’Ele com a sua vida. João é também “terra aberta” ao Verbo de Deus feito Homem, um verdadeiro disponível, um verdadeiro “pobre de Deus”, a quem Jesus proclama bem-aventurado. O Batista é a imagem do crente que caminha na paciência e que está sempre disponível a reformular as suas expectativas diante do imprevisível estilo da vinda de Deus. Assim, vai aprofundando sua esperança até o supremo testemunho do sangue.
João Batista ensina-nos que, mesmo a fé mais forte e sincera, pode coexistir com a dúvida e que a maneira de vencer essa dúvida é a oração. Renunciando a pôr em causa a promessa de Deus e revendo os nossos modos limitados de ver a promessa divina e de esperar a sua realização, encontramos a paz.
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Homilia Diária - 07.12.2011 - "Jesus sempre se importa com você".

Hoje o Senhor claramente nos convida a irmos até Ele: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos”. E eu pergunto quantos de nós temos nos cansado durante o nosso dia a dia, pelas circunstâncias, seja uma insatisfação pessoal no trabalho, sejam as coisas que acontecem que não saem da forma como desejamos, ou seja, até mesmo o jeito como nós tratamos a quem amamos – que por muitas vezes nem é o modo como queremos tratar – mas pela falta de paciência, pelo cansaço físico, mental ou espiritual nos deixamos levar pelas nossas fraquezas e não fazemos o bem que desejamos.
Hoje Jesus nos convida porque conhece o nosso coração e sabe que só n’Ele teremos descanso, pois Ele mesmo justifica isso quando diz “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendeis de mim, porque sou manso e humilde de coração. Pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve”.
Jesus não nos convida até junto de Si para nos condenar, mas para tirar de nós tudo que não nos faz bem, inclusive nosso sentimento de culpa em relação aos nossos pecados e fraquezas. Ele anseia e deseja muito que O busquemos para nos dar o descanso necessário para uma boa caminhada.
Não importa se está passando por esta crise, pensando que ninguém se importa, que ninguém se preocupa, o que eu quero dizer a você são palavras do Mestre: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados de carregar as vossas pesadas cargas, e eu vos darei descanso”.
Neste texto, Jesus demonstra o seu amor para com cada um de nós. Ele sempre se importa conosco e, por isso, nos chama. Faz-nos um convite. E este convite é dirigido aos que têm problemas, aos cansados e oprimidos; aos que estão com cargas tão pesadas e tão grandes que não dão conta de carregar sozinhos; aos que perderam a esperança até mesmo para esperar; aos que estão feridos e com traumas profundos; aos que não têm mais caminho, para caminhar; aos que perderam o rumo da vida, para os que perderam a direção.
O convite é para você que está com o coração quebrado, arrebentado, porque há reabilitação, há cura; é para você que desperdiçou a vida no mal, pois ainda há possibilidade para fazer o bem; para você que já não tem mais perspectiva na vida, expectativa de um novo começo; para você que se sente desesperado, desprezado; para você que se sente doente, perdido na vida; para você que está longe, e morto em delitos e pecados.
Talvez você diga: “Minha vida não tem jeito, porque o pau que nasce torto, cresce torto e morre torto”. Mas eu lhe digo: “Tem jeito sim! Porque o pau que nasce torto, só é torto antes de chegar nas mãos do carpinteiro de Nazaré. Depois de passar pelas Suas mãos sai um móvel precioso, raríssimo de encontrar!”
Jesus lhe oferece uma nova oportunidade. Jesus é o Deus do impossível. É o Deus capaz de fazer: do vilão, um herói; do bandido, um santo; do perseguidor, um defensor do Evangelho.
Com as palavras “vinde a Mim”, Jesus nos chama a confiar n’Ele, a crer. Porque ninguém pode ir e seguir, sem crer, sem confiar n’Ele.
Ele lhe chama para que você tome sobre si o jugo d’Ele: “tomai sobre vós o meu jugo”. Jesus não lhe engana. Ele não prometeu só mar de rosa, porque aqui o “jugo” quer dizer que tudo aquilo que Jesus passou você terá de passar. Assim como Ele foi perseguido, sofreu, foi maltratado e caluniado, zombado, odiado, abandonado entre ladrões e morto na Cruz – mas que três dias depois ressuscitou – assim também você terá de passar pela mesma situação. Aliás, ao discípulo basta ser igual ao mestre: “Se a Mim trataram assim, a vós também. Mas não tenhais medo. Eu venci o mundo!”
Precisamos aprender d’Ele: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Chama-nos ao discipulado d’Ele, a sermos Seus alunos. Ele quer que eu e você sejamos seus imitadores. Ele passará a ser o seu modelo. Você precisará conhecer mais e mais o seu Senhor, as coisas d’Ele, até chegar ao pleno conhecimento. Mas isso só será possível se estiver perto d’Ele. É por isso que também nos chama para estar perto d’Ele, junto d’Ele, para ter comunhão e intimidade com Ele. É urgente que você conte tudo para Deus. Ele lhe dá este privilégio de abrir o peito, a alma, e o coração. E então: “achareis descanso para as vossas almas”.
Jesus, hoje quero Te louvar pelo meu trabalho, mesmo sabendo que ele tem me privado muito dos nossos momentos de intimidade. Isso, na verdade, tem me feito valorizar cada minutinho que posso beber da graça que é ter a Tua presença. Dai-me a graça de, durante todo o meu dia, conseguir parar para escutar e discernir a Tua vontade para as minhas atitudes do meu dia. Dai-me a graça de ser manso e humilde assim como Tu és, Senhor.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Homilia Diária - 29.11.2011 - "Experimentemos a alegria em conhecer a Deus".

No Evangelho de hoje vemos Jesus sorridente, com os olhos brilhando:“Jesus exultou de alegria no Espírito Santo” (Lc 10,21).

A alegria é uma característica de todo cristão porque primeiro foi de Cristo, é dom do Espírito Santo para todo batizado, é o que os primeiros cristãos possuíam (cf. At 2,46) e todos nós devemos ter.
Mas por que Jesus exultou de alegria naquele momento? Porque viu os planos do Pai se concretizando de uma maneira que é bem característica da Santíssima Trindade. Cristo reconhece e exulta de alegria ao ver a humanidade mais uma vez participar das grandezas divinas. Nosso Senhor glorifica Seu Pai porque Ele não escolheu os “sábios e entendidos” para serem os primeiros discípulos do Mestre, mas os pequeninos: povo sem estudo, sem muito entendimento, que não era capaz de muita coisa.
Creio que Jesus, em Sua humanidade, tenha se desanimado um pouco ao olhar para aqueles 72 discípulos e ver a realidade. Tinha sido Ele mesmo que os havia escolhido por desígnio do Pai, mas Ele aconselha-os a rezar ao Senhor pedindo mais operários para a messe (cf. Lc 10,2) pois aqueles não pareciam suficientes. Cristo reconhece que Seus discípulos são ovelhinhas perto dos lobos astutos e inteligentes, mas envia-os mesmo assim, acreditando que eles serão sustentados de modo que nem precisam levar bolsas (cf. Lc 10,3-7), pois serão portadores da paz.
Após esse envio, os 72 discípulos voltam alegres dizendo que até os demônios se submeteram a eles pelo nome de Jesus. Parece incrível, não? É como a profecia de Isaías na qual é prometida a harmonia entre lobo e cordeiro, pantera e cabrito, touro e leão, vaca e urso, criança e víbora. Tudo isso será possível porque sobre o nosso Salvador repousa o Espírito Santo com todos os Seus dons e porque Ele não julga pelas aparências nem pelo ouviu dizer, mas com retidão e justiça (cf. Is 11,1-8).
Esta é uma grande lição para todos aqueles que ficam tardando para dar uma resposta ao Senhor porque se acham incapazes, fracos e pequenos. Somente os pequeninos, isto é, os que abrem o coração e não colocam a razão em primeiro lugar, poderão distinguir os prodígios e milagres que acontecem quando o Reino de Deus se lhes manifesta pela ação do Espírito Santo. Jesus louvou ao Pai e exultou no Espírito quando os Seus discípulos “enxergaram” as maravilhas que ocorreram quando eles saíram anunciando o Reino.
“Felizes os olhos que veem o que vós vedes!” Quando nos dispomos a divulgar o Reino dos Céus aqui na terra, é sinal de que ele já está acontecendo na nossa vida e, à medida que nos abrimos, mais e mais vamos experimentando a alegria e a felicidade interior. O Pai se dá a conhecer por intermédio da revelação do Filho e quanto mais conhecermos a Jesus, tanto mais teremos comunhão com Deus Pai e, assim, estaremos vivendo a felicidade tão almejada.
O que vale para Jesus não são a inteligência e sabedoria humanas, mas o conhecimento de Deus. “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar” (Lc 10,22). Ditosas são as nossas almas quando acreditamos na misericórdia e bondade do Senhor, mesmo que nossos olhos carnais não O tenham visto.
Obrigado, Pai, por nos conceder a oportunidade de Te conhecer mais profundamente. Obrigado, Jesus, por nos apresentar o Pai e nos aceitar como irmãos Teus, à medida que agimos como Tu nos ensinaste. Obrigado, Espírito Santo, por nos santificar, dando-nos coragem para enfrentar as batalhas do dia a dia e dando-nos paciência para esperar o momento de Deus para aquilo que não podemos mudar.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Homilia Diária - 24.11.2011 - "Não se deixe afundar no desespero porque Jesus virá"

Estamos nos últimos dias da vida terrena de Jesus, após a Sua entrada triunfal em Jerusalém. Cristo está completando a catequese dos discípulos e, nesse contexto, anuncia-lhes tempos difíceis de perseguição e de martírio. Avisa-os, também, de que a própria cidade de Jerusalém será, proximamente, sitiada e destruída. Ora, é neste contexto e nesta sequência que aparece o texto do Evangelho de hoje.

A peça fundamental à volta da qual se estrutura o Evangelho de hoje está na referência à vinda do Filho do Homem com grande poder e glória e no convite a cobrar ânimo e a levantar a cabeça porque a libertação está próxima. A palavra libertação é uma palavra característica da teologia paulina (cf. I Cor 1,30; cf. Rom 3,24; 8,23; Col 1,14), na qual é usada para definir o resultado da ação redentora de Jesus em favor dos homens.
O projeto de salvação/libertação da humanidade, concretizado nas palavras e nos gestos de Jesus Cristo, é apresentado como o resgate de uma humanidade prisioneira do egoísmo, do pecado e da morte. Trata-se, portanto, da libertação de tudo o que escraviza os homens e os impede de viver na dignidade de filhos de Deus.
A mensagem proposta aos discípulos é clara: um caminho marcado pelo sofrimento e pela perseguição os espera. No entanto, não devem se deixar afundar no desespero porque Jesus virá. Com a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo (de ontem, de hoje, de amanhã), cessará a escravidão insuportável que os impede de conhecer a vida em plenitude e nascerá um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas.
Os “sinais” catastróficos apresentados não são um quadro do fim do mundo. São imagens utilizadas pelos profetas para falar do “Dia do Senhor”, isto é, o dia em que Deus vai intervir na história para libertar definitivamente o Seu povo da escravidão, inaugurando uma era de vida, de fecundidade e de paz sem fim. O quadro destina-se, portanto, não para amedrontar, mas para abrir os corações à esperança. Quando Jesus vier com a Sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação/libertação sem fim.
Há, ainda, um convite à vigilância: é necessário manter uma atenção constante a fim de que as preocupações terrenas e as cadeias escravizantes não impeçam os discípulos de reconhecer e de acolher o Senhor que vem.
A reflexão acerca do Evangelho de hoje pode tocar, entre outros, o seguinte ponto: a realidade da história humana está marcada pelas nossas limitações, pelo nosso egoísmo, pela destruição do planeta, pela escravidão, pela guerra e pelo ódio, pela prepotência dos senhores do mundo.
Quantos milhões de homens conhecem, dia a dia, um quadro de miséria e de sofrimento que os torna escravos, roubando-lhes a vida e a dignidade. A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre a porta à esperança e grita a todos os que vivem na escravidão: “Alegrai-vos, pois a vossa libertação está próxima!”
Com a vinda próxima de Jesus, o projeto de salvação/libertação de Deus vai tornar-se uma realidade viva. O mundo velho vai converter-se numa nova realidade de vida e de felicidade para todos.
No entanto, a salvação/libertação que há-de transformar as nossas existências não é uma realidade que deva ser esperada de braços cruzados. É preciso “estar atento” a essa salvação que nos é oferecida como dom, e aceitá-la.
Jesus virá. Mas é necessário reconhecê-Lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso, também, ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Cristo e deixar que Ele nos transforme.
É preciso, ainda, ter presente que este mundo novo – que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho – nunca será uma realidade plena nesta terra, mas sim uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, haver destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Homilia Diária - 23.11.2011 - "O homem que confia em Deus testemunha na perseguição"

Jesus continua falando sobre as perseguições que os discípulos sofrerão. Estas advertências estão inseridas em Sua fala ao fazer o envio missionário.

As provações dos discípulos de Cristo têm um alcance escatológico, isto é, anteciparão não só a destruição de Jerusalém, mas também a própria Parusia. Tendo em vista que serão perseguidos tanto pelas sinagogas judaicas como por reis e governadores gentios.
Nos Evangelhos sinóticos encontramos conjuntos de textos escatológicos, com estilo apocalíptico, que prenunciam o fim dos tempos, de maneira trágica, com a volta do “Filho do Homem”. Este estilo literário reproduz a forma encontrada no Antigo Testamento, no qual, a partir do “Dia de Javé” – dia de terror para o mundo, porém, de glória para Israel – se elaborou uma literatura apocalíptica. A presença desses textos no Novo Testamento é o reflexo da antiga tradição das primeiras comunidades de convertidos do Judaísmo. Tais textos são encontrados, em bloco, nos “discursos escatológicos”, em Mateus (cap. 24-25) e em Marcos (cap. 13), e em dois discursos em Lucas. A invariabilidade das sentenças dos textos, nos três Evangelhos, leva a supor que os evangelistas recorreram às mesmas fontes de tradição, especificamente escatológicas.
O discurso escatológico em Marcos prioriza o prenúncio da destruição de Jerusalém, à qual é associada a vinda do Filho do Homem. No discurso escatológico de Mateus, as sentenças sobre a destruição de Jerusalém e sobre a vinda do Filho do Homem estão entremeadas. Lucas, em um primeiro discurso, destaca o tema escatológico da vinda do Filho do Homem (cf. Lc 17,22-37) e, em outro, retoma esse assunto a partir do tema da destruição de Jerusalém, incluindo também a perseguição contra os discípulos missionários (id. 21,5-36).
No início do ministério de Paulo havia uma expectativa da volta iminente de Jesus, a Parusia. Contudo, essa expectativa surtiu efeito negativo, tendo em vista que muitos passaram a viver uma vida ociosa e desordenada. Com o tempo, essa realidade [a expectativa da Parusia] foi desaparecendo, dando lugar à consciência da presença atual de Jesus nas comunidades dos discípulos, que lutam por um mundo novo possível.
O testemunho, nas perseguições e diante dos tribunais, não é resultado da eloquência, mas sim do abandono confiante nas mãos de Deus. É o próprio Jesus quem dá ao discípulo as palavras adequadas a serem proferidas diante dos tribunais. Lucas tinha em mente o testemunho de Estevão e outros mártires.
As comunidades dos discípulos, comprometidas com a missão, ao longo da história, têm vivido sob as diversas provações impostas pelos poderosos. A perseverança nas tribulações, suportadas em nome de Jesus, é o caminho para a vida.
Dai-me, Senhor, a graça da perseverança nas tribulações a fim de que eu tenha vida plena em Vós.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Homilia Diária - 17.11.2011 - "Jesus, porque nos ama, tem chorado e sofrido por nós".

No texto de hoje, Jesus chora sobre Jerusalém por ver que a Cidade Santa não sabia qual era o caminho da verdadeira paz. Os olhos dela estão como que vendados. Ela tornou-se centro da exploração e opressão do povo, enveredando por um caminho que é o avesso do caminho da paz.

Ela será destruída, porque não quer reconhecer na visita de Cristo a ocasião para mudar as próprias estruturas injustas, abrindo-se ao apelo d’Ele.
Jesus chora porque gostaria de juntar aquele povo “como uma galinha junta seus pintainhos”. Caro internauta, você conhece esta cena? A galinha junta os pintainhos com as asas e os protege. Jesus é assim mesmo! Ele usa uma linguagem bem humana para que possamos compreender. Veja a comparação que o Mestre faz. Como é grande o amor d’Ele pela humanidade, demonstrado neste texto à cidade de Jerusalém.
E este texto é proclamado para você aqui e agora. O Senhor deseja muito abrir seus braços neste momento e acolher a todos. Deixe-se ser acolhido por Ele!
Foram duas ocasiões muito solenes aquelas em que os textos sagrados nos dizem que Jesus chorou. Chorou diante do sepulcro, onde jazia o seu amigo Lázaro – morto havia quatro dias – e chorou quando sentiu, no mais íntimo do coração, a incredulidade da santa cidade de Jerusalém.
Jesus é Deus – único, sem dúvida! – que chora pela situação triste e ímpia deste mundo perdido. Parece um contraste. Algo incoerente. Deus a chorar pelos homens. Mas não o é. Não é incoerência, porque este Jesus é o único Deus que ama. Deus que ama o mundo de tal maneira que dá a Si próprio, como sacrifício de substituição, para que todo aquele que n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna.
Olhemos este texto e vejamos com que amor Deus se ocupa de nós. Como Ele se entrega. Como sofre, vendo a cidade entregue às suas impiedades e dominada pelos vendilhões da religião. Como chora sobre ela e ora para que abra os olhos para as suas oportunidades, ainda de pé, mas em breve perdidas.
Esta cidade sou eu e é você quando não queremos nos converter e, acatando os ensinamentos de Cristo, salvar-nos. E, então, Jesus continua chorando por você e por mim.
Arrependamo-nos enquanto é tempo. Aceitemos a misericórdia de Jesus, que chora pela nossa triste e condenável situação de pecadores perdidos. Caminhemos em direção a Cristo que nos chama com amor infinito e, então, viveremos.
Ai de nós que não sabemos reconhecer a bondade de Deus que sempre está ao nosso lado no dia a dia da vida. Que estejamos sempre atentos e conscientes com os bens que temos, sobretudo o bem da paz e da vida.
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Homilia Diária - 16.11.2011 - "A generosidade em fazer frutificar os dons recebidos."

A parábola dos talentos, apesar das semelhanças, não deverá ser a mesma das minas – ainda que alguns pensem que sim – pois Jesus podia ter contado duas parábolas semelhantes, embora com o mesmo fim didático. Esta parábola ensina principalmente a necessidade de corresponder à graça duma maneira esforçada, exigente, constante, durante toda a vida. Temos de fazer render todos os dons da natureza e da graça, recebidos do Senhor. O importante não é o número dos talentos recebidos, mas sim a generosidade em fazê-los frutificar.

Não se trata propriamente de uma moeda mas de uma unidade monetária, cujo valor ignoramos ao certo por variável que era então, mas que ronda pelos 36 quilos de prata. O texto nos sugere refletirmos sobre três pontos funtamentais que são:
1º ponto: o segredo da felicidade. Todos suspiramos pela felicidade. Todos queremos ser felizes. Todavia, é preciso não termos ilusões. A felicidade não se recebe de “mão beijada”. Ela é conquistada com o esforço, o trabalho e o sacrifício. O segredo da felicidade está na fidelidade aos nossos deveres em relação a Deus e aos outros. Ser fiel no dever de cada dia. Fiel em pequenos gestos de caridade com o próximo. Fiel no compromisso de piedade, de amor para com Jesus na Eucaristia. Fiel na preocupação de tornar a vida agradável aos outros, sorrindo, servindo e ensinando. Não é indiferente ser ou não ser fiel: “ditoso o que teme o Senhor e segue o seu caminho”, diz o Salmista. Não há felicidade sem fidelidade.
2º ponto: os pecados de omissão. O Evangelho nos diz que o patrão daqueles criados, passado muito tempo, foi ajustar contas com eles. Enquanto que o primeiro e o segundo puseram a render os talentos recebidos, o terceiro, deixando-se levar pela preguiça, nada fez. Daí, ouvir a censura condenatória do seu patrão: servo mau e preguiçoso.
Aqui temos retratado o pecado de omissão. Aquele servo não perdeu o talento recebido. Teve até o cuidado de o esconder, mas assim o tornou improdutivo.
O servo preguiçoso é imagem viva do cristão que, quando é chamado a uma vida de piedade mas intensa, a comprometer-se na tarefa do apostolado, a aliviar o peso da pobreza e do sofrimento de quem o rodeia, se esquiva. E tranquiliza a sua consciência dizendo: “Eu não sou mau, não trato mal a ninguém, nem prejudico quem quer que seja”.Quem fala assim não repara que também existem omissões graves, coisas que se deviam ter feito ou dito, mas não se fizeram nem se disseram.
3º ponto: o verdadeiro descanso. O comportamento dos servos não foi igual. Para o primeiro e o segundo o resultado foi 100% positivo. Para o terceiro foi 100% negativo. Cada um recebeu seus talentos para os pôr a render sempre que possa fazer algo. Diante desta verdade, eu não posso “cruzar os braços”. Certamente que não resolvo tudo. Faço o que posso! Portanto, dê você também o seu 100% e descansará. Assim, você também tomará posse do que está reservado àqueles que em vida deram o seu 100%.
O Evangelho estabelece um laço constante entre os pecados de omissão e o inferno. Três textos se referem ao caso: a parábola dos talentos: “lançai-os às trevas lá de fora”. Na parábola do rico avarento (Lc 16,10): “Morreu e foi sepultado no abismo”. E em Mt 25,11:“Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”.
Eu, no meu lar, no lugar de trabalho, nas minhas relações sociais, na minha paróquia, faço frutificar os talentos de inteligência, saúde, simpatia, de possibilidades econômicas? Ou enterro tudo isso no “despejo” da preguiça? Procuro trabalhar na defesa dos valores da vida, verdade, honra, pudor e dos outros que precisam da minha ajuda? Mãos à obra! Você tem tudo para ser feliz e repousar na alegria do seu Senhor. Basta que ponha a render os seus talentos.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Homilia Diária - 27.10.2011 - "Jesus chora por Jerusalém e por cada um de nós"

Após apresentar a denúncia de Jesus sobre a infidelidade de Israel, Lucas insere este diálogo envolvendo alguns fariseus e Jesus. Estes fariseus simulam proteger o Senhor das ameaças de Herodes, preposto do império romano, com autoridade sobre a Galileia.
Herodes já havia mandado matar João Batista, e Jesus, cuja prática se assemelhava à de João, estava também ameaçado. Com um forte propósito de terminar a Sua missão, Jesus diz: “Vão e digam para aquela raposa que eu mandei dizer o seguinte: ‘Hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho’”.
A resposta de Jesus é um recado a ser dado a Herodes por estes fariseus, que Jesus percebe estarem fazendo o jogo de Herodes. Jesus chama Herodes de raposa e, com uma frase repetida, afirma que continuará Seu ministério e Seu caminho rumo a Jerusalém.
A morte não O intimida. Sabe que está mais próxima a morte por parte dos chefes religiosos de Jerusalém do que por parte de Herodes. Com uma sentença em estilo profético, Jesus ainda faz a Jerusalém um apelo à conversão. Capital do Judaísmo, Jesus caracteriza Jerusalém como a cidade que mata os profetas.
Poderíamos assim dizer que Ele “nem estava aí” tanto pelo que Herodes haveria de lhe fazer quanto do que o povo dizia. Ele está a caminho de Jerusalém. Com o Seu ensinamento, revela a Sua rejeição pelo Judaísmo e a Sua acolhida por parte dos gentios. Mais do que a Herodes, Jesus sabe que paira sobre si a ameaça de morte por parte das autoridades religiosas com sede em Jerusalém. E então o clamor de indignação de Jesus:“Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe manda! Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!”
Os judeus eram os escolhidos de Deus. A este povo Ele tirou do Egito, conduziu-os à terra prometida e livrou-os dos inimigos. Sobretudo, a este povo Deus prometeu e enviou o Salvador Jesus. Porém, eles não foram gratos a Deus.
Os judeus desprezaram Jesus e não O aceitaram como o seu Salvador. Quando Ele esteve aqui na terra, dedicou muito tempo à cidade de Jerusalém. Durante três anos ensinou ao povo, no Templo, o amor de Deus e a necessidade do arrependimento.
Jesus se preocupou com este povo, porque viu que os seus corações estavam endurecidos. O povo de Jerusalém se tornara materialista, ocupando-se demais com as coisas do mundo e esquecendo-se do Senhor.
A preocupação com as coisas materiais era tão grande que haviam tornado até o próprio Templo uma casa de comércio. Em lugar de usar o Templo para a pregação da Palavra de Deus, usavam-no para fazer dinheiro, vendendo e comprando objetos.
Jesus chamou várias vezes este povo ao arrependimento, mostrando-lhes o perigo que estavam correndo e a necessidade de se voltarem para Deus. Porém, o povo permaneceu indiferente. Não se arrependeu, não reconheceu os seus pecados nem se voltou para Ele.
Jesus esperava que eles chorassem de arrependimento, mas como não choraram, Jesus chorou por eles. Chorou de pesar, de tristeza e compaixão.
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Homilia Diária - 06.09.2011 - "Não basta querer. É preciso esforço da nossa parte!"

No Evangelho de hoje, Jesus anuncia Sua mensagem de salvação ensinando de cidade em cidade, de povoado em povoado. Ao mesmo tempo, Ele se aproxima de Jerusalém, onde alguém lhe pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”
Esta é a pergunta curiosa do devoto fiel, evidentemente pondo-se no grupo dos salvos. É a tentação de sempre, daqueles que se julgam “proprietários” da salvação, especialmente os fariseus. Mas é também a tentação que temos nós, discípulos, quando perdemos a dimensão da espera. Quando acreditamos que “os muros da nossa cidade interior” são tão seguros a ponto de não precisar de vigilância.
É terrível para nós, discípulos, quando, depois de uma bela experiência com Deus, sentimos imediatamente que entramos num grupo “à parte” e começamos a olhar com autossuficiência aos outros, àqueles que não entendem, que não conhecem, que têm seguido outros percursos diferentes ao de Jesus.
“Para mantermos a vida de fé necessitamos fazer todo o esforço possível para passar pela porta estreita”, diz o Senhor. Com este símbolo, Jesus não tem a intenção de dizer que, devido ao monte de gente que quer a vida eterna, tenhamos que “empurrar uns aos outros” pra poder garantir nosso lugar. Não! Devemos nos esforçar sim; não basta querermos.
É verdade que não podemos nos salvar por nossas próprias forças, mas isto não acontece sem a nossa ação, com uma atitude de pura passividade. Deus nos salva, mas nos leva a sério como pessoas livres e responsáveis. Devemos nos esforçar e lutar, aproximando-se decididamente e conscientemente do Senhor para superar os obstáculos e testemunhá-lo com a nossa vida.
Com a afirmação sobre a porta que é fechada pelo dono da casa, Jesus quer nos dizer que devemos nos esforçar, porque nosso tempo é curto. Não podemos adiar “pra não sei quando” o esforço de viver em comunhão com Deus. Com a nossa morte, a porta será fechada e será decidido o nosso destino. Então, será muito tarde para querer chamar e bater.
Devemos levar também em conta que o nosso tempo, além de limitado não é do nosso controle. Não podemos viver uma vida segundo o nosso bel-prazer e adiar para a velhice a preocupação pela salvação. Não somos nós que fechamos a porta, mas Deus. Por isso, devemos estar sempre prontos.
Nas palavras do dono da casa, vemos uma ênfase na justiça, na orientação da vida segundo a vontade do Senhor. Não basta uma comunhão somente externa com Ele, tê-Lo conhecido, ter ouvido Seus ensinamentos, conhecer o Evangelho e o Cristianismo, pois corremos o risco de Ele nos dizer: “Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!”.
Quem não se orienta pela vontade de Deus, quem rejeita, conscientemente, a comunhão com Ele, já excluiu a si próprio da salvação. Esta sua decisão é respeitada e confirmada pelo Senhor. E seria triste chorar de desgosto e ranger os dentes de raiva por se dar conta do que foi perdido.
A boa notícia de Jesus não nos diz coisas agradáveis nem nos promete uma vida fácil e sem esforços. A boa nova contém algumas verdades incômodas, mas justas, porque não nos esconde nada, mas manifesta a verdade completa e nos indica a verdadeira via para a felicidade plena. Aquilo que conta, enfim, é o empenho com o qual se vive a própria existência cristã, testemunhando uma pertença a Cristo.
Jesus nos interpela. Para chegarmos ao Reino, à vida plena, à felicidade eterna – dom de Deus oferecido a todos – é preciso renunciar a uma vida baseada naqueles valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes e autossuficientes para seguir Jesus no Seu caminho de amor, de entrega e dom da vida.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Homilia Diária - 25.10.2011 - "Abra-se à simplicidade e à beleza do Reino do Céu"

Jesus usava os exemplos mais simples possíveis. Em outra passagem, chega a dizer que explicava essas coisas em parábolas a fim de confundir os doutores, justamente porque eles não tinham contato com coisas simples como plantar sementes, preparar massa de pão ou de bolo. Então, eles tinham mais dificuldade de entender e, às vezes, se confundiam.
Hoje, Jesus se desafia. “Com que poderei comparar o Reino dos Céus?” Primeiro, Ele o compara com o homem que lança uma semente de mostarda no seu jardim. A semente gera uma árvore que os pássaros do céu fazem ninhos em seus galhos. Qualquer pessoa simples daquela época sabia que a semente de mostarda é a menor dentre todas as sementes, mas que gera uma árvore enorme. E o que isso tem a ver com o Reino dos Céus? Veja que comparação linda: o homem que atirou a semente é o próprio Jesus, a semente é o Evangelho, o terreno é o nosso coração e a árvore que vai crescendo, a partir daquela semente, é a nossa vida, é próprio Reino dos Céus onde as aves fazem ninho. As crianças de todas as idades se aconchegam onde as pessoas vêm colher frutos para saciar sua fome de Deus, onde tantos vêm descansar à sua sombra quando estão cansados. E mesmo quando vem o lenhador e corta os seus galhos ou até o seu tronco, a árvore exala perfume sobre o machado que a feriu, mas não morre antes de espalhar novas sementes pelo mundo afora.
A segunda comparação foi com o fermento que se mistura com três porções de farinha até que tudo fique fermentado. Jesus entendia até de cozinha! Quem cozinha sabe que não é só jogar o fermento e pronto! Existe todo um processo para fazer ele penetrar na massa.
Eu fico imaginando aquelas mulheres quando iam preparar o pão, fazendo as analogias a cada gesto durante a preparação. A farinha é o nosso ser e o fermento é o amor. Enquanto a massa vai sendo misturada com o fermento, ela precisa ser batida, amassada e remodelada para que o fermento se misture e fique igualmente distribuído em toda a massa, para que, no momento de ir ao fogo, o pão resista ao calor e cresça por igual.
Nós também precisamos ser amassados e remodelados para que o amor preencha todas as áreas da nossa vida. Enquanto houver áreas sem fermento, será preciso amassá-la e sovar um pouco mais, até que o fermento do amor entre nela. Tudo isso para que, no momento de ir ao fogo, o nosso pão cresça por igual sem áreas deformadas pela falta do fermento.
Você deve ter observado que essa reflexão ficou grande, mas poderia ter ficado ainda maior pela beleza e riqueza deste Evangelho. Jesus também se desafiaria para encontrar uma comparação interessante, com algo que você está habituado a ver no seu cotidiano, só para fazê-lo entender o que é o Reino dos Céus e desejar – com todas as forças – fazer parte dele.
Senhor, faça com que eu seja instrumento de Seu Reino para que ele chegue a todas as pessoas, sem exceção, principalmente aos pobres e marginalizados.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Homilia Diária - 20.10.2011 - "A paz de Jesus é um fogo purificador"

Neste Evangelho, Jesus mais uma vez nos mostra o Seu amor, convidando-nos a conhecer Sua missão em meio às alegrias e dificuldades. Jesus veio nos trazer o Espírito Santo, o Espírito de amor, Aquele que nos ensina todas as coisas.
Jesus nos deixa o exemplo: Ele, que é o Rei, se fez pequeno quando pediu o batismo a João Batista, batismo esse que nos dá forças em meio ao combate espiritual, no qual a carne e o espírito conseguem vivenciar dentro de uma fraternidade de amor e paz. Após o batismo, somos chamados a vivenciar os frutos do Ressuscitado para que possamos ter uma vida plena e cheia do Espírito Santo.
Jesus era consciente de que um efeito – ainda que não desejado – do seu trabalho ia ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutam por um mundo novo. Por isso, inflamou a ira dos funcionários do Templo e de todos os que se consideravam “donos da verdade”. O fogo da Palavra de Deus não era para funcionários lúgubres, saturados de doutrinas e sedentos de poder.
O fogo de Jesus não é o fogo das paixões políticas, mas do Espírito que tem de ser aprovado na entrega total, no batismo da doação pessoal. A paz de Jesus é um fogo purificador que não se confunde com a “Pax Romana”, aquela paz que Roma – e qualquer império – se esforça por proclamar. Esta é só uma tranquilidade institucional que garante a vantagem dos opressores sobre os oprimidos, do império sobre os subalternos, da injustiça sobre o direito.
O fogo purificador de Jesus faz amadurecer os mensageiros, os discípulos, os profetas, os apóstolos. O destino deles, como do Mestre, é sair ao encontro da obscuridade com um clarão que evidencia tudo o que a ordem atual esconde. O fogo põe às claras também as deficiências pessoais, as ambições subterrâneas, os desejos reprimidos. O fogo que se prova com a entrega total ao serviço do Evangelho.
Devemos observar que o Senhor Jesus Cristo não está atacando o relacionamento familiar, mas indica que nenhum laço terreno, embora muito íntimo, poderá diminuir a lealdade a Ele.
Essa lealdade pode até mesmo causar, em determinados membros de uma familia, que eles sejam afastados ou ignorados pelos outros por terem escolhido seguir a Cristo Jesus.
Podemos resumir que o Senhor Jesus Cristo se refere à espada por ser um instrumento cortante e que, da mesma forma, a sua vinda causará separação em muitas pessoas. E isto não porque Ele quer, mas pela opção de cada um em segui-lo como Senhor e salvador.
Pai, que o batismo de Jesus por sua morte de cruz purifique-me de todo pecado e de toda maldade – como um fogo ardente – abrindo o meu coração totalmente para o Senhor.
Padre Bantu Mendonça

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Homilia Diária - 19.10.2011 - "O que você faria no último dia da sua vida?"

Estas duas parábolas – a da chegada inesperada do ladrão e a do comportamento do servo que aguarda a chegada do seu senhor – dão continuidade ao tema escatológico da Parusia. Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca pelo Reino através da prontidão para o serviço fraterno.
Os versículos de 41 a 46 (de Lucas 12) mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir provendo as necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior quando se sabe o que deve ser feito.
“Vós também, ficai preparados, pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”. O tema de hoje é a vigilância. Eu e você precisamos estar preparados. Se você soubesse que hoje seria o último dia da sua vida, o que você faria, meu amigo? Quantas respostas, não? Talvez diria: “Eu correria para a Igreja a fim de fazer uma boa confissão”, ou “Eu vou correr e perdoar todas as pessoas que me ofenderam; “eu iria pedir perdão a todos aqueles a quem ofendi”; “eu iria repartir o que eu tenho a mais com os pobres”.
O que lhe impede, meu amigo, de fazer isso hoje mesmo sabendo que, talvez, esse não seja o último dia de sua vida? Fazer assim é estar preparado. Não sabemos nem o dia nem a hora. Eu preciso viver como se este dia e esta hora fossem os últimos na minha vida. Se eu viver assim o dia de hoje, tenho certeza que estarei preparado, porque se o Senhor vier no dia de hoje, não haverá desespero para mim. Por quê? Porque estou vivendo este dia como sendo o último e esta hora como sendo a última.
E o que você faria no último dia da sua vida? Certamente faria dele o melhor dia já vivido: iria amar a todos, perdoar a todos, servir a todos. O que impede você de viver assim o dia de hoje? Então, viva assim! Busque fazer o bem, amar e perdoar a todos, lutar pela verdade e pela justiça, cuidar de quem sofre, amar os mais pobres, socorrer os necessitados, consolar os aflitos. É assim que o Senhor quer nos encontrar na Sua segunda vinda.
Agora, seria muito triste eu não zelar, não administrar bem o que o Senhor me confiou, ou seja, os talentos. “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” É verdade. Deus me confiou muitas coisas, Ele me deu muitos dons, confiou a mim uma obra. Então, eu tenho que ser fiel àquilo que o Senhor me confiou. Tenho que administrar bem aquilo que Ele me deu, mesmo sabendo das minhas fraquezas e pecados.
O Pai confiou a você uma família, um trabalho, enfim, tantas coisas. Deus lhe confiou uma comunidade, confiou filhos e pais. Ele lhe confiou o que está à sua volta para que você cuidasse com toda fidelidade e pudesse estar vigilante, porque hoje o Senhor vai vir.
Os primeiros cristãos viviam sempre na iminência da segunda vinda de Cristo. Assim como eles, também estejamos vigilantes, porque Jesus voltará. Ele pode voltar hoje pela manhã, pela tarde ou durante a noite. Vivamos então, meu amigo, preparados para que o Senhor possa assim nos encontrar.
Pai, leva-me a tomar consciência de que muito será exigido de mim, pois muito me foi dado. Que minha vida seja compatível com minha condição de discípulo do Seu Reino. Amém!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Homilia Diária - 18.10.2011 - "A missão é mais forte do que o medo".

Esta narrativa do envio dos setenta e dois discípulos em missão é exclusiva de Lucas. Ele prepara as narrativas das missões que se seguirão na obra dos Atos dos Apóstolos e aponta – de uma maneira clara – quais são as características do missionário que vai em nome de Jesus. Este deverá ter como características: a humildade, o acolhimento sem discriminações, o cuidado com os doentes e a comunicação da paz. Só quando assim for é que realmente se dará como presente o Reino de Deus.
Como fizera com os Doze, Jesus instruiu os setenta e dois discípulos enviados, dois a dois, a preparar sua passagem a caminho de Jerusalém. Servidores do Reino, competia-lhes dispor as pessoas para acolher o Mestre e sua mensagem, deixando-se converter para Deus. Tarefa difícil se considerarmos que os discípulos se encontravam em território samaritano, cuja hostilidade contra os judeus era bem conhecida.
Por isso, as instruções de Jesus insistem em apresentar as dificuldades que deverão enfrentar. Eles serão como cordeiros entre lobos. Estarão em condições de desigualdade, podendo ser vítimas fatais da agressão dos habitantes das cidades que iriam visitar. Portanto, se de um lado a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos do outro está o trabalho penoso. A missão exige apóstolos destemidos.
A mensagem a ser levada é o dom da paz – no sentido mais completo – às pessoas e famílias e, sobretudo, a mensagem de que o Reino de Deus está próximo de vós.
O Reino de Deus é antes de tudo uma pessoa: Jesus. Quem o acolhe encontra a vida, a alegria, a missão de anunciá-Lo. O gesto de bater, sacudir a poeira dos pés, era um gesto simbólico dos israelitas que, ao ingressar de novo no próprio país – depois de terem estado em terra pagã – não queriam ter nada em comum com o modo de vida dos pagãos. Libertar-se da poeira que se grudou aos pés enquanto estavam em território pagão significava ruptura total com aquele sistema de vida. Fazendo isso, os discípulos transferem toda responsabilidade pela rejeição da Palavra àqueles que os acolheram mal e rejeitaram o anúncio do Evangelho. E a paz oferecida não se perde, mas volta a quem a oferece.
O estilo da missão de Jesus e dos discípulos é o oposto daquele dos poderosos que o mundo de hoje idolatra. Não se baseia sobre a vontade de dominar, a arrogância ou a ambição (coisas típicas de lobos), mas sobre a proposta humilde (não devem levar nada de material, mas devem contar com a Providência Divina e com a hospitalidade fortemente praticada naquela época), respeitosa, atenta aos mais fracos (curai os doentes), oferecida na gratuidade, sem buscar outras recompensas. O Evangelho de Jesus é uma mensagem de vida verdadeira para quem confia somente em Deus, que é Pai.
Os setenta e dois discípulos tinham uma tarefa nova e difícil. Mas estes retornam a Jesus muito contentes, porque ficaram impressionados pelos prodígios que puderam ver. Jesus freia um pouco esta alegria e diz: “antes, ficai alegres, porque vossos nomes estão escritos no céu”.
Como podemos nós, discípulos de Jesus, seguir nossa missão em meio aos “lobos” do tempos atuais? A missão é mais forte do que o medo. Às vezes, somos tomados por pensamentos negativos. É humano sentir medo, mas a missão deve superar os nossos temores. Nenhum profissional tem medo de falar da sua profissão. Então, por que deveríamos nós – cristãos – ter medo de falar de Cristo, da sua pessoa, da sua verdade, da sua vida, do seu amor e mistério?
A fé e a missão começam no coração e devem terminar nos lábios e nas ações. Não podemos deixar que o receio atrapalhe a nossa missão cristã.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Homilia Diária - 11.10.2011 - "A pureza interior adquire-se num processo cuidadoso e exigente"

Estamos mais uma vez diante da admirável pregação de Jesus que move e comove a todos. Sua Palavra penetra até o fundo dos corações, ao ponto de até os fariseus sentirem-se na obrigação de convidá-lo para o banquete.
Estranho é notar que, sobre a doutrina do Mestre, eles não se questionavam. Mas quando se tratava de coisas superficiais como, por exemplo, o mero lavar as mãos antes de comer, eles ficavam escandalizados como se “o lavar ou não lavar” fosse questão de vida ou morte. E, então, a resposta d’Aquele que verdadeiramente convida os homens para o Banquete das Núpcias Eternas não se faz esperar: “Vocês, fariseus, lavam o copo e o prato por fora, mas por dentro vocês estão cheios de violência e de maldade. Seus tolos! Quem fez o lado de fora não é o mesmo que fez o lado de dentro? Portanto, deem aos pobres o que está dentro dos seus copos e pratos, e assim tudo ficará limpo para vocês”.
O homem tocado e envolvido pela Palavra de Jesus se transforma numa pessoa íntegra, que faz e mostra o que traz em seu coração. Isto exigirá deste mesmo homem uma pureza interior.
A pureza não ocorre por acaso e nem brota da noite para o dia. O apóstolo Pedro compara-a ao processo de depuração do ouro (1 Pedro 1,6-7), no qual o ourives tem de aquecer esse metal várias vezes para que as impurezas e ligas venham à superfície e, assim, ele possa removê-las.
Isto nos leva a concluir que a purificação é um processo. Contudo, não basta desejarmos ser puros. E mesmo que sejamos sinceros e nos empenhemos duramente, isso não é suficiente. Precisamos ter o propósito de sermos conforme à imagem de seu Filho (Rm 8,29).
Jesus deixou bem claro que é impossível servir a dois senhores. Onde estiver nosso tesouro, aí estará também o nosso coração (Mt 6,21). Na luta pela formação de um caráter santo, precisaremos guardar no coração certos elementos e barrar a entrada de outros. Quem não cuida bem de seu coração está se predispondo a ter problemas. Quem o guarda com todo cuidado, vence. O único fator que pode impedir que um homem se entregue à impureza é o intenso amor pela pureza interior. Portanto, lave e guarde a sua mente, o seu coração – e não somente as suas mãos – e você será verdadeiramente puro.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Homilia Diária - 06.10.2011 - "O desafio da persistência na oração."

No Evangelho de ontem, Jesus responde ao pedido: “Senhor, ensina-nos a orar”, instruindo seus discípulos nos elementos da oração apropriada, pelo modelo de oração que Ele dá. Hoje, Jesus dá ênfase na importância da fé na oração feita com persistência conforme aparece claramente na parábola do amigo à meia-noite.
Nesta parábola, um homem é surpreendido na calada da noite por um hóspede inesperado e está embaraçado por não ter nada para alimentá-lo. Para cumprir esta exigência da hospitalidade do Oriente Médio, ele vai ao seu amigo vizinho, à meia-noite, pedindo três pães. A resposta é abrupta e insensível: “Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar”.
A reação do suplicante, contudo, é insistir sem se acanhar, até que seu “amigo” veja que há menos inconveniência em honrar o pedido do que continuar uma discussão a essa hora da noite. A moral da história, indicada no versículo oito, é que a “persistência” ou a “falta de acanhamento” do hospedeiro embaraçado conseguiu seu objetivo numa situação em que os laços de amizade e afinidade mostraram-se ineficazes. Portanto, a aplicação da parábola é para encorajar a persistência e a fé esperançosa na oração.
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á”.
É importante reconhecer que esta parábola é simplesmente ilustrativa – e não simbólica – pois Deus não é certamente um amigo insensível e de má vontade. Ele não nos vê como vizinhos importunos, desavergonhados. O argumento, então, raciocina do menor para o maior, do pior para o melhor. Se verdadeiramente somos amados de Deus – em vez de desprezados – e se Ele está ansioso, antes que hesitante, para ouvir nossos pedidos, por que a fidelidade na oração não produziria não somente um ouvido atento, mas uma boa vontade em dar tudo o que pedimos que for consistente com sua sabedoria divina?
Jesus completa suas instruções em Lucas 11 sobre a fidelidade na oração indo além da certeza de que Deus ouve a oração de seu filho, a uma concentração no objeto da súplica. Enquanto há, certamente, exemplos de abusos cometidos contra crianças em volta de nós, a maioria das pessoas, não importa se são más, não dão intencionalmente aos seus filhos presentes perigosos. “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!”
Novamente o argumento é feito contrastando o pior com o melhor. Se podemos confiar nos humanos para fazerem a coisa certa pela razão errada ou por causa da “afeição natural” por seus filhos, não podemos ser absolutamente confiantes em que Deus, que é mais do que apenas um amigo e pai, tanto ouvirá como dará suas melhores dádivas (seu Filho e a influência de seu Espírito) àqueles que lhe imploram persistente e fielmente?
Esta mensagem de Lucas 11 deve fazer do seu coração o lugar da acolhida ao projeto de Deus em sua vida. Com fé, esperança e confiança, bata a porta, suplique, chore apresentando todas suas preocupações. Tenho plena certeza de que o Todo-Poderoso ouvirá, atenderá e responderá abundantemente de acordo com o tamanho da nossa oração. O desafio se chama: persistência, disciplina e fidelidade na oração. Portanto, como disse Paulo aos novos convertidos de Tessalônica, também eu digo a você: “Reze sem cessar!” Ou seja: não pare de rezar.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Homilia Diária - 06.09.2011 - "A qualidade do nosso tempo para com Deus nos leva à maturidade da fé"

As duas irmãs acolhem a Jesus. Querem servir bem. Só que de modos diferentes. Uma pela escuta atenta. Maria não se preocupa. Senta-se aos pés de Jesus como os discípulos no Oriente se sentam aos pés de seu mestre. Marta repreende Maria. Jesus a defende. Para Ele basta pouca coisa. Marta passa a imagem daquela mulher trabalhadora, dona de casa, que tem prazer em receber as visitas e acolhê-las, desmanchando-se em cortesias. Ela é a típica “mãezona” das nossas cidades interioranas. As casas dessas senhoras são impecáveis em matéria de limpeza e organização. Os enfeites na geladeira, na estante da sala, nas paredes… A comida deliciosa, feita na hora e servida até a visita dizer que não aguenta mais comer. Só quem visita uma casa que tem uma “Marta” sabe o que é ser bem acolhido!
A alegria de mulheres assim é ver que a sua ilustre visita se sente bem em sua casa. Esse é o maior prazer que ela pode sentir. Mas esta atitude não basta para Jesus. Percebemos isso no Evangelho de hoje, quando Marta pede a Jesus que mande sua irmã Maria ajudá-la. É bem provável que Jesus tenha dado aquele sorriso acolhedor para Marta, e as suas palavras devem ter sido bem mais amenas do que as escritas por Lucas.
Jesus deve ter dito com um sorriso: “Ô Marta, por que te preocupas tanto? Isso que você está fazendo é importante, mas vocês podem deixar para fazer noutra hora. Agora é a hora para estar aqui comigo. Maria escolheu a melhor parte. Não a recrimine. Mais tarde ela irá lhe ajudar. Por enquanto, sente-se aqui conosco”. E Marta deve ter percebido que, de fato, estava deixando passar uma oportunidade rara para receber os ensinamentos do mestre Jesus. E deve ter se sentado para ouvi-lo.
Meu irmão, todos os grandes homens e mulheres de Deus foram pessoas que dedicaram muito tempo para estar com o Senhor. Muitas vezes nos sobrecarregamos de serviço. Vivemos o dia inteiro “correndo”, resolvendo problemas. E Deus nos diz: “Pare, meu filho! Gaste um pouco mais de tempo comigo”. Quanto tempo você tem dedicado ao seu relacionamento com Deus? Devemos reservar alguns momentos do nosso dia para buscarmos ao Senhor, através da oração, do jejum, da leitura da Palavra, etc. O Senhor precisa ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. Esse princípio não pode ser quebrado jamais!
Deus conhece o mais profundo do nosso ser, os nossos pensamentos, pecados, desejos, vontades, temores, dúvidas, sonhos. Nada podemos ocultar do Senhor, pois os Seus olhos estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons. A sinceridade é um dos requisitos para quem deseja manter um bom relacionamento com o Eterno. Os fariseus sempre foram censurados por Jesus, porque eles não possuíam essa virtude. Viviam de aparência e substituíam a revelação divina por suas próprias ideias e interpretações.
Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo. Somos de Deus! Cidadãos do céu, povo de propriedade exclusiva de Deus. Infelizmente, existem muitas pessoas que ainda não conseguiram se libertar totalmente do sistema mundano e continuam sendo amigos do mundo. Tiago escreveu – na sua epístola – que a amizade do mundo é inimizade contra Deus. Portanto, qualquer um que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
Já o apóstolo João na sua primeira carta, disse: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2,15). A palavra IGREJA significa “chamados para fora”. Isso quer dizer que fomos chamados por Deus para fora do pecado e do mundo, para sermos santos e íntimos d’Ele.
Devemos ser vasos na mão do oleiro. Precisamos ser moldados e transformados a cada dia pelo nosso Deus. A total transformação não acontece “da noite para o dia”, mas sim com o passar do tempo através do arrependimento, renúncia e muita força de vontade. Salomão escreveu em Provérbios 4,18: “Porque a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Isso fala da transformação gradual que acontece na vida de todo aquele que confessa a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.
O Senhor chama a você para que possa cultivar um relacionamento mais profundo com Ele, pois nada pode substituir o nosso relacionamento com Deus. Pai, que o meu agir não seja movido por um ativismo insensível à Palavra de Jesus. Antes, seja toda a minha ação decorrência da escuta atenta da Palavra do Teu Filho que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Padre Bantu Mendonça