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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O exorcismo e a psiquiatria. Padre Gabriel, exorcista de Roma, responde perguntas. Parte 1





1ª- Pergunta – Gostaria de saber se, na sua perspectiva, existem traços típicos que caracterizam as pessoas que, mais tarde, apresentam sintomas de possessão; ou seja, se, entre as pessoas por si diagnosticadas como endemoninhadas, existiam anteriormente comportamentos que as tornavam mais vulneráreis? Ou se a possessão atinge as pessoas ao acaso. Pergunto-lhe ainda se estes fenômenos de possessão também se verificam em ateus ou declaradamente ateus. Uma última curiosidade: já li qualquer coisa a respeito de perturbações especificas ligadas a estes fenômenos, como, por exemplo, a glossolalia (capacidade de falar em línguas desconhecidas) ou a levitação. Já observou casos destes?
 Resposta – São várias perguntas interessantes. Começo pela última curiosidade. Sim, já encontrei fenômenos de pessoas que durante os exorcismos falavam outras línguas ou línguas estranhas; também presenciei fenômenos de levitação e de força gigantesca. Mas estes fenômenos sozinhos não são suficientes para poder se afirmar se o caso é de possessão diabólica; são necessárias condições especiais e a integração com outros elementos de avaliação.
Um exorcista está habituado a ver fenômenos estranhos em grande quantidade e de tal maneira que se não os tivesse visto não acreditaria neles. Como, por exemplo, pessoas que durante os exorcismos cospem pregos, vidros, madeixas de cabelos, as mais variadas coisas.
Ou, então, a presença, em travesseiros ou colchões, de ferros retorcidos, de cordas com nós, de trançados muito apertados em forma de terço, de animais ‘pré-históricos’ feitos de material semelhante ao plástico… O caso mais grave que estou acompanhando é o de uma pessoa de quem o demônio disse que fará vomitar um aparelho de rádio; já vomitou quase dois quilos de material.
Destaco que os objetos vomitados se materializam no instante em que saem da boca. Observei isso claramente num jovem que cuspiu pregos na mão; até o último instante tive sempre a impressão de que cuspia saliva. Assim se explica por que razão a pessoa nunca tem danos físicos, mesmo quando cospe pedaços de vidro grosso e cortante. São fenômenos paranormais. É importante levar em conta a modalidade; certos objetos que encontramos nos travesseiros são sinais evidentes de feitiços, ou seja, são resultados de malefícios.
         Respondo agora à primeira pergunta: todas as pessoas podem ser atingidas pela possessão diabólica de manifestação, principalmente os descrentes, os ateus, os não praticantes, porque se encontram maisindefesos.
E o exorcista pode exorcizar quem quer que seja: aos meus serviços, por exemplo, já recorreram muçulmanos, budistas, pessoas sem qualquer tipo de credo religioso. 
         Não existem predisposições dependentes, por exemplo, a fragilidade do sistema nervoso ou a hereditariedade. Pelo contrário, existe o perigo de que uma pessoa se exponha à possessão diabólica, por exemplo, freqüentando sessões de invocação dos mortos ou seitas satânicas. É importante saber que a possessão diabólica não é um mal contagioso: não existe perigo algum, nem para os familiares, nem para os lugares que freqüentam. Pode se casar, ter filhos, sem nenhum perigo de contágio. Podemos dizer, de um modo geral, que o demônio não pode nos fazer nada sem o nosso consentimento. 
Por exemplo, veio me procurar uma moça que, por pura curiosidade, tinha assistido a uma missa negra. Não conseguia estudar, se concentrar e tinha crises repentinas de violência, como nunca havia acontecido antes. Neste caso, a causa era evidente e era uma causa culpável.
A respeito da culpabilidade, excetua-se o campo dos malefícios, em que agora não me aprofundarei por ser um campo bastante vasto e que foge do nosso tema principal. Diga-me se respondi suficientemente a todas as suas questões.
Pessoa que formulou a pergunta

- Sim, sinto-me satisfeito. (Esta é sempre a gentil declaração que ouço após as minhas respostas, por isso, de agora em diante não voltarei a repeti-la. Digo apenas, com a fraqueza que me é habitual, que encontrei mais interesse e mais crédito ao falar a estes grupos de psiquiatras, do que quando falo a grupos de sacerdotes.)

Lumen Fidei.9 - Chamado e Promessas de Deus

               


          A palavra de Deus comunicada a nós, ainda hoje tem este mesmo efeito em nossa vida: uma chamada e uma promessa. Uma chamada, no sentido de retomar a direção original de nossa existência, a felicidade, não firmada na transitoriedade, mas no eterno. Em um segundo momento, uma promessa, na perspectiva de que uma vida pautada nas palavras e nos ensinamentos de Cristo, de fidelidade a sua Igreja, nos garantirá o acesso à presença do Pai. De forma específica, também na realidade específica de cada um, mediante as particularidades de nossa história de vida, Deus tem também chamadas e promessas. No dia de hoje, você sabe a que o Pai te chama? Consegue estar atento as suas promessas? 


9. Esta Palavra comunica a Abraão uma chamada e uma promessa. Contém, antes de tudo, uma chamada a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspectiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé « vê » na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Gn 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um ato de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro está intimamente ligada com a esperança.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Lumen Fidei.8 - O caminho da Fé

        

O caminho da fé, tal como nos ensina a Sagrada Escritura, com a história de Abraão, é um caminho de escuta, de conquista de intimidade com Deus.  Ele estabelece com cada um de seus filhos um contato pessoal e único, por meio de sua voz. Como nos afirma o documento, a fé está ligada a escuta. Em nosso mundo contemporâneo, tomado pelos ruídos externos, somos também invadidos pelos ruídos internos, que infelizmente por vezes sobressaem a Palavra de Deus.
          Nisto está centrada a importância de nossa vida oracional. A ovelha apenas reconhecerá a voz do pastor, se com atenção, busca-la ouvir diariamente, senão, poderá ser confundida pelos movimentos do lobo.  Como está a sua atenção a esta Palavra que te interpela pessoalmente?

Christian Moreira

Comunidade Canção Nova

8. A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes, com os primeiros testemunhos já no Antigo Testamento. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um facto impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e o chama por nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um carácter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contato com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Lumen Fidei.6 e 7 - Fé, Esperança e Caridade

             
A Igreja, fiel a sua vocação de Mãe e Mestra, de forma inspirada e amorosa mais uma vez nos aponta a direção segura: o segmento de Cristo, por meio de um discipulado no amor. Deus se revela a nós de muitas formas, mas de maneira privilegiada através dos nossos irmãos. Do próximo, que está mais próximo. Não apenas pelos laços de sanguinidade ou de afetividade, mas pela vocação inexorável e incorruptível de filhos de Deus, coerdeiros da graça por meio de Jesus.

          A produção da presente encíclica por nós estudada nesta iniciativa, completa uma tríade por demais oportuna para a salvação pessoal e comunitária dos crentes: fé, esperança e caridade; por meio de uma dinâmica interação com Deus por meio do Espírito Santo.

6. O Ano da Fé teve início no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. Esta coincidência permite-nos ver que o mesmo foi um Concílio sobre a fé,[6] por nos ter convidado a repor, no centro da nossa vida eclesial e pessoal, o primado de Deus em Cristo. Na verdade, a Igreja nunca dá por descontada a fé, pois sabe que este dom de Deus deve ser nutrido e revigorado sem cessar para continuar a orientar o caminho dela. O Concílio Vaticano II fez brilhar a fé no âmbito da experiência humana, percorrendo assim os caminhos do homem contemporâneo. Desta forma, se viu como a fé enriquece a existência humana em todas as suas dimensões.
7. Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal [7] — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a « confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.
Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"A vida nunca se torna insuportável por causa das circunstâncias, mas somente por falta de significado e de propósito”.

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Milhares de livros de autoajuda são publicados todos os anos, prometendo as chaves da felicidade, da transformação e da vida significativa. Mas um livro de memórias de 1946, cujo pano de fundo é um dos capítulos mais cruéis e mais terríveis da história da humanidade, afirma que a chave da felicidade está precisamente em parar de correr atrás da felicidade.
 
“Em busca de sentido”, do psiquiatra austríaco ViktorFrankl, é um poderoso livro de memórias psicológicas e de reflexões sobre a experiência do autor em Auschwitz. A obra argumenta que o significado, e não o sucesso ou a felicidade, é que deve ser buscado na vida humana. O livro apresenta a teoria da logoterapia deFrankl, que sustenta que o impulso fundamental do homem é encontrar “o significado potencial da vida em quaisquer condições”. Frankl escreveu: “A vida nunca se torna insuportável por causa das circunstâncias, mas somente por falta de significado e de propósito”.
 
Frankl teorizou que foi graças a esse senso de propósito que os sobreviventes do Holocausto conseguiram superar aquela provação extrema. Mesmo nas piores circunstâncias imagináveis​​, Frankl mantém firme a crença de que o espírito do homem pode se elevar acima de tudo aquilo que o circunda. “Quando não conseguimos mais mudar uma situação, temos o desafio de mudar a nós mesmos”, escreveu ele.
 
De modo aparentemente paradoxal, foi num período de tragédia e sofrimento sem sentido que Frankl pôde darsentido à experiência humana, além de documentar e explorar a busca universal de sentido de uma forma que nunca tinha sido articulada antes. Em 1959, o psicólogo americano Carl Rogers declarou que o trabalho deFrankl é “uma das contribuições mais relevantes para o pensamento psicológico nos últimos 50 anos”.
 
As palavras elogiosas de Roger são, no mínimo, uma subvalorização. Até 1997, o ano da morte de Frankl, o seu livro tinha vendido mais de 10 milhões de cópias, já era usado como livro-texto em cursos e faculdades e tinha sido reimpresso 73 vezes, além de traduzido para 24 idiomas, de acordo com o obituário de Frankl no New York Times.
 
Frankl reitera ao longo do livro que, mesmo quando todo o resto lhe for arrancado, o homem ainda tem a sua última liberdade: a de “escolher que atitude tomar em um determinado conjunto de circunstâncias”. Essa ideia de que o homem pode superar suas circunstâncias através da atitude remonta aos antigos filósofos estoicos e ainda permeia grande parte do nosso atual conceito de resiliência. Frankl fornece evidências práticas e teóricas da sua poderosa verdade.
 
“Quem tem um ‘porquê’ de viver pode suportar quase qualquer ‘como’”, escreve Frankl, citando Nietzsche.Frankl não estava apenas falando da boca para fora ao defender o poder do otimismo e do senso de propósito: ele próprio tinha passado pelo pior ‘como’ possível, sendo prisioneiro em Auschwitz e perdendo pai, mãe, irmão e esposa grávida nos campos de concentração; toda a família, exceto a irmã.
 
Como foi então que Frankl, confrontado com a própria morte e com a execução brutal das outras pessoas, ainda pôde pensar que a vida valia a pena? Franklafirma que é “a vontade de sentido” do homem o que lhe permite resistir ao sofrimento e à dor sem sentido: a vida é sofrimento e, para termos qualquer esperança de sobreviver ou prosperar, precisamos encontrar sentidoneste sofrimento. Tomamos a decisão de seguir em frente, de continuar acordando e vivendo dia após dia porque acreditamos que existe um propósito maior e um senso de responsabilidade na nossa vida; que o nosso sofrimento não é em vão.
 
“De certa forma,o sofrimento deixa de ser sofrimento quando encontra um significado, como o significado de um sacrifício”, escreveu Frankl.
 
Para Frankl, os entes queridos, a religião, o senso de humor, podem trazer significado ao indivíduo em épocas de grande sofrimento.
 
O significado pode vir de várias fontes diferentes, mas nenhuma é mais poderosa e mais transformadora do que o amor. Frankl escreve que, nas trincheiras de Auschwitz, ele experimentou a verdade do velho clichê que diz que “a única coisa de que você precisa é o amor”. Esta epifania foi inspirada por pensamentos da sua esposa durante a marcha diária dos prisioneiros, de manhã cedo, até o local de trabalho:
 
“Pela primeira vez na minha vida, eu vi a verdade tal como ela é cantada por tantos poetas e proclamada como a máxima sabedoria por tantos pensadores. A verdade – que o Amor é o objetivo final e mais alto a que o homem pode aspirar. Eu então percebi o significado do maior segredo que a poesia humana, o pensamento humano e a crença humana podem revelar: a salvação do homem vem através do amor e no amor.”
 
Pensar em sua amada, escreve ele, permitiu que um homem conhecesse a felicidade durante um instante, mesmo quando todo o resto tinha sido arrancado dele.
 
Se há uma conclusão a ser tirada de “Em busca de sentido”, é que o amor é o nosso maior objetivo possível. É uma conclusão apoiada não só por inúmeros testemunhos individuais, mas também pelo Harvard Grant Study, que acompanhou a vida de 268 estudantes de Harvard, todos homens, coletando dados em intervalos regulares ao longo de décadas. O diretor do estudo, George Vaillant, disse que esse trabalho revelou dois pilares básicos da felicidade: “Uma é o amor. A outra é encontrar uma forma de lidar com a vida que não deixe o amor de fora”.
 
Frankl acredita que optar pelo riso e pelo senso de humor nos ajudar a “elevar-nos em qualquer situação”. E Frankl queria mesmo dizer “qualquer” situação. Ele conta, por exemplo, que os prisioneiros de Auschwitz encontravam pequenos momentos de descontração nos quais contavam piadas e riam juntos.
 
“O esforço por desenvolver o senso de humor e ver as coisas em uma perspectiva bem-humorada é um truque que se aprende enquanto se aprende a arte de viver”, escreve Frankl. “E é possível praticar a arte de viver mesmo num campo de concentração, onde o sofrimento é onipresente.”
 
Frankl lamentou que a sociedade moderna tenda a se orientar para o “resultado”, que desvaloriza quem não é necessariamente tão “bem sucedido e feliz” quanto os outros. Seu conselho para viver uma vida feliz (e bem sucedida) é não perseguir o sucesso, mas dedicar-se a algo maior que si mesmo e deixar que o sucesso venha como consequência inevitável dessa dedicação.
 
Em seu prefácio à edição de 1992, Frankl implorou que o leitor seguisse a sua consciência acima de tudo:
 
“Não almeje o sucesso. Quanto mais você o almejar e fizer dele um alvo, mais você se afastará dele. O sucesso, assim como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só acontece como efeito colateral da sua dedicação pessoal a uma causa maior do que você mesmo ou como subproduto da sua entrega a uma pessoa que não é você mesmo. A felicidade deve acontecer, e o mesmo vale para o sucesso: você deve deixá-la acontecer em vez de se preocupar com ela.”
sources: The Huffington Post

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Lumem Fidei.4 - Uma Luz a descobrir

           
Sob quais paradigmas estamos pautando a nossa vida? Quais as referências que temos utilizado em nossas escolhas e opiniões? Neste número, o Papa Francisco nos lembra que  “a luz da fé é capaz de iluminar toda a existência da humanidade”, e como diz Monsenhor Jonas, toda quer dizer toda. A existência de outras luzes menores é sim uma possiblidade em nossa vida, mas estas, nunca deverão suplantar a Luz maior que é Cristo. Por Ele e no seu amor, somos convidados a descortinar uma plenitude de significância em nossa existência temporal. A luz da fé, percebemos os verdadeiros caminhos que, enquanto cristãos, devemos percorrer.


4. Por isso, urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um carácter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provém do passado: é a luz duma memória basilar — a da vida de Jesus –, onde o seu amor se manifestou plenamente fiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos atrai de além da morte, a fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso « eu » isolado abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas. Dante, na Divina Comédia, depois de ter confessado diante de São Pedro a sua fé, descreve-a como uma « centelha / que se expande depois em viva chama / e, como estrela no céu, em mim cintila ». [4] É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o homem vive particularmente carecido de luz.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Lumen Fidei.3 - Em que caminho está a nossa vida?

Com uma controversa ação interpretativa, há uma substancial deturpação de significados:

ü  O que conduz as trevas é compreendido como “caminho de luz”, ou seja, a razão e a percepção sensorial, como meios de plenificação da essência humana em seu caminho existencial.

ü  E o que conduz a Luz Maior, a Luz das luzes, de origem e longevidade eterna, é compreendido como um caminho de alienação, de um vazio de sentido ou como fruto da ilusão individual.


A questão que se coloca portanto, no horizonte desta reflexão é a seguinte: quem está a percorrer o caminho verídico? Nesta matéria ajudar-nos-á o Santo Padre: “Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direção.”

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lumen Fidei.2 - Uma luz ilusória?

Aqui no número 2 do documento Lumen Fidei, surge a inquietante pergunta: Afinal, como podemos entender a fé? Ela nos lança no mundo da Verdade, para além das aparências sensoriais, ou pelo contrario, subtrai de quem a cultiva a busca da racionalidade existencial própria e característica do homem? Haveria espaço dentro de um ser, para a coexistência pacífica entre a fé e a “verdade”, como prenunciada por Nietzsche? Ou tal situação seria impraticável, pois uma anularia a outra? Para nós, dentro de nossa existencialidade, tendo por parâmetro a vida prática, qual tem sido a nossa busca: pela alma e felicidade ou pela “verdade” posta pelo mundo, do sensorial, concreto e palpável?

Um abraço.
Christian Moreira

Membro da Comunidade Canção Nova 


2. E contudo podemos ouvir a objecção que se levanta de muitos dos nossos contemporâneos, quando se lhes fala desta luz da fé. Nos tempos modernos, pensou-se que tal luz poderia ter sido suficiente para as sociedades antigas, mas não servia para os novos tempos, para o homem tornado adulto, orgulhoso da sua razão, desejoso de explorar de forma nova o futuro. Nesta perspectiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o homem de cultivar a ousadia do saber. O jovem Nietzsche convidava a irmã Elisabeth a arriscar, percorrendo vias novas (…), na incerteza de proceder de forma autónoma ». E acrescentava: « Neste ponto, separam-se os caminhos da humanidade: se queres alcançar a paz da alma e a felicidade, contenta-te com a fé; mas, se queres ser uma discípula da verdade, então investiga ».[3] O crer opor-se-ia ao indagar. Partindo daqui, Nietzsche desenvolverá a sua crítica ao cristianismo por ter diminuído o alcance da existência humana, espoliando a vida de novidade e aventura. Neste caso, a fé seria uma espécie de ilusão de luz, que impede o nosso caminho de homens livres rumo ao amanhã.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lumen Fidei.1 - Jesus é a Luz que dissipa toda a Treva

            

           Atento as necessidades de nosso tempo e aos desafios pelos quais os crentes atravessam no mundo hodierno, o santo padre, Papa Francisco escreve sobre a Fé. Mas não somente sobre a fé, enquanto comportamento, postura filosófica ou teológica, mas como fonte de luz. Ou ainda mais, sobre como a fé deve ser para cada um dos cristãos católicos, a referência, o paradigma, o norte pelo qual deve-se referendar suas escolhas e decisões.
            
           É Jesus a luz que veio ao mundo e que dissipa toda treva. Apenas com ele nossa vida pode efetivamente deixar a superficialidade do efêmero e encontrar a sua essência no eterno.

É por conta disto, que iniciamos hoje essa coluna diária em nosso blog, sobre o documento do Papa Francisco, Lumen Fidei. Sempre transcreveremos um número do documento, seguido de uma breve reflexão. Esperamos desta forma, com o  auxílio do Espírito Santo, contribuir para que à Luz da Fé, com os olhos fixos em Jesus, possamos crer, para ver.

                                                                                  Um abraço Fraterno,

Christian Moreira
Membro da Comunidade Canção Nova

CARTA ENCÍCLICA
LUMEN FIDEI

DO SUMO PONTÍFICE
FRANCISCO  AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS
SOBRE A FÉ


1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apresenta, no Evangelho de João: « Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas » (Jo 12, 46). E São Paulo exprime-se nestes termos: « Porque o Deus que disse: "das trevas brilhe a luz", foi quem brilhou nos nossos corações » (2 Cor 4, 6). No mundo pagão, com fome de luz, tinha-se desenvolvido o culto do deus Sol, Sol invictus, invocado na sua aurora. Embora o sol renascesse cada dia, facilmente se percebia que era incapaz de irradiar a sua luz sobre toda a existência do homem. De facto, o sol não ilumina toda a realidade, sendo os seus raios incapazes de chegar até às sombras da morte, onde a vista humana se fecha para a sua luz. Aliás « nunca se viu ninguém — afirma o mártir São Justino — pronto a morrer pela sua fé no sol ».[1] Conscientes do amplo horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, « cujos raios dão a vida ».[2] A Marta, em lágrimas pela morte do irmão Lázaro, Jesus diz-lhe: « Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus? » (Jo 11, 40). Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ciclo Formativo: As sete ordens de Jesus - 2ª Ordem: "Levanta, toma teu leito e anda"

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Jornal espanhol ‘El País’ inventou história sem fontes, denuncia blogueiro, sobre Papa criar cardeal mulher.

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 Em uma publicação no seu site Contando Estrelas, o blogueiro católico Elentir advertiu que o jornal espanhol El País “já pode ler os seus pensamentos e convertê-los em notícia: fez isso com o Papa”, em referência à notícia publicada pelo jornal espanhol de que o Santo Padre estaria pensando em criar cardeal a uma mulher.
Na sua edição de 22 de setembro El País, assegurando que “não se trata de uma brincadeira”, publicou que está “passando pela cabeça” do Papa Francisco criar cardeal a uma mulher.
Elentir assinala que ao procurar dentro do texto da notícia a fonte de El País, não encontrou “nem rastro”.
“Nem o clássico ‘fontes de…’, nem nenhuma outra das fórmulas parecidas que a imprensa usa para penetrar qualquer tipo de intrigas”.
“Toda a notícia, se é que podemos chamar isto de notícia, parece uma mera manifestação dos desejos do seu redator, e não de fatos noticiáveis. O mais surpreendente é que uma ‘notícia’ redigida deste jeito foi reproduzida por outros meios… citando como fonte o jornal El País: o jornal peruano La República, o jornal mexicano El Universal, Peru 21 e Teletica de Costa Rica”. Também no Brasil a notícia foi divulgada por diversos meios de comunicação.
O blogueiro critica também que, na sua notícia sobre o Papa, o jornal espanhol desobedeceu às normas escritas em seu próprio livro de estilo sobre as fontes.
Com efeito, o livro de estilo de El País assegura que “as informações das quais dispõe um jornalista só podem ser obtidas por duas vias: a sua presença no lugar dos fatos ou a narração por uma terceira pessoa. O leitor tem direito a conhecer qual das duas possibilidades se corresponde com a notícia que está lendo”.
Para conseguir isso, diz o manual para os jornalistas de El País, “citar-se-á sempre uma fonte quando o jornalista não tenha estado presente na ação que transmite. Se a informação proceder de uma só pessoa, falar-se-á de ‘fonte’ em singular”.
Elentir assinalou que “tenho certeza de que há exemplares deste livro a disposição na redação, e como nem imagino a possibilidade de que El País seja capaz de inventar uma notícia, tenho que deduzir que esse jornal pode ler os pensamentos alheios”.
“E é que já vi esse jornal publicar uma foto falsa de Chávez, publicar como verdadeira uma entrevista falsa do Papa; propagar boatos alheios; chamar de ‘anticientíficos’ aqueles que consideram que um feto humano é um ser humano, para depois afirmar que as meninas abortadas são mulheres e que os fetos de tartarugas são tartarugas”.
“Mas inventar uma notícia colocando a mente do Papa como fonte? Pode ser que El País tenha perdido o sentido do ridículo em muitos sentidos, mas atribuir-se a faculdade de ler pensamentos já seria o fim da picada”.
Elentir assinalou que certamente “na redação de El País poderão nos dar uma explicação mais convincente, como por exemplo, que se reuniram com o Papa e Francisco resolveu confessar ao jornal anticatólico o que não disse para mais ninguém”.
“Em todo caso, pergunto-me se os capacetes de papel alumínio que faziam os protagonistas do filme ‘Sinais’ (2002) de M. Night Shyamalan servirão para fugir das possíveis faculdades adivinhatórias do jornal de (a editorial) PRISA”.
“Talvez tenhamos que recomendar ao Papa Francisco que se faça um para que os redatores de El País não achem que têm acesso aos seus pensamentos”, concluiu.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Igreja não anula um casamento validamente contraído e consumado, mas pode de­clarar nulo o matrimônio que haja sido contraído com impedimento dirimente.


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O Pe. Vitor Gropelli publicou um livro intitulado “A Cruz dos Recasados”1, em que aborda a situação das pessoas que, infelizes no seu casamento, vivem sós ou se unem a outrem sem a bênção de Deus. A obra é muito oportuna, pois oferece uma palavra de reconforto a tais pessoas e abre-lhes perspectivas geralmente pouco conhecidas. Com efeito; um casamento fracassado pode ter sido nulo em sua origem mesma  porque contraído com algum impedimento dirimente (anulante). Quando alguém julga que seu matrimônio se enquadra em algum dos casos de impedimento dirimente, pode procurar o tribunal eclesiástico e pedir a investigação da validade ou não de tal matrimônio.
Visto que o assunto é de grande atualidade, vão, a seguir, transcritas as páginas dos capítulos V e VI da obra atinente a problemática.
CAPITULO V
QUANDO O MATRIMÔNIO É NULO?
A Igreja, como também o direito civil, estabelece algumas condições para que o sacramento do matrimônio seja válido. Assim, há determinadas condições, chamadas juridicamente impedimentos dirimentes, que, quando ocorrem, tornam o ato da celebração sem efeito. Isso significa que, teoricamente, alguns casamentos são nulos ou inválidos apesar de terem sido celebrados com grande pompa e na frente de inúmeras testemunhas. O Código de Direito Canônico (CDC) chama impedimento dirimente o que impede que o matrimônio seja válido. Os cânones 1083-1094 são dedicados a essa matéria.
Quais são, então, os impedimentos que tornam nulo o casamento? Vamos apresentá-los de forma resumida para que todos os conheçam e possam tirar suas conclusões.
1) O impedimento dirimente da idade  (cânone 1083)
O homem que não tenha ainda 16 anos completos e a mulher an­tes que tenha 14 anos completos não podem contrair matrimônio válido. Não são raros os casos de adolescentes forçados a casar antes da idade impeditiva por terem tido uma suposta relação sexual. 
Portanto, as pessoas que foram vítimas desse crime e se casaram sem obter uma legítima dispensa do impedimento da idade devem saber que seu matrimônio nunca existiu como sacramento.
2) A impotência coeundi (sexual)   (cânone 1084)
Essa impotência consiste na impossibilidade física ou psíquica, quer relativa quer absoluta, de se ter uma relação sexual completa com o próprio cônjuge. Para que o ato se torne nulo  é  necessário que a impotência coeundi seja antecedente ao matrimônio e perpetua, relativa ou absolu­ta. A esterilidade não impede que o matrimônio seja válido.
3) A existência de outro matrimônio religioso   (cânone 1085)
Esse cânone afirma que “tenta invalidamente contrair matrimônio quem está ligado pelo vinculo de matrimônio anterior, mesmo que esse matrimônio não tenha sido consumado”. Isso porque o matrimônio validamente celebrado é indissolúvel e dura até a morte de um dos côn­juges. Já encontrei uma pessoa que admitiu ter casado três vezes na Igreja sem se ter dado conta da lei da Igreja. Falou-me isso tendo ao lado a terceira esposa enquanto me perguntava: “O que devo fazer, agora?”
As duas esposas anteriores estavam vivas e, possivelmente, casadas com outros.
Como isso aconteceu? Creio que por falta de diligência na hora de pedir a certidão de batismo ou de registrar nela o casamento acontecido. De fato, no registro dos batizados deve ser anotado o casamento acon­tecido para evitar que alguém minta e case de novo. As vítimas desse engano são vítimas também da pouca solicitude de nossas secretarias paroquiais.
Certa vez, alguém me alertou que um conhecido seu estava para casar de novo em outra cidade. Deu-me os dados do primeiro matrimonio e fui conferir nos livros da paróquia onde tinha sido celebrado. Levei um susto quando li que eu tinha sido o presidente da cerimônia a pedido do vigário. Tentei em vão tomar as providências do caso. A segunda es­posa conhecia os antecedentes do noivo? Não saberia dizer. Mais um matrimônio nulo.
4) Impedimento de disparidade de culto (cânone 1086)
Como prescreve o cânone 1086, é inválido o matrimônio entre duas pessoas, uma das quais católica, e outra não batizada, que tenha sido celebrado sem a devida dispensa do impedimento.
5) Impedimento da ordem sagrada (cânone 1087 e 1088)
E nulo o matrimônio de sacerdote, diácono celibatário e diácono permanente (cânone 1087) e de religiosos (as) ligados por voto público perpétuo de castidade (cânone 1088), que seja realizado sem a devida autorização (dispensa) da Igreja.
6) Impedimento de rapto (cânone 1089)
Se um dos dois é sequestrado (raptado) a fim de realizar casamento  não pode existir matrimônio enquanto permanecer a situação de rapto.
7) Impedimento de crime (cânone 1090)
É inválido o matrimônio de quem, “com intuito de contrair matrimônio com determinada pessoa, matar o cônjuge dessa pessoa ou o próprio cônjuge” (cânone 1090). Isso, infelizmente, não é fantasia, pois já aconteceu várias vezes. A dispensa desse impedimento só pode ser concedida pela Santa Se”.
8) Impedimento de consanguinidade  (cânone 1091)
É absolutamente nulo o matrimônio entre pais e filhos, avós e ne­tos e irmãos e irmãs. Sem a devida dispensa da Igreja, é nulo também o matrimônio entre tios e sobrinhos e entre primeiros primos, quer dizer, quando um ou os dois pais de um noivo são irmãos de um ou dois pais do outro.
9) Impedimento de afinidade (cânone 1092)
A afinidade é a relação existente entre os cônjuges validamente casados e os consangüíneos do outro. Este impedimento torna sempre inválido o matrimônio entre um dos dois e os ascendentes ou descen­dentes do outro. Quer dizer que os viúvos não podem casar validamente com sogro, sogra, enteado, enteada.
10) Impedimento de pública honestidade (cânone 1093)
É parecido com o impedimento de afinidade. Só que o impedimen­to de pública honestidade se dá quando os dois convivem sem ter casa­dos (concubinato notório ou público) ou dentro de um matrimônio invalido. Nesse caso, não pode haver matrimônio válido entre o homem ou a mu­lher e eventuais filhos ou pais do companheiro.
11) Parentesco legal  (cânone 1094)
É nulo o casamento entre o adotante e o adotado ou entre um des­tes e os parentes próximos do outro.
Além dos impedimentos, outras circunstâncias colaboram para que o matrimônio não seja válido.
12) Falta de consentimento (cânone 1095)
Assim reza o cânone 1095:
“São incapazes de contrair matrimônio: 1-os que não tem suficien­te uso da razão; 2- Os que tem grave falta de discrição de juízo a respeito dos direitos e obrigações essenciais do matrimônio, que se devem mutu­amente dar e receber; 3-os que são incapazes de assumir as obrigações essenciais do matrimônio, por causa de natureza psíquica”.
As circunstâncias previstas por este cânone são mais freqüentes do que se magma. São elas que mais aparecem nos tribunais eclesiás­ticos quando se dá entrada ao processo para a declaração de nulidade.
13)  A ignorância a respeito da essência do matrimônio (c. 1096)
O cânone 1096 define como desconhecimento da essência do ma­trimônio o do “consórcio permanente entre homem e mulher, ordenado a procriação da prole por meio de alguma cooperação sexual”.
14)  O erro de pessoa (cânone 1097)
Isso se dá quando alguém pensa que esta casado com urna pes­soa, quando na realidade se trata de outra.
15) O dolo perpetrado (cânone 1098)
Isso acontece quando alguém é enganado por dolo perpetrado por outro, a fim de “obter o consentimento matrimonial, a respeito de alguma qualidade” pessoal que não existe, cuja falta “possa perturbar gravemen­te o consórcio da vida conjugal”.
16)  Alguma condição negativa (cânone 1102)
A exclusão voluntária e consciente de filhos ou a firme vontade de não viver até a morte o matrimônio o torna inválido.
17) Medo e violência (cânone 1103)
Reza o cânone 1103:
“É inválido o matrimônio contraído por violência ou por medo grave proveniente de causa externa, ainda que não dirigido para extorquir o consentimento, quando, para dele se livrar, alguém se veja obrigado a contrair o matrimônio”.
Assim, como foi possível constatar, os casos ou as circunstâncias que podem tornar nulo o matrimônio são muitos e complexos. Por isso, um aprofundamento dirigido poderá ajudar os casais a sanar os erros e a recuperar a liberdade sacrificada num casamento inválido ou nulo. É opor­tuno divulgar o que a Igreja diz a respeito de casamento nulo para dar condição aos fiéis de discernir o que devem fazer para poder alcançar a declaração de nulidade do primeiro matrimônio