segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bento XVI: Cristãos, sal e luz para o mundo Hoje durante a oração do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!
No Evangelho deste domingo, o Senhor Jesus diz a seus discípulos: “Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Mediante estas imagens cheias de significado, Ele quer transmitir-lhes o sentido de sua missão e de seu testemunho. O sal, na cultura do Oriente Médio, evoca diversos valores como a aliança, a solidariedade, a vida e a sabedoria. A luz é a primeira obra de Deus Criador e é fonte da vida; a própria Palavra de Deus é comparada com a luz, como proclama o salmista: “Lâmpada para meus passos é tua palavra e luz no meu caminho” (Sal 119, 105). E de novo na Liturgia de hoje, o profeta Isaías: “se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia” (58,10). A sabedoria resume em si os efeitos benéficos do sal e da luz: de fato, os discípulos do Senhor são chamados a dar novo “sabor” ao mundo, e a preservá-lo da corrupção, com a sabedoria de Deus, que resplandece plenamente sobre o rosto do Filho, porque Ele é a “luz verdadeira que ilumina cada homem” (Jo 1, 9). Unidos a Ele, os cristãos podem difundir em meio às trevas da indiferença e do egoísmo a luz do amor de Deus, verdadeira sabedoria que dá significado à existência e à atuação dos homens.
No próximo dia 11 de fevereiro, memória da Beata Virgem de Lourdes, celebramos o Dia Mundial do Doente. Esta ocasião é propícia para refletir, para rezar e para fazer crescer a sensibilidade das comunidades eclesiais e da sociedade civil para com os irmãos e irmãs enfermos. Na Mensagem para este Dia, inspirado em uma frase da Primeira Carta de Pedro: “Por suas feridas fostes curados” (2, 24), convido todos a contemplar Jesus, o Filho de Deus, que sofreu, morreu, mas ressuscitou. Deus se opõe radicalmente à prepotência do mal. O Senhor cuida do homem em cada situação, partilha o sofrimento e abre o coração à esperança. Exorto, portanto, todos os agentes de saúde, a reconhecer no doente não só um corpo marcado pela fragilidade, mas antes de tudo uma pessoa, a quem dedicar toda solidariedade e oferecer respostas adequadas e competentes.
Neste contexto recordo, além disso, que hoje se celebra na Itália o “Dia pela Vida”. Desejo que todos se comprometam em fazer crescer a cultura da vida, para colocar no centro, em qualquer circunstância, o valor do ser humano. Segundo a fé e a razão, a dignidade da pessoa é irredutível a suas faculdades ou às capacidades que possa manifestar e, portanto, não diminui quando a própria pessoa é frágil, inválida e necessitada de ajuda.
Queridos irmãos e irmãs, invoquemos a intercessão maternal da Virgem Maria para os pais, avós, professores, sacerdotes e para todos que trabalham na educação, para que possam formar as jovens gerações na sabedoria do coração, para que cheguem à plenitude da vida.


CIDADE DO VATICANO, domingo, 6 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a seguir as palavras que Bento XVI pronunciou hoje ao introduzir o Angelus com os peregrinos reunidos na praça de São Pedro. 
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[Traduzido por ZENIT ©Libreria Editrice Vaticana]

Mensagem do Dia

"Há alegrias tão sublimes e sofrimentos tão profundos que é difícil expressá-los com palavras." (Padre Pio de Pietrelcina)

Homilia Diária - 07/02/2011 - "O POVO LOGO RECONHECEU JESUS Mc 6,53-56"

Sacerdote: O Senhor esteja convosco!
Todos: Ele está no meio de nós!
Sacerdote: Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São…
Todos: Glória a Vós Senhor
Jesus e os discípulos atravessaram o lago e chegaram à região de Genesaré, onde amarraram o barco na praia. Quando desceram do barco, o povo logo reconheceu Jesus. Então, eles saíram correndo por toda aquela região, começaram a trazer os doentes em camas e os levavam para o lugar onde sabiam que Jesus estava. Em todos os lugares aonde ele ia, isto é, nos povoados, nas cidades e nas fazendas, punham os doentes nas praças e pediam a Jesus que os deixasse pelo menos tocar na barra da sua roupa. E todos os que tocavam nela ficavam curados.
Sacerdote: Palavra da Salvação!
Todos: Glória a Vos Senhor!
HOMILIA
Depois dos discípulos terem anuído ao convite do Mestre, abandonaram a casa de Simão e partiram para outras regiões da redondeza. E no Evangelho de hoje vemos os discípulos fazendo a travessia do mar agitado com seu próprio barco desembarcando em Genesaré e logo o povo reconhece Jesus.
O povo vai em massa atrás de Jesus. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconheceu Jesus e vai atrás dele. O que o move nesta busca de Jesus não é só o desejo de encontrar-se com ele, de estar com ele, mas também o desejo de obter a cura das suas doenças.
A salvação é dirigida a esta multidão formada por gentios e judeus marginalizados. São os moradores dos povoados, cidades e campos por onde Jesus andava, com seus discípulos. Jesus realiza a sua atividade, sobretudo entre as camadas mais sofredoras e abandonadas do povo, constituindo, praticamente, a única esperança dessa gente.
O enfoque é a presença física libertadora de Jesus. As curas são conseguidas com o toque, pelo menos na franja do manto dele. A doença generalizada é fruto das barreiras a exclusão.
A cura resulta da libertação da exclusão e é fruto da acolhida. Assim como, fisicamente, o pão foi partilhado, o mesmo vale para o corpo. A comunicação não se faz apenas pela palavra. Faz-se também pela partilha do corpo. A presença física, o toque, o abraço, o sorriso acolhedor, o olhar compreensivo e atento, a compaixão complementam a força comunicadora da palavra libertadora.
Desde o começo da sua atividade apostólica, Jesus anda por todos os povoados da Galiléia para falar ao povo sobre o Reino de Deus que estava chegando (Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar: nas sinagogas durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1,21; 3,1; 6,2); em reuniões informais nas casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49)! Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). O povo ficava admirado (Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e o procurava em massa.
Na raiz deste grande entusiasmo do povo estava, de um lado, a pessoa de Jesus que chamava e atraía, e, de outro lado, o abandono do povo que era como ovelha sem pastor (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só falava sobre Deus, mas também o revelava. Comunicava algo do que ele mesmo vivia e experimentava. Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. Nele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e sobretudo o testemunho, o gesto concreto.
Pela fé, todos nós esperamos e sonhamos com o Reino de Deus, como um novo tempo, onde não haverá dor nem lágrimas. Ao curar muitas pessoas, Jesus mostra que Deus reprova tudo o que faz o ser humano sofrer. Mergulhemos na certeza de que nossa missão é seguir os passos do Mestre para construir este “novo tempo”, entre nós.
Pai, que a misericórdia seja o traço característico do meu modo de ser no trato com os meus semelhantes, de maneira que eu possa atrair, como Jesus, muitas pessoas para ti.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Homilia Diária - 04/02/2011 - "Homens e mulheres, respeitemos a Lei de Deus!"


Não lhe é permitido ficar com a mulher de seu irmão. Permita, meu irmão, minha irmã:  Será que isso ainda acontece nos dias de hoje? Será que os homens que cobiçam ou desejam a mulher do amigo, do irmão, já não existem? Ver e admirar a beleza na mulher que acaba de passar é, até certo ponto, normal, natural, porque se você é homem isso faz parte da natureza. A beleza da mulher ou do homem deve levar você a louvar a Deus que fez as coisas boas e belas. Está no livro do Gênesis: Deus fez tudo bem e belo. Então é natural contemplar a beleza humana desde que esta contemplação nos leve a Deus. O que não é natural e correto é você não se controlar diante da exuberância e da beleza da mulher ou do marido de outra pessoa, e tentar conquistae essa pessoa. Isso é animalesco! Quando você passa por cima do fato de ela ser a mulher do seu irmão, ou de ele ser o marido da sua irmã e parte para planejar um modo de se aproximar dessa pessoa com o objetivo de possessão, aí está cometendo pecado contra um dos Dez Mandamentos que foram deixados por Deus Pai a Moisés.
Trata-se de um pecado grave, pois atinge várias conotações ou dimensões:  primeiro: Aquela mulher linda ou homem lindo e saudável não lhe pertence, mas sim pertence a outro (a), ao seu irmão ou a sua irmã em Cristo. Portanto, é pecado tirar qualquer coisa do seu (a) irmão (a), principalmente sua mulher amada ou marido; Segundo: Ao conquistar a mulher do próximo ou o marido da outra você destruiu um lar, uma família, fazendo infeliz os referidos filhos daquele casal. Terceiro: Você infringiu a Lei de Deus que diz: “O que Deus uniu, o homem não pode separar”. Quarto: Se você for casado (a), ou tem namorada (o), acabou de trair não só o marido daquela linda mulher, mais também traiu a sua esposa ou sua namorada, e destruiu duas famílias. Percebeu o estrago que você fez somente para satisfazer o seu instinto, o seu desejo, o seu egoísmo?
Até aqui nos referimos ou nos dirigimos ao homem, que cobiça a mulher ou o marido do próximo. Porém, como sabemos, existem não raros casos de mulheres que cobiçam, atraem e conquistam o marido da próxima. Sendo isso da mesma gravidade.
Como homens e mulheres devemos respeitar a Lei de Deus, vamos nos controlar diante das tentações, vamos respeitar aqueles que foram unidos no altar pelo representante de Deus na terra. Não vamos fazer o mal ao próximo e ,principalmente, trazer a infelicidade às crianças e adolescentes inocentes. Estamos falando dos filhos dos casais separados, aqueles que mais sofrem com as traições e com a separação dos pais.
Outro pormenor do Evangelho de hoje é que, na verdade, quem articulou a morte de João foram os poderosos da Galileia. Mas usaram Herodíades e sua mãe para executar o plano assassino. Trata-se da repressão do poder local contra as ações denunciadoras e libertadoras. A execução de João tem três significados: Primeiro: ironizar um rei que apesar de toda sua pompa, no fundo, não passava de um fraco. Também significou uma advertência aos discípulos de Jesus que estavam preparados para apresentar o Senhor como o Messias, o Filho de Deus, ou o próprio Deus. E em terceiro lugar: o martírio de João serviria para avisar, para assustar a todos, no sentido de que tomassem consciência de que tanto deste [João] como de Jesus, ninguém deveria esperar glória nem poder, mas um serviço humilde e divino, seguido de martírio.
A vida de João Batista foi uma preparação para que Jesus Cristo fosse aceito. Ele veio preparar os caminhos. Por outro lado, sua vida é muito parecida com a aventura de Jesus. Ambos anunciaram o Reino de Deus, foram perseguidos, contra eles houve a articulação dos poderosos, para tramar a morte de ambos, porém, em espaço de tempo seguido ou diferente. Também, igualmente, ambos permaneceram na mente do povo até hoje. Cristo mais além. Ele sendo o próprio Deus está presente de verdade em todos os lugares. Concluindo: O dom da vida não pertence aos poderosos, mas sim a Deus. Isso quer dizer que alguém por mais poderoso que seja não tem o direito de tirar a vida de outra pessoa. A vida pertence a Deus.
Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante, cumprindo minha missão de evangelizador e de dizer sempre a verdade. Ainda que isso me custe a vida como ocorreu com João Batista. É isso que vos peço, ó Pai do Céu. Dai-me força para não cair na tentação da beleza carnal.

Dom Zimowski: Papa pede nova atitude diante do sofrimento Apresentada a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

ROMA, quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 (ZENIT.-org) - A mensagem do Papa Bento XVI para o 19º Dia Mundial do Doente foi apresentada hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé.
Durante a apresentação do texto, intervieram, por parte do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, seu presidente, Dom Zygmunt Zimowski, o secretário, Dom José Luis Redrado, o subsecretário, Dom Jean-Marie Mpendawatu, e a Dra. Rosa Merola, consultora do dicastério e psicóloga no Instituto Penitenciário Romano de Rebibbia.
Com o lema "Pelas suas chagas fostes curados", o Papa convida a uma reflexão sobre o mistério do sofrimento; convida a sociedade a aceitar o sofrimento; os jovens, a compreendê-lo; e as autoridades, a investir mais em estruturas de saúde.
Nela, o Santo Padre afirma que, no Dia Mundial do Doente, querido por João Paulo II, é preciso sensibilizar "as nossas comunidades e a sociedade civil com relação aos doentes", a quem convida a ver "com olhos de esperança todos os males que afligem a humanidade", recordando, com São Bernardo, que "Deus não pode sofrer, mas sim compartilhar" o sofrimento com o homem.
O Papa partilha seu entusiasmo ao rezar diante do Santo Sudário de Turim e sua meditação "diante daquele rosto sofredor", que é "um convite à reflexão sobre o que São Pedro escreveu - ‘Pelas suas chagas fostes curados' - e sobre como, para os apóstolos e para nós, o sofrimento permanece repleto de mistério, difícil de aceitar e suportar".
AIDS e preservativo
Respondendo a uma pergunta sobre o preservativo, Dom Redrado lembrou que a doutrina da Igreja está muito clara no comunicado divulgado há algumas semanas pela Congregação para a Doutrina da Fé "e que, enquanto agentes de saúde, não há nada a acrescentar", explicou.
Por sua parte, Dom Mpendawatu recordou que, depois do estabelecimento de uma parceria prevista para maio, estão planejando publicar um "subsídio" pastoral para os agentes sanitários e comunidades cristãs, que trate globalmente do tema da AIDS, aspecto no qual "a Igreja está se empenhando intensamente".
Ele lembrou também que a carta aos agentes de saúde, publicada em 2005, é um código de conduta inteiramente válido para aqueles que trabalham no setor.
Dom Zimowski também afirmou que a ciência avança e apresenta novos problemas, que exigem atualização constante, bem como o esforço que se realiza nas 171 mil estruturas de saúde relacionadas à Igreja para cumprir sua tarefa.
Células-tronco e família
Dom Mpendawatu, por sua vez, quis recordar que a Igreja tem muitos médicos "envolvidos na pesquisa sobre células estaminais adultas e com bons resultados," enquanto os experimentos com células-tronco embrionárias não levaram a nada.
"A Igreja realiza um trabalho que não é filosófico, mas prático", acrescentou Dom Redrado, recordando, por exemplo, como, "apenas no hospital Fate Bene Fratelli, com suas 300 estruturas, foram atendidas em um ano 20 milhões de pessoas", isso sem contar os países da África ou o trabalho que a Igreja realiza lá.
A Dra. Rosa Merola, em contato direto com os presos, entre os quais se encontram muitos jovens, recordou como influencia negativamente os presos a falta de afeto, de figuras de referência, bem como a importância dos valores da família e da educação nos valores autênticos, para fazer que os próprios filhos cresçam e evitem males irreparáveis.
(Sergio Mora)

Liturgia da Palavra: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” V DOMINGO DO TEMPO COMUM - 06/02/2011 -Leituras: Is 58, 7 -10; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13 -16

Liturgia da Palavra: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

V DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Is 58, 7 -10; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13 -16
“Não vi nenhum templo nela (na nova Jerusalém), pois o seu templo é o Senhor, o Deus todo poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol ou da lua para iluminar, pois a glória de Deus a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21, 23)
O profeta do Apocalipse nos faz contemplar a santa cidade de Jerusalém que, no cumprimento escatológico da sua história, brilha da luz do próprio Senhor, e quase que se identifica com ele mesmo, partilhando do seu esplendor. Seus habitantes, resgatados pelo sangue do Cordeiro imolado e vivente, ficam em relação de total adesão ao próprio Senhor e irradiam a vida dele, sua glória e sua luz. A cidade dos homens coincide ao final com a cidade de Deus. O futuro prometido e esperado através de tantas promessas divinas, ansiedades e provações, está finalmente presente.
Até o símbolo mais sagrado da presença e do compromisso de Deus para com seu povo peregrino na história, o templo da Jerusalém terrestre, desaparece deixando o lugar à sua realidade, que é a presença de Deus penetrada na vida cotidiana do povo. Praças, ruas e lares coincidem com o templo, pois a vida dos habitantes da cidade santa corresponde à aliança para com Deus, e nesta correspondência entre vida e chamado de Deus realiza-se o verdadeiro culto ao Senhor. Ele é a luz que ilumina e orienta a vida dos habitantes da nova Jerusalém, e eles se tornam seu templo vivo.
No centro do “novo céu e da nova terra”, símbolo da renovação messiânica universal, preanunciada pelos profetas (Is 65,17) e realizada plenamente em Cristo, abrangendo pessoas e a criação inteira, está a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro, enfeitada por ele mesmo para a festa das núpcias. O ideal do êxodo é finalmente atingido: “Vi também descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Jerusalém nova, pronta como uma esposa que se enfeitou para seu marido” (Ap 21, 2).
Sonhos, fantasias? Fuga da ambígua e dura realidade do presente, à procura de consolo no imaginário? Quanta luz, esperança e força interior, projeta no precário caminho da história presente do povo de Deus esta visão da fé que antecipa a realidade escatológica que agora fica escondida no ventre materno da própria história! Ao longo dos séculos, ideologias filosóficas e políticas, e até intuições religiosas, não pouparam esforços para propor perspectivas de justiça, harmonia e paz que respondessem ao profundo anseio humano de plenitude da vida e da felicidade. Promessas messiânicas de auto-salvação. Com certeza algumas delas ajudaram numa certa medida o homem a fazer um trecho do caminho, mas muitas vezes falharam ao alcançar o objetivo principal prometido, e se transformaram em novas formas de escravidão humana e espiritual. É suficiente lembrar a dramática história do século vinte e das suas principais ideologias!
Mas mesmo as práticas religiosas não conseguem escapar ao risco da ilusão, - nos admoesta o profeta Isaías (1 leitura) - quando a elas não corresponde uma vida que assuma os horizontes e o estilo de Deus, que é a prática da justiça, o cuidado pelos necessitados e a dedicação em favor dos mais frágeis. “Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então brilhará tua luz como aurora.... a frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá” (Is 58,7-8). “O caminho do justo – canta a LH do comum dos santos homens - é uma luz a brilhar: vai crescendo da aurora até o dia mais pleno”.
Uma vida que se deixa inspirar pelo estilo de Deus, é um caminho de profunda experiência da presença transformadora de Deus e de libertação. Ela está em continuidade com a saída do povo de Deus do Egito, quando o próprio Senhor guiava no deserto seu caminho para a terra prometida com a nuvem de dia e com a coluna de fogo de noite (cf. Ex 13,21). O dom da aliança e da Torá, deviam tornar permanente a luz oferecida por Deus, para guiar o povo na estrada da felicidade e da vida e construir uma sociedade digna dos filhos e das filhas de Deus.
É impressionante o oráculo, cortante como uma espada, de todo o capítulo 58 de Isaías, o qual destaca a contradição em que vivem os chefes e o povo no que diz respeito à aliança e à Torá. Reclama a interiorização das práticas religiosas, segundo o espírito da aliança, como já tinham admoestado os grandes profetas antecedentes. A trágica experiência do exílio tinha colocado a nu a inconsistência de uma religiosidade, satisfeita com os aspectos exteriores, mas desprovida de autêntica experiência de Deus e de compromisso solidário com os irmãos. Da experiência do exílio nasce em Israel uma nova espiritualidade profundamente renovada.
Talvez, na misteriosa Providência divina, nós também hoje tenhamos de tirar proveito da experiência purificadora da secularização da sociedade contemporânea, como o Israel do exílio, para abrir os olhos sobre a fragilidade de uma religiosidade às vezes superficial, e abrir os ouvidos à voz do Espírito, para fundamentar nossa fé em maneira mais profunda e coerente.
A mensagem do profeta antecipa as cortantes posições do Novo Testamento: Jesus identifica a si mesmo com os necessitados (cf. Mt 25, 40 ), Paulo, enraíza a exigência de um novo estilo de vida dos discípulos na experiência pascal de Jesus através do batismo (cf. Rm 12, 1-2; Cl 3, 1-4). Thiago reivindica a caridade operosa como sinal da autenticidade da fé (cf. 2, 14-17), assim como João vai repetindo nas suas cartas que “Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 3, 8).
A Igreja está plenamente consciente que o dinamismo transformador e iluminador vem do próprio Senhor. É a razão porque cada ano continua celebrando, em maneira nova, o mistério da luz de Cristo que brilha nas trevas e ilumina o caminho da humanidade. Toda a liturgia do Tempo de Natal-Epifania foi uma proclamação e uma celebração desta fé, feita com riqueza de textos bíblicos e litúrgicos, de cantos e ritos, e de alegria. Qual energia divina esta liturgia libertou dentro de nós? Quais compromissos ela suscitou, nos quais consiga irradiar-se a luz que nos atingiu?
“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz... Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade...” (Is 9, 1-6). As luzes que iluminaram as igrejas assim como as pequenas capelas das comunidades, e mesmo os arranjos luminosos das ruas das cidades e dos lares familiares, não deveriam apagar-se no vencimento da programação dos dias festivos.
A Igreja está ciente de quão complicado seja o coração do homem e da mulher. A celebração da luz manifestada na fragilidade da carne de Jesus se faz uma invocação, para que ela nos acompanhe além da festa do Natal: “Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu sua plenitude” (Natal- Missa da noite, Oração do dia).
Ter os olhos fixos para Cristo, verdadeira luz, nos proporciona a capacidade de julgar e gozar em maneira correta das tantas luzes que hoje brilham no caminho dos homens e das mulheres, mesmo fora do tempo das festas natalinas.
Luzes que deixam brilhar o amor de quem tem cuidado com ternura dos que estão na dor, no abandono, no desespero, fora dos holofotes da publicidade, escondidos nos apartamentos, nos hospitais, nas sombras obscuras das ruas super-iluminadas da cidade.
Luzes dos escritórios e das lojas, acesas sem interrupção, testemunhas mudas do homem que fica empenhado sem parar na construção do próprio presente e do próprio futuro com suas próprias mãos.
Luzes que às vezes se apresentam como alternativas definitivas na busca do sentido e da felicidade da vida, nos brilhantes shopping centers, as novas “catedrais” das metrópoles modernas, que atraem multidões ao novo culto da cobiça pelas mercadorias de todo tipo, expostas com abundância nas vitrines.
Luzes e sombras, autenticidade e aparências, se misturam no dia a dia e parecem refletir-se umas nas outras. Babilônia e Jerusalém se cruzam. Somente o olho dos que “vivem na luz” do Senhor pode distinguir uma da outra e ajudar a cidade dos homens a tornar-se um pouco mais cidade de Deus desde já, na medida em que se torna mais autenticamente humana.
A afirmação de Jesus no evangelho de hoje,“Vos sois a luz do mundo... assim também brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus...” (Mt 5,14.16), pressupõe a experiência da autêntica relação pessoal com Cristo, a qual fundamenta o testemunho: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Essa relação transforma a pessoa e permite ao discípulo assumir os mesmos pensamentos e as mesmas atitudes de Jesus na própria vida. O processo da relação com Jesus, origem de luz verdadeira, coincide com o processo de conversão ao Senhor, conversão que jamais se poderá dizer plenamente terminada.
Se faltar esta experiência transformadora e luminosa do Senhor, onde o discípulo poderá haurir e partilhar o “sabor do sal” da vida cristã?
A Igreja do Concílio Vaticano II fez a escolha de voltar a confrontar-se e a mergulhar-se novamente na relação com Cristo, seu Senhor, “Luz dos povos”, para tornar-se mais capaz de irradiar a boa-nova do amor do Pai, para os homens e as mulheres do mundo contemporâneo (Constituição Lumen Gentium 1). Convida-nos a entrar no mesmo processo. Convida-nos a pegar nas mãos, com renovada consciência, a vela que recebemos no batismo, acendida no círio pascal, para que nos ponhamos a caminho, nesta que é uma vigília pascal que não acaba nunca, caminhando juntos com nossos irmãos e irmãs. Ninguém deveria se subtrair a esta humilde e fascinante peregrinação noturna, que nos encaminha rumo à luz plena e definitiva da Jerusalém celeste.
“Nada mais frio do que um cristão que não se preocupa com a salvação dos outros.... Cada um de nós tem a possibilidade de ajudar ao próximo, se quiser cumprir os seus deveres.... Se o fermento, misturado à farinha, não fizer crescer a massa, terá tido fermento verdadeiro? Se o perfume não espalhar sua fragrância, ainda o chamaremos perfume? Não digas que és incapaz de influenciar os outros. Se fores cristão, é impossível que não o faças” (São João Crisóstomo, Homilia 20,4; LH, Comum dos Santos Homens).



SÃO PAULO, quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – V do Tempo Comum Is 58, 7 -10; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13 -16 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.  
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Mensagem do Dia

"Abrace sua cruz serenamente. Não digo com alegria; mas com decisão e confiança." (Padre Pio de Pietrelcina)

Catequese do Papa: perfeição cristã segundo Santa Teresa de Ávila Intervenção na audiência geral de hoje

Queridos irmãos e irmãs:
Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.
E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento "de pais virtuosos e tementes a Deus", em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): "Eu quero ver Deus", disse a pequena aos seus pais. Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que "tudo o que pertence a este mundo passa"; por outro, que só Deus é para "sempre, sempre, sempre", tema que recupera em seu famoso poema: "Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!". Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida1,7).
Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila. Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: "Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado" (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de "um Cristo muito ferido" marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9). A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das "Confissões", descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: "Aconteceu que...de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n'Ele" (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.
Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: "No final, morro como filha da Igreja" e "Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos". Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada "Doutora da Igreja" pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do "Caminho de Perfeição"), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada "Livro da Vida", que ela chama de "Livro das Misericórdias do Senhor". Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do "Mestre dos espirituais", São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor. É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o "Caminho da perfeição", chamado por ela de "Admoestações e conselhos" que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração. A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o "Castelo Interior", escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete "moradas", como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no "Cântico dos Cânticos", para o símbolo final dos "dois esposos", que permite descrever, na sétima "morada", o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o "Livro das fundações", escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.
Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do "Cântico dos Cânticos", com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.
A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa "tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama" (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira "mistagogia": ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.
Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiaefrente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a "Santa Igreja Católica Romana" e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).
Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da "plenitude" de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do "Castelo Interior", na última "morada", Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.
Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais, Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.
Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: "Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida". Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,
Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: "O livro da Vida"; "Caminho da perfeição"; "Castelo Interior" e "O Livro das Fundações". Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.
Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.




CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.
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 [Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana]

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia 02 de Fevereiro - Dia do Compromisso

Mensagem do Dia

"Muitas vezes Deus não nos escuta para não nos tornar ainda mais ingratos." (Padre Pio de Pietrelcina)

Somos Intercessores - Formação Grupo Combatentes - 25.01.11

Caros irmãos e irmãs combatentes,

Estamos retomando as postagens de nossas formações semanais no Grupo Combatentes, que se reúne as terças -feiras na Casa de Missão São José.

O ciclo temático que iniciamos baseia-se na obra do Monsenhnor Jonas Abib - Orando com Poder- Postamos aqui a segunda pregação cujo tema foi - Somos Intercessores- Realizada pela consagrada de vida na CN Ana Luiza.

Que Deus seja profícuo em nossas vidas.

Unidos em Cristo e na sua Igreja.


Christian Moreira.

O link é
http://somosintercessores.4shared.com

A beleza que não existe

Por Rodolfo Papa*
ROMA, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - O que é a beleza? Uma longa tradição filosófica refletiu sobre este tema, buscando a explicação sobre o que é, como os homens a conhecem, como a admiram, aprofundando na experiência comum, que é o ponto de partida de toda boa explicação.
Desta reflexão surge que a capacidade de admirar da beleza, natural ou artística, caracteriza-se por um "prazer" que reúne não somente os sentidos, mas toda a pessoa: emoções e paixões; razão e intelecto; trata-se de um prazer não destinado ao útil - portanto, um prazer pelo prazer: isso é uma vivência do prazer frente a qualquer coisa que se conhece, sem pretender comprá-la, possuí-la, modificá-la.
A beleza tem um vínculo particular com a vista. São Tomás de Aquino, com sua célebre afirmação - "Pulchrum est quod visum placet" (Summa Theologiae, I, q. 5, a. 4, ad 1um) -, indica que do belo importa a apreensão e, de forma especial, o deleite: o belo é "agradável ao conhecimento" (ibid., II-II, q. 27, a. 1, ad 3um), porque o belo exige ser "conhecido".
A beleza, além disso, tem características constantes, como a harmonia e a regularidade, que o próprio São Tomás afirma com a "integritas sive proportio", ou a certeza, na "debita proportio sive consonantia", ou na "claritas", ou no esplendor corpóreo ou espiritual: a beleza do corpo consiste em ter os membros bem proporcionados (debita proportio), com a luminosidade devida à cor (claritas). A beleza espiritual consiste no fato de que o comportamento e as ações de uma pessoa sejam bem proporcionados (proportio), segundo a luz da razão (claritas) (Ibid., I, q. 39, a. 8, resp.).
Esta definição da beleza, que alguns tacham de intelectualista, constitui a análise racional de experiência comum e geral: confirmando isso, existem diversas buscas de ordem psicológica e antropológica que confirmam como, desde crianças e independentemente da cultura, tende-se a reconhecer como belo e agradável o que é harmônico e proporcionado.
No entanto, nos últimos dez anos, foi-se consolidando uma concepção da beleza separada totalmente do conhecimento sensorial e racional, divorciada do prazer estético e da experiência comum. Trata-se precisamente de um "conceito" de beleza construído por alguns teóricos sem nexo algum com a realidade e com a visão.
Sobre a base deste pressuposto nasceram, ao mesmo tempo, diversas tipologias de arte, implicadas por esta esotérica concepção de beleza (beleza como ausência, como falta de harmonia, como algo estranho...). Nestes "objetos" não se chega a apreciar a beleza de nenhuma das maneiras, mas alguns adeptos destas obras dizem que a beleza está presente.
Acontecem então situações hilariantes, que a meu ver podem ser descritas pela fábula "A roupa nova do imperador", escrita por Hans Christian Andersen (1805 - 1875). A fábula conta a história de um imperador muito vaidoso que é enganado por dois ladrões que dizem ter um tipo de tecido tão belo que só os estúpidos não podem ver. Assim, eles enganam o imperador com um tecido inexistente, que ele finge ver e admira sua beleza, para não ser considerado estúpido. Pede aos ladrões que confeccionem uma roupa com esse tecido, e todos os dignatários da corte e os cidadãos fingem admirar o traje, pensando que não veem a beleza do tecido porque não são capazes de se deleitar. Só uma criança tem coragem de exclamar que o imperador está nu e só então as pessoas se sentem valentes para crer em seus próprios olhos e reconhecer que não viam nada.
Bem, frequentemente, passeando nas salas de muitos museus de arte contemporânea, veem-se muitos imperadores vaidosos, cortesãos e cidadãos, que fingem admirar uma beleza que parece estar reservada só a mentes superiores, até que alguém, com a inocência dos simples, tem a valentia de dizer que não há absolutamente nada.
* * *
* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborador em revistas.

Homilia Diária - 01/02/2011 - "JESUS NO TEMPLO Lc 2,22-40!"



Todos: Ele está no meio de nós!Sacerdote: O Senhor esteja convosco!
Sacerdote: Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São…
Todos: Glória a Vós Senhor
Chegou o dia de Maria e José cumprirem a cerimônia da purificação, conforme manda a Lei de Moisés. Então eles levaram a criança para Jerusalém a fim de apresentá-la ao Senhor. Pois está escrito na Lei do Senhor: “Todo primeiro filho será separado e dedicado ao Senhor.” Eles foram lá também para oferecer em sacrifício duas rolinhas ou dois pombinhos, como a Lei do Senhor manda. Em Jerusalém morava um homem chamado Simeão. Ele era bom e piedoso e esperava a salvação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele, e o próprio Espírito lhe tinha prometido que, antes de morrer, ele iria ver o Messias enviado pelo Senhor. Guiado pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais levaram o menino Jesus ao Templo para fazer o que a Lei manda, Simeão pegou o menino no colo e louvou a Deus. Ele disse: – Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz. Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos: uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel. O pai e a mãe do menino ficaram admirados com o que Simeão disse a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: – Este menino foi escolhido por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente em Israel. Ele vai ser um sinal de Deus; muitas pessoas falarão contra ele, e assim os pensamentos secretos delas serão conhecidos. E a tristeza, como uma espada afiada, cortará o seu coração, Maria. Havia ali também uma profetisa chamada Ana, que era viúva e muito idosa. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Sete anos depois que ela havia casado, o seu marido morreu. Agora ela estava com oitenta e quatro anos de idade. Nunca saía do pátio do Templo e adorava a Deus dia e noite, jejuando e fazendo orações. Naquele momento ela chegou e começou a louvar a Deus e a falar a respeito do menino para todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Quando terminaram de fazer tudo o que a Lei do Senhor manda, José e Maria voltaram para a Galiléia, para a casa deles na cidade de Nazaré. O menino crescia e ficava forte; tinha muita sabedoria e era abençoado por Deus.
Sacerdote: Palavra da Salvação!
Todos: Glória a Vos Senhor!
HOMILIA
No evangelho de hoje, nos é mostrado José e Maria, que formam uma família israelita comum, religiosa, que cumpre seus deveres e devoções. Seguindo a tradição cumprem o ritual de purificação da mãe e a apresentação de Jesus no templo: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor”. Jesus é consagrado ao Pai. José e Maria apresentaram Jesus como pobre, oferecendo um casal de rolinhas ou pombinhas, a menor das ofertas.
Lucas era muito inteligente e sabia bem o que escrevia. Repare que nesta passagem da apresentação do Jesus no templo, o evangelista insiste em mostrar como os pais de Jesus seguiam às leis, todavia, o mais importante são as profecias de Simeão. De fato, Jesus foi sinal de contradição, pois sempre seguiu às leis, todavia, foi Ele mesmo quem veio libertar o povo destas mesmas leis que oprimiam.
O filho de Deus é apresentado em Sua casa como pobre, um contraste com a riqueza do templo. No Templo encontram o velho Simão que fala maravilhas do menino Jesus: “luz para iluminar as nações”, luz que vinha de Deus pai, e de sua santidade, luz que nos libertada do pecado e da opressão. Jesus será aceito pelos excluídos e marginalizados da sociedade, e os poderosos e doutores da o rejeitarão, sendo então sinal de contradição O que foi dito de Jesus deixam José e Maria admirados. Jesus estava agora no Templo em comunhão do o Pai, a casa do Pai que também era sua casa. E o Filho voltará para restaurar a casa do Pai, agora descaracterizada, pois Deus é e será sempre o protetor dos pobres, como o foi Jesus em sua vida inteira.
Irmãos e irmãs, que Jesus, Maria e José, sejam para nós o modelo de família que é a imagem de Deus, sinal de amor entre Deus e a humanidade e da entrega Cristo a sua Igreja. Jesus nos é apresentado todos os dias, basta que percebamos seus sinais, mesmo nas pequenas coisas, encontramos sinais de Cristo. Percebendo seus sinais nos tornamos pessoas melhores, menos egoístas, mais humanos, perdoando e sendo perdoados, sendo misericordiosos nos tornaremos luz na vida de alguém. Nos tornando luz para quem necessita, é sinal que nós acolhemos Jesus e seus ensinamentos, e que queremos nos libertar de nossos pecados. Não esquecendo que deixando nosso coração fechado para luz da vida de Cristo, este é principal caminho para nossa queda. E somos livres para escolher que caminho seguir o caminho da justiça que liberta, ou da injustiça que a morte a todos.
Maria nosso exemplo de mãe e missionária, em sua humildade aceitou e guardou em seu coração, tudo o que lhe foi dito no Templo. Protegeu o Filho, mas sabia que O estava criando para humanidade. Aprendamos de Maria tudo o que ela tem a nos ensinar.
Que Jesus seja a luz de nossas vidas, que possamos estar sempre a serviço do Reino, e nos consagremos inteiram. Confiemos em seu amor de Pai que nunca deixa um filho desamparado, mesmo quando achamos que fomos por ele abanados, Ele estará aqui sempre perto, no consolando e protegendo.
Senhor Jesus, possa eu aprender de ti e de tua família a obediência ao Pai e o serviço humilde à humanidade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Deus precisa de cada um de nós, afirma Papa Ao receber em audiência a comunidade do Pontifício Colégio Etíope

Esta foi a mensagem do Papa Bento XVI, no sábado passado, ao receber em audiência a comunidade do Pontifício Colégio Etíope do Vaticano.
Em seu discurso, o Pontífice recordou aos sacerdotes e seminaristas que Cristo "não suprime as qualidades características da pessoa, mas a eleva, enobrece e, tornando-a sua, chama-a a servir seu mistério e sua obra".
"Apesar do caráter próprio da vocação de cada um, não estamos separados entre nós: estamos unidos, em comunhão num corpo espiritual", acrescentou.
"Somos chamados a formar o corpo de Cristo, uma unidade recapitulada no Senhor, vivificada pelo seu Espírito." Da mesma forma, continuou, "Cristo é inseparável da Igreja, que é o seu corpo".
"É na Igreja que Cristo se une mais aos batizados e, alimentando-os com a Santa Comunhão, torna-os partícipes de sua vida gloriosa."
Exemplo
O Papa quis falar da "figura luminosa de Justino de Jacobis" (1800-1860), de quem se comemorou o 150º aniversário de falecimento em 31 de julho passado. São Justino, beatificado em 25 de junho de 1939, foi canonizado pelo Papa Paulo VI em 26 de outubro de 1975.
"Enviado, aos 38 anos, pelo então prefeito de Propaganda Fide, cardeal Franzoni, como missionário para a Etiópia, em Tigray, ele trabalhou primeiro em Adoia e depois em Gouala, onde imediatamente pensou em formar sacerdotes etíopes - disse o Santo Padre. Com zelo pelo seu ministério, trabalhou incansavelmente para fazer com que aquela parte do povo de Deus reencontrasse o fervor original da fé, semeado primeiro pelo evangelizador São Frumêncio."
Especificamente, "intuiu com discernimento que prestar mais atenção ao contexto cultural seria uma maneira privilegiada através da qual a graça de Deus formaria novas gerações de cristãos".
"Deveis despertar em cada pessoa o amor a Deus e à Igreja, seguindo o exemplo de São Justino de Jacobis", afirmou Bento XVI aos sacerdotes e seminaristas do Colégio Etíope.
"Vivei com alegria e dedicação este período importante da vossa formação"; "caminhai com decisão pelo caminho da santidade", acrescentou. "Sois um sinal de esperança, especialmente para a Igreja dos vossos países de origem."


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - "Deus também precisa de cada um de nós para ‘demonstrar aos tempos futuros a imensa riqueza da sua graça pelo amor que nos tem em Cristo Jesus'."

Homilia Diária - 01/02/2011 - "Seja firme na fé!"



O Evangelho de hoje narra a realização de dois grandes milagres: a cura da mulher que tinha uma hemorragia havia 12 anos, e a “reanimação” de uma menina de 12 anos que havia sido dada como morta. Além da repetição desses 12 anos nas duas histórias, existe outro fato em comum: a fé das pessoas envolvidas. E é sobre ela que iremos falar hoje.
“Não tenhas medo. Basta ter fé”. Eis o segredo de 99% das pessoas que conseguem alcançar seus objetivos: elas têm fé. O 1% restante consegue seus objetivos por sorte, ou porque alguém conseguiu por ele(a). Ter fé implica acreditar em algo de forma a não haver espaço para dúvidas de que aquilo de que se tem fé seja real.
A multidão que seguia Jesus O comprimia, mas somente quem se aproximou d’Ele, quem O tocou, testemunhou a sua fé e recebeu a cura. Muitas vezes, seguimos Jesus no meio da multidão, sem ter consciência do que queremos, do que precisamos, tampouco conhecemos a realidade da nossa vida e das nossas necessidades. Queremos tudo e não conseguimos nada. Jairo, o chefe da sinagoga, aproximou-se de Cristo, caiu a Seus pés e foi determinado e firme quando disse ao Mestre: “Minha filhinha está nas últimas, vem e põe as mãos sobre ela!” Jesus deu ouvidos ao pedido daquele pai, que rogou pela filha com fé, e o acompanhou até a sua casa reanimando a menina que apenas dormia. “Não tenhas medo. Basta ter fé”, disse-lhe Jesus. Pedido de pai é importante para Deus! O pai que tem fé tem autoridade para pedir o que é bom para o seu filho, porque será atendido. Deus entregou os Seus filhos e as suas filhas aos pais, portanto, eles têm prioridade diante do Senhor nos seus pedidos.
A caminho da casa de Jairo, Jesus foi tocado por uma mulher que se consumia havia doze anos, perdendo sangue, isto é, perdendo vida. Devia ser uma mulher já cansada de lutar com os meios humanos, pois já havia gasto tudo o que possuía e não tinha mais nada. Muitas vezes, quando nós não temos mais nada nem mais aonde correr é que nós buscamos Aquele que é tudo. Por isso, aquela mulher se aproximou de Cristo com muita fé e apenas tocou-Lhe o manto dirigindo-se a Ele com a força do seu pensamento. Os nossos pensamentos são o começo para todo o processo que regula as nossas ações, por isso, a hemorragia parou imediatamente. Jesus precisa perceber que nós O buscamos e que O tocamos com os nossos pensamentos, com os nossos anseios. É muito importante que Ele alcance o nosso desejo sincero: Isto é ter fé! A hemorroíssa enfrentou a todos para tocar o Senhor. Não se importou em expor a sua enfermidade que, naquela época, era considerada uma maldição. Jesus também conhece quando nós O procuramos de coração, quando não temos dúvidas em expor as nossas mazelas, quando passamos vexames porque todos estão descobrindo os nossos segredos, porque temos fé! Que a fé, portanto, seja o nosso maior motivo para procurá-Lo.
Hoje Marcos nos mostra duas histórias de fé. No caso da mulher hemorroíssa, ela TINHA CERTEZA de que, se tocasse na orla do manto de Jesus, ficaria curada. E assim foi! No caso da menina de 12 anos, precisou da fé de seu pai, que insistiu e persistiu com Jesus, apesar de as pessoas dizerem que não adiantava mais, pois ela já estava morta. Cristo chamou os discípulos de confiança, os pais da menina, pegou na mão desta e pediu que ela se levantasse… e ela se levantou e se pôs a andar. Mais um milagre de fé. Se Jesus não tivesse certeza de que poderia fazer esse milagre, certamente não teria conseguido. Mas o Senhor não teve dúvidas, em momento algum, de que Ele era capaz de realizar aquele milagre. Podiam caçoar e zombar d’Ele à vontade… E é assim que devemos ser: firmes na fé!
Então, primeiramente, que tenhamos objetivos e metas para alcançar na vida, e saibamos que só iremos alcançá-los se nos comportarmos hoje como se já soubéssemos que é apenas uma questão de tempo e paciência, somados ao nosso esforço e a bênção de Deus, para conseguir alcançar o que desejamos. Deus faz a parte d’Ele, mas não irá fazer a nossa parte!
Você já tentou se aproximar de Jesus com fé e tocar no seu manto com os seus pensamentos? Você tem vergonha de expor diante da multidão as suas mazelas quando você se aproxima do Senhor? Você tem fé que Jesus pode curá-lo dos vícios que você carrega?
Pai, torna-me solidário com todas as vítimas da exclusão social, especialmente, as mulheres, a exemplo de Jesus que as libertou da opressão em que se encontravam.