quinta-feira, 5 de maio de 2011

Precisamos ser cheios do Espírito Santo


O que é ser batizado do Espírito Santo? Desde seu batismo, Deus está em você. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão em você. Mas não basta, pois é preciso que esse Deus, que está em você, venha à tona.

De que adianta você ter um poço e não tirar água dele? Da mesma forma, de nada adianta Deus estar em você se Ele não se manifestar em sua vida. O batismo no Espírito Santo é isso: o Espírito, que já está em você, vem à tona. Como disse Jesus: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,38b).

A partir do batismo no Espírito Santo, tudo começa a mudar! "Mandas teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra" (Sl 104,30).

Essa renovação da face da terra começa a partir da nossa renovação, dia após dia. Essa renovação é carismática, pois é feita com as armas mais poderosas de Deus: os carismas, os dons do Espírito Santo. É só abrir o livro dos Atos dos Apóstolos e veremos quantas maravilhas!

Por intermédio das mãos dos apóstolos as pessoas eram curadas de todos os tipos de doenças: cegueira, lepra... Por isso, multidões abraçavam a fé e vinham para Jesus. Como Ele, os apóstolos também faziam milagres. O maior de todos, porém, o grande milagre, era a transformação das pessoas.

Aqueles homens que levavam uma vida totalmente pagã, longe de Deus, reconheciam o Deus vivo e verdadeiro, reconheciam Jesus e se voltavam para Ele. A Palavra era anunciada e o Espírito Santo era derramado.

Esse é o propósito de Deus para cada um de nós. Não basta ser católico, ser padre ou religioso, ir à igreja e participar da Santa Missa. Também não basta ter um trabalho pastoral na paróquia. Aliás, para fazer tudo isso, e com eficácia, para que as pessoas sejam tocadas e transformadas, é preciso que cada um de nós seja cheio do Espírito Santo.

Ser batizado no Espírito Santo é isso: permitir que Ele, que já está em nós, realize os mesmo feitos que realizava nos primeiros cristãos, na Igreja primitiva. Permitir que o Ele nos transforme e nos renove.

Posso testemunhar: Deus está me transformando. Este é o primeiro passo. Mas, além disso, Ele está me usando nas pregações, para tocar as pessoas, para convertê-las e trazê-las para Jesus, curá-las e libertá-las. Ele me usa para afastar jovens das drogas, da prostituição e da vida errada, para unir famílias e levar palavras de sabedoria àqueles que delas precisam.

Nada sou. É Deus que me usa e faz de mim o que Ele quer. Esta é a consequência do batismo no Espírito Santo: Deus começa a nos usar com uma eficácia única, eficácia divina!

Na verdade, o Espírito Santo já está em você. A questão não é de merecimento ou grau de santidade, como pensam alguns. Você recebeu o Espírito Santo em seu batismo, em sua crisma. Com a terra acontece a mesma coisa: no fundo dela há veios, lençóis de água. É preciso perfurá-la até atingi-los. Logo que isso acontece, a água sobe com toda a força.

Para que aconteça o batismo no Espírito Santo, é preciso apenas perfurar a rocha que, infelizmente, se criou em cada um de nós. Quando a região onde está o Espírito Santo é atingida, Ele vem com toda a força. Foi o que aconteceu em Pentecostes.

(Trecho extraído do livro "O Espírito sopra onde quer" de monsenhor Jonas Abib
)

Homília Diária - 05.05.2011 - Acolher a Palavra que veio do céu


Mais uma vez estamos diante dos opostos, característicos de São João: céu e terra. Enquanto o homem Adão foi tirado da terra e por isso à terra pertence, o Homem Jesus vem do céu e por isso ao céu pertence. Suas palavras e ações são de onde Ele veio.
Neste texto de hoje, Jesus continua se dando a conhecer como sendo o único que veio do céu, que possui a vida e cuja Palavra supera todas as outras. Pois Ele somente fala do que viu e ouviu do Seu Pai, que está no céu. Quem aceita o Seu testemunho e crê n’Ele recebe o Espírito e tem a vida eterna, extraordinário e maravilhoso dom de Deus!
O evangelista nos convida, no dia de hoje, a olhar para Jesus acolhendo as Suas palavras e as transformando em um Evangelho vivo na nossa vida. Visto que são palavras de vida eterna. E se é verdade que fomos regenerados e renascidos na água e no fogo do Espírito – como diz São Pedro – devemos aspirar ao leite puro e espiritual, a fim de que por ele possamos crescer para a salvação.
Portanto, por Ele e n’Ele, toda a humanidade recebe – não por direito e por mérito, e sim por mera benevolência de Deus – a vida eterna, ontem, hoje e sempre!
Quem dera, meu irmão e minha irmã, se hoje ouvíssemos a Sua voz e não fechássemos os nossos corações, mas que os abríssemos profundamente para acolhermos a Sua Palavra e transformá-la no Evangelho vivo em nossa vida.
Acolhamos e acreditemos nas palavras d’Aquele que veio do céu. Pois em nenhum outro nome podemos ser salvos, senão no Nome de Jesus!
Padre Bantu Mendonça

Mensagem do Dia

"Onde entra Cristo ressuscitado, com Ele entra a verdadeira paz."
João Paulo II

Catequese do Papa: a oração em todas as épocas Intervenção na audiência geral de hoje


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 4 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.
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Queridos irmãos e irmãs:
Hoje eu gostaria de iniciar uma nova série de catequeses. Após as catequeses sobre os Padres da Igreja, sobre os grandes teólogos da Idade Média, sobre as grandes mulheres, eu gostaria de escolher agora um tema muito importante para todos nós: o da oração, de maneira específica a cristã, isto é, a oração que Jesus nos ensinou e que a Igreja continua nos ensinando. É em Jesus, de fato, em quem o homem se capacita para se aproximar de Deus, com a profundidade e a intimidade da relação de paternidade e de filiação. Junto aos primeiros discípulos, com humilde confiança, nós nos dirigimos agora ao Mestre e lhe pedimos: "Senhor, ensina-nos a orar" (Lucas 11, 1).
Nas próximas catequeses, aproximando-nos da Sagrada Escritura, da grande tradição dos Padres da Igreja, dos mestres de espiritualidade, da liturgia, queremos aprender a viver ainda mais intensamente nossa relação com o Senhor, quase uma "Escola de Oração". Sabemos bem que, de fato, a oração não se dá por garantida: é necessário aprender a rezar, quase adquirindo novamente esta arte; inclusive os que estão muito avançados na vida espiritual sentem sempre a necessidade de entrar na escola de Jesus para aprender a rezar com autenticidade. Recebemos a primeira aula do Senhor através do seu exemplo. Os Evangelhos descrevem Jesus em diálogo íntimo e constante com o Pai: é uma comunhão profunda, daquele que veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai, que o enviou para a salvação do homem.
Nesta primeira catequese, como introdução, eu gostaria de propor alguns exemplos de oração presentes nas culturas antigas, para revelar como, praticamente sempre e em todos os lugares, os homens se dirigiram a Deus.
No Antigo Egito, por exemplo, um homem cego, pedindo à divindade que lhe restituísse a vista, demonstra algo universalmente humano, como a pura e simples oração de petição de quem se encontra no sofrimento. Este homem reza: "Meu coração deseja ver-te... Tu, que me fizeste ver as trevas, cria a luz para mim. Que eu te veja! Inclina a mim teu rosto amado" (A. Barucq - F. Daumas, Hymnes et prières de l'Egypte ancienne, Paris 1980, trad. it. en Preghiere dell'umanità, Brescia 1993, p. 30).
Nas religiões da Mesopotâmia, dominava um sentimento de culpa arcano e paralisador, não carente de esperança da redenção e libertação por parte de Deus.
Podemos apreciar assim esta súplica por parte de um crente daqueles antigos cultos: "Ó Deus, que és indulgente inclusive com as culpas mais graves, absolve o meu pecado... Olha, Senhor, teu servo esgotado e sopra a tua brisa sobre ele: perdoa-o sem demora. Levanta teu severo castigo. Dissolvidos estes laços, permite que eu volte a respirar; rompe as minhas correntes, liberta-me das minhas ataduras" (M.-J. Seux, Hymnes et prières aux Dieux de Babylone et d'Assyrie, Paris 1976, trad. it. in Preghiere dell'umanità, op. cit., p. 37). São expressões que demonstram como o homem, em sua busca de Deus, intuiu, ainda que confusamente, por um lado a sua culpa, mas também aspectos de misericórdia e de bondade divinas.
Dentro da religião pagã da Grécia Antiga, assiste-se a uma evolução muito significava: as orações, ainda que continuem invocando ajuda divina para obter o favor celestial em todas as circunstâncias da vida cotidiana e para conseguir benefícios materiais, dirigem-se progressivamente a petições mais desinteressadas, que permitem ao homem crente aprofundar em sua relação com Deus e melhorar. Por exemplo, o grande filósofo Platão relata uma oração do seu mestre Sócrates, considerado justamente um dos fundadores do pensamento ocidental. Sócrates orava assim: "Fazei que eu seja belo por dentro. Que eu considere rico quem é sábio e que possua de dinheiro somente aquilo que o sábio possa tomar e levar. Não peço mais" (Obras I. Fedro 279c, trad. it. P. Pucci, Bari 1966). Ele queria ser sobretudo belo por dentro e sábio, não rico em dinheiro.
Naquelas obras-primas da literatura de todos os tempos, as tragédias gregas, ainda hoje, depois de vinte e cinco séculos, lidas, meditadas e representadas, há orações que expressam o desejo de conhecer a Deus e de adorar sua majestade. Uma delas diz assim: "Sustento da terra, que sobre a terra tens a tua sede, sejas quem for, é difícil de saber, Zeus, seja a tua lei por natureza ou por pensamento dos mortais, a ti me dirijo: já que tu, procedendo por caminhos silenciosos, guias as vicissitudes humanas segundo a justiça" (Eurípides, Troiane, 884-886, trad. it. G. Mancini, en Preghiere dell'umanitàop. Cit., p. 54). Deus continua sendo um pouco nebuloso e, no entanto, o homem conhece esse Deus desconhecido e reza Àquele que guia os caminhos da terra.
Também para os romanos, que constituíram aquele grande império no qual nasceu e se difundiu, em grande parte, o cristianismo das origens, a oração, ainda que se associasse a uma concepção utilitarista e fundamentalmente ligada à petição da proteção divina sobre a comunidade civil, abre-se, às vezes, a invocações admiráveis pelo fervor da piedade pessoal que se transforma em louvor e agradecimento. Disso é testemunha um autor da África romana do século II d.C., Apuleio. Em seus escritos, ele manifesta a insatisfação dos seus contemporâneos com relação à religião tradicional e o desejo de uma relação mais autêntica com Deus. Em sua obra-prima, intitulada "As metamorfoses", um crente se dirige a uma divindade feminina com estas palavras: "Tu és santa, tu és em todo tempo salvadora da espécie humana; tu, em tua generosidade, ofereces sempre auxílio aos mortais; tu ofereces aos miseráveis em aperto, o doce afeto de uma mãe. Nem dia nem noite, nem momento algum, por mais breve que seja, passa sem que tu o cumules dos teus benefícios" (Apuleio de Madaura, Metamorfosis IX, 25, trad. it. C. Annaratone, en Preghiere dell'umanitàop. cit., p. 79).
No mesmo período, o imperador Marco Aurélio - que também era um filósofo que pensava na condição humana - afirma a necessidade de rezar para estabelecer uma cooperação frutífera entre ação divina e ação humana. Ele escreve em suas "Lembranças": "Quem te disse que os deuses não nos ajudam também no que depende de nós? Começa a rezar-lhes e verás" (Dictionnaire de Spiritualitè XII/2, col. 2213). Este conselho do imperador filósofo foi, efetivamente, colocado em prática por inúmeras gerações de homens antes de Cristo, demonstrando que a vida humana sem a oração, que abre nossa existência ao mistério de Deus, fica sem sentido e privada de referências. Em toda oração, de fato, expressa-se sempre a verdade da criatura humana, que experimenta, por um lado, fraqueza e indigência e, por isso, pede ajuda ao céu; e por outro, está dotada de uma dignidade extraordinária, porque se prepara para acolher a revelação divina, descobre-se capaz de entrar em comunhão com Deus.
Queridos amigos, nestes exemplos de oração das diversas épocas e civilizações, surge a consciência do ser humano de sua condição de criatura e de dependência de Outro, que é superior a ele e fonte de todo bem. O homem de todos os tempos reza porque não pode fazer outra coisa a não ser perguntar-se qual é o sentido da sua existência, que permanece escuro e desconcertante quando não é colocado em relação com o mistério de Deus e do seu projeto sobre o mundo. A vida humana é uma mistura do bem e do mal, de sofrimento imerecido e de alegria e beleza, que, espontânea e irresistivelmente, nos conduz a pedir a Deus a luz e a força interior que nos socorra na terra e se abra a uma esperança que vai além dos confins da morte. As religiões pagãs continuam sendo uma invocação que da terra espera uma palavra do Céu. Um dos últimos grandes filósofos pagãos, que viveu já em plena época cristã, Proclo de Constantinopla, dá voz a esta espera, dizendo: "Insondável, ninguém te contém. Tudo que pensamos te pertence. São teus nossos males e nossos bens; de ti cada hálito nosso depende, ó Inefável, que nossas almas sentem presente, elevando-te um hino de silêncio" (Hymni, ed. E. Vogt, Wiesbaden 1957, en Preghiere dell'umanitàop. cit., p. 61).
Nos exemplos de oração das diversas culturas que consideramos, podemos ver um testemunho da dimensão religiosa e do desejo de Deus inscrito no coração de todos os homens, que se realiza completamente e chega à sua plena expressão no Antigo e Novo Testamentos. A Revelação, de fato, purifica e leva à sua plenitude o original anseio do homem de Deus, oferecendo-lhe, na oração, a possibilidade de uma relação mais profunda com o Pai celeste.
No início do nosso caminho na Escola de Oração, queremos agora pedir ao Senhor que ilumine nossa mente e nosso coração, para que a relação com Ele, na oração, seja sempre mais intensa, com carinho constante. E novamente lhe pedimos: "Senhor, ensina-nos a orar" (Lucas 11,1). Obrigado!
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:
Nas próximas catequeses, como se fossem uma "Escola da Oração", queremos aprender a viver mais intensamente o nosso relacionamento com o Senhor, abordando a realidade da oração na Sagrada Escritura, nos Padres da Igreja, nos mestres de espiritualidade e liturgia. De fato, até as pessoas mais adiantadas na vida espiritual sentem necessidade incessante de voltar à escola de Jesus. Na verdade, é em Jesus que o ser humano se torna capaz de abeirar-se de Deus com a profundidade e a intimidade próprias duma relação entre pai e filho. Nesta relação, encontra a sua forma perfeita e definitiva o desejo de Deus inscrito no coração de cada homem e mulher. Dão testemunho deste desejo universal as variadas orações presentes nas antigas culturas do Egito, Mesopotâmia Grécia e Roma. Nestes exemplos de oração, ressalta a consciência que o ser humano tem da sua condição de criatura e da sua dependência de Outrem que está acima dele e é a fonte de todo o seu bem.
Uma cordial saudação para todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção particular dos fiéis de Salto de Pirapora e as Irmãs Franciscanas Catequistas do Brasil e do grupo "Ajuda à Igreja que Sofre" de Portugal, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar a sua fé e adesão a Cristo: o Senhor vos encha de alegria e o seu Espírito ilumine as decisões da vossa vida para realizardes fielmente o projeto de Deus a vosso respeito. Acompanha-vos a minha oração e Bênção.
[Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mensagem do Dia

"O 'porquê'arruinou o mundo!" (Padre Pio de Pietrelcina)

Beato João Paulo II: Breve Biografia

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a breve biografia oficial oferecida no Livreto da Celebração editado pela Santa Sé para a cerimônia de hoje, texto que foi lido pelo cardeal Agostino Vallini, vigário geral da diocese de Roma, durante o rito de beatificação.

* * *

Karol Józef WoJtyła, eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polónia), a 18 de Maio de 1920. Foi o segundo de dois filhos de Karol Wojtyła e de Emília Kaczorowska, que faleceu em 1929. O seu irmão mais velho, Edmund, médico, morre em 1932, e o seu pai, oficial do Exército, em 1941.

Aos nove anos recebeu a Primeira Comunhão e aos dezoito o sacramento da Confirmação. Terminados os estudos na Escola Superior de Wadowice, inscreveu-se em 1938 na Universidade Jagellónica de Cracóvia.

Depois de as forças ocupantes nazis encerrarem a Universidade em 1939, o jovem Karol trabalhou (1940-1944) numa mina e, posteriormente, na fábrica química Solvay, para poder sustentar-se e evitar a deportação para a Alemanha.

A partir de 1942, sentindo-se chamado ao sacerdócio, frequentou o Curso de Formação do Seminário Maior clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Arcebispo local, o Cardeal Adam Stefan Sapieha. Simultaneamente, foi um dos promotores do «Teatro Rapsódico», também este clandestino.

Depois da guerra, continuou os estudos no Seminário Maior de Cracóvia, novamente aberto, e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagellónica, até à sua ordenação sacerdotal em Cracóvia a 1 de Novembro de 1946. Depois foi enviado pelo Cardeal Sapieha a Roma, onde obteve o doutoramento em Teologia (1948), com uma tese sobre o conceito da fé nas obras de São João da Cruz. Naquele período - durante as suas férias - exerceu o ministério pastoral entre os emigrantes polacos na França, Bélgica e Holanda.

Em 1948, regressou à Polónia e foi coadjutor, primeiro na paróquia de Niegowić, próxima de Cracóvia, e depois na de São Floriano, na própria cidade. Foi capelão universitário até 1951, quando retomou os seus estudos filosóficos e teológicos. Em 1953 apresentou na Universidade Católica de Lublin uma tese sobre a possibilidade de fundar uma ética cristã a partir do sistema ético de Max Scheler. Mais tarde, tornou-se professor de Teologia Moral e Ética no Seminário Maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin.

Em 4 de Julho de 1958, o Papa Pio XII nomeou-o Bispo Auxiliar de Cracóvia e Titular de Ombi. Recebeu a ordenação episcopal em 28 de Setembro de 1958 na Catedral de Wawel (Cracóvia), das mãos do Arcebispo Eugeniusz Baziak.

A 13 de Janeiro de 1964 foi nomeado Arcebispo de Cracóvia pelo Papa Paulo VI, que o criou Cardeal a 26 de Junho de 1967.

Participou no Concílio Vaticano II (1962-65), dando um contributo importante na elaboração da Constituição Gaudium et Spes. O Cardeal Wojtyła tomou também parte na V Assembleia do Sínodo dos Bispos anterior ao seu Pontificado.

Foi eleito Papa em 16 de Outubro de 1978 e, em 22 de Outubro, deu início ao seu ministério de Pastor Universal da Igreja.

O Papa João Paulo II realizou 146 visitas pastorais em Itália e, como Bispo de Roma, visitou 317 das actuais 332 paróquias romanas. As viagens apostólicas pelo mundo - expressão da constante solicitude pastoral do Sucessor de Pedro por toda a Igreja - foram 104.

Entre os seus principais documentos, contam-se 14 Encíclicas, 15 Exortações Apostólicas, 11 Constituições Apostólicas e 45 Cartas Apostólicas. Ao Papa João Paulo II devem-se ainda 5 livros: «Atravessar o Limiar da Esperança» (Outubro de 1994); «Dom e Mistério: Nas minhas Bodas de Ouro Sacerdotais» (Novembro de 1996); «Tríptico Romano», meditações em forma de poesia (Março de 2003); «Levantai-vos! Vamos!» (Maio de 2004) e «Memória e Identidade» (Fevereiro de 2005).

O Papa João Paulo II celebrou 147 ritos de Beatificação - nos quais proclamou 1338 Beatos - e 51 Canonizações, com um total de 482 Santos. Realizou 9 Consistórios, nos quais criou 231 Cardeais (+ 1 in pectore). Presidiu ainda a 6 Reuniões Plenárias do Colégio Cardinalício.

Desde 1978, convocou 15 Assembleias do Sínodo dos Bispos: 6 gerais ordinárias (1980, 1983, 1987, 1990, 1994 e 2001), 1 assembleia-geral extraordinária (1985) e 8 assembleias especiais (1980, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998 e 1999).

A 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro, sofreu um grave atentado. Perdoou ao autor do atentado. Salvo pela mão materna da Mãe de Deus, submeteu-se a uma longa recuperação. Convencido de ter recebido uma nova vida, intensificou os seus empenhos pastorais com heróica generosidade.

A sua solicitude de Pastor manifestou-se, entre outras coisas, na erecção de numerosas dioceses e circunscrições eclesiásticas, na promulgação do Código de Direito Canónico Latino e das Igrejas Orientais, e na promulgação do Catecismo da Igreja Católica. Propôs ao Povo de Deus momentos de particular intensidade espiritual como o Ano da Redenção, o Ano Mariano e o Ano da Eucaristia, culminando no Grande Jubileu do Ano 2000. Foi ao encontro das novas gerações, com a celebração das Jornadas Mundiais da Juventude.

Nenhum outro Papa encontrou tantas pessoas como João Paulo II: nas Audiências Gerais das Quartas-feiras (cerca de 1160) participaram mais de 17 milhões e 600 mil peregrinos, sem contar as outras Audiências especiais e as cerimónias religiosas (mais de 8 milhões de peregrinos apenas no decorrer do Grande Jubileu do Ano 2000) e os milhões de fiéis contactados durante as visitas pastorais em Itália e no mundo; numerosas também as personalidades de Governo recebidas em Audiência: basta recordar as 38 Visitas Oficiais e as restantes 78 Audiências ou Encontros com Chefes de Estado, como também as 246 Audiências e Encontros com Primeiros-Ministros.

Morreu em Roma, no Palácio Apostólico do Vaticano, às 21.37h de sábado 2 de Abril de 2005, vigília do Domingo in Albis e da Divina Misericórdia, por ele instituído. Os funerais solenes na Praça de São Pedro e a sepultura nas Grutas Vaticanas foram celebrados a 8 de Abril.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para rir ou para chorar?

Homilia Diária 03.05.2011 “Quem me vê, vê o Pai”

“Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!” Esta foi a preocupação de Filipe no Evangelho de hoje e pode ser a de muitos diante de uma situação sem solução humanamente falando. Jesus, no quarto Evangelho, fala frequentemente da Sua relação com o Pai, da Sua união com Ele, pelo fato de ter sido enviado por Ele. Os discípulos, agora representados por Filipe, queriam algo mais: uma visão direta do Pai. E então, respondendo, Jesus Se lhes revela: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim!” Sua essência com o Pai é a mesma. Ele é o eterno Filho de Deus. N’Ele, por Ele e para Ele, foram criadas todas as coisas.
Mas esse desejo estava em contradição com aquilo que já nos aparece no prólogo de João: A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer (Jo 1,18). Mas os discípulos não souberam reconhecer na presença visível do seu Mestre as palavras e as obras do Pai porque, para ver o Pai no Filho, é preciso acreditar na união recíproca que existe entre ambos. Só pela fé se reconhece a mútua imanência entre Jesus e o Pai. Por isso, a única coisa que havemos de pedir é a fé, esperando confiadamente esse dom. Jesus, ao apelar para a fé, apoia os Seus ensinamentos em duas razões: a Sua autoridade pessoal, tantas vezes experimentada pelos discípulos, e o testemunho das Suas obras.
A obra de Jesus, inaugurada pela Sua missão de revelador, é apenas um começo. Os discípulos hão de continuar a Sua missão de Salvação, farão obras iguais e mesmo superiores às Suas. Jesus quer mesmo dar coragem, aos Seus e a todos os que hão de acreditar n’Ele, para que se tornem participantes convictos e decididos na sua própria missão.
Jesus falou muito do Pai. Filipe entusiasmou-se e pediu a Jesus que lhe mostrasse o Pai. Mas o Senhor respondeu-lhe: “Quem me vê, vê o Pai”. Filipe queria ver o Pai, mas não conseguiu vê-lo em Jesus. Ao contemplar o Mestre ficou pela realidade externa, não conseguindo atingir o interior, a sua realidade íntima, com o olhar penetrante da fé. O verbo «ver», para João, indica duas ordens de realidades: a do sinal visível e o da glória do Verbo.
“Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus é a revelação do amor, de um amor generoso que quer espalhar-se sem limites, que não tem ciúmes: “quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas”.
Pai, que eu saiba reconhecer-te na pessoa de Jesus, expressão consumada de teu amor misericordioso por todos os que desejam estar perto de Ti.
Padre Bantu Mendonça

Dia das Mães Por Dom Antonio Augusto Dias Duarte

RIO DE JANEIRO, segunda-feira, 2 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Como prescreve a clássica tradição dos homens a chegada do segundo domingo de maio traz consigo a figura da mãe, e com essa data vem logo à mente o conhecido ditado popular: “Mãe é uma só”.

Comemorar o dia das mães na atualidade é para o comércio uma oportunidade a mais para aumentar suas vendas e ganhos materiais, e favorecido pelas hábeis e eficazes ferramentas publicitárias repete o mesmo sucesso econômico do Natal, da Páscoa, do Dia dos Namorados, do Dia dos Pais, do Dia das Crianças, etc...

Ninguém mais duvida que o mundo consumista moderno é capaz de instrumentalizar as pessoas, fazendo-as peças de uma grande máquina de produtividade, até mesmo quando algumas dessas pessoas têm essa singularidade especial: mãe, uma só mãe, única mãe, querida e amada como uma pessoa inesquecível na vida dos filhos.

Contudo não é só o mundo consumista que instrumentaliza o ser humano, mas sobretudo o mundo da cultura promovida por grupos e organizações internacionais que consideram a maternidade uma situação de injustiça social para a mulher.

‘Mulher-mãe é uma só-fredora’ – o trocadilho não é forçado, mas indispensável dentro do tema –, pois ela limita-se na sua feminilidade, no seu caráter, no seu modo de ser, de pensar ou de viver como mulher emancipada, livre, realizada social e profissionalmente, se ela se decidir pela maternidade responsável e querer ter os filhos segundo um projeto de Deus para a sua família, sem deixar de viver os seus projetos pessoais.

Tantas mulheres conseguem conjugar uma intensa vida profissional, social e cultural, com a sua profunda vida de esposa, mãe e administradora do lar sem se sentirem limitadas.

O consumismo e essa visão reducionista da mulher são dois fenômenos estreitamente unidos entre si, uma vez que o objetivo comum de ambos é a exaltação do puramente material, seja um vestido, um colar, uma profissão, um celular, seja o corpo feminino ou a potencialidade biológica.

A tendência do radical e capilar feminismo que se está injetando nas mentes das mulheres nas últimas décadas é particularmente perigoso para elas próprias e para a sociedade atual e futura.

É o perigo da permanência de um mundo ainda machista, mais degradante do que o anteriormente criado por aqueles homens que, com uma visão míope, só enxergavam a mulher como corpo-objeto e como uma peça indispensável do bom funcionamento da “máquina-casa”.

Há, portanto, uma sombra de machismo presente na cultura do feminismo radical, que se formou a partir de uma projeção exagerada da importância da igualdade dos sexos e que acabou sendo uma enorme e pesada carga sobre as mulheres, que elas acabam levando sozinhas, sem comprometer os homens.

Este fenômeno da hiper-valorização das mulheres não só fora do lar, mas também fora das suas realidades e qualidades próprias, como são: ser esposa, ser mãe, ser administradora, ter uma presença doce e terna, ver com raciocínio direto e pormenorizado, favorecer a união e a concórdia, viver a fortaleza do amor com a suavidade do gênio feminino, etc., conduziu muitas delas para uma situação social sombria.

As mulheres estão sendo deixadas sozinhas pelos homens, estão sendo abandonadas como objetos descartáveis, e não são necessárias estatísticas sobre o divórcio, sobre famílias monoparentais, sobre idosas abandonadas pela família e que vivem só com acompanhantes, comprovando assim a tese do machismo criado pelo juízo de valor distorcido dado pelo feminismo exagerado à mulher de hoje.

Os homens estão cada vez mais descomprometendo-se com a sua responsabilidade familiar e social diante da mulher, e o que é pior muitos homens ainda não conseguem admirar a beleza do feminino e continuam enxergando só a perfeição estética feminina e a presença utilitária da mulher ao seu lado. Como poderão ser esposos fiéis, pais dedicados aos filhos, administradores de suas casas, responsáveis pela vida familiar, se suas mulheres consideram-se super-eficientes, super-capazes e super-bonitas fisicamente... em resumo: super-vendáveis?

No casamento, na família, na sexualidade, esse feminismo radical e capilarmente presente na formação das meninas, das adolescentes, das jovens universitárias, vai necessitando cada vez mais de direitos e de leis, muitas vezes contrárias à dignidade e ao papel da mulher na sociedade e no mundo, para que se mantenha um conceito consumista: ser mulher é ser um produto de primeira qualidade premiado nos mais conhecidos concursos ou leilões.

Os assim chamados direitos sexuais reprodutivos, as leis que pretendem estabelecer cotas de mulheres na política e nas empresas, o falso direito ao próprio corpo ou, mais cruelmente, direito a matar o filho dentro do seu seio, os projetos de leis a favor da profissionalização da prostituição ou, mais claramente, à continuidade do comércio feito por homens e mulheres insensíveis ao verdadeiro valor dessas pessoas assim exploradas, o direito que querem dar à livre distribuição de pílulas, de preservativos, o fácil acesso à laqueadura de trompa e à reprodução independente... e tantos outros direitos e projetos de leis, que só vão confirmando a presença de uma cultura feminista ‘anti-mulher’, destruidora da família e da sociedade.

Essa anti-feminilidade presente em muitas propostas desenvolvidas por organismos governamentais e não-governamentais está impedindo ver os dons especificamente femininos presentes nas mulheres, especialmente aqueles que as tornam pessoas, mais atentas e melhores cuidadoras dos outros seres humanos, especialmente daqueles mais vulneráveis.

Daí que a sabedoria presente no ditado popular: ‘Mãe é uma só’ poderia desabrochar num outro dito: ‘Mulher é uma só-lidária’, é a pessoa que no mundo de ontem, de hoje e de sempre, solidifica as relações humanas com sua ternura, sua agudeza de espírito, sua fortaleza no amor e sua presença maternalmente atenciosa e esperançosa.

A comemoração do Dia das Mães reclama na atualidade uma reflexão mais profunda e séria sobre o que é o verdadeiro feminismo e sobre a missão da mulher e da mãe para a família e para a sociedade, pois quem não souber exatamente quem é a mulher nos planos de Deus jamais saberá compreender suficientemente o que é a maternidade em todas as dimensões.

Essa será sempre a missão da Igreja Católica, especialmente num mundo consumista preocupado em ‘vender’ uma imagem da mulher totalmente desfigurada. Como ela é Mãe dos homens e Esposa de Cristo Redentor, a Igreja fundada por Jesus Cristo sobre a pedra de Pedro enaltece e destaca no Dia das Mães o gênio feminino tão necessário e primordial para a história da humanidade.

O recente Beato João Paulo II, Papa das famílias e da juventude, mencionou o papel fundamental de Maria de Nazaré para a história dos homens quando interpretou as seguintes palavras saídas da sua boca na Visitação a Isabel. “Grandes coisas fez em mim o Todo-Poderoso” (Lc 1,49). Escreveu o Beato Papa: “Estas se referem certamente à concepção de Filho, que é ‘Filho do Altíssimo’ (Lc 1,32), o ‘santo’ de Deus; conjuntamente, porém, elas podem significar também a descoberta da própria humanidade feminina”.

Porém, continua interpretando essa afirmação no sentido de enriquecer ainda mais a feminilidade das mães: “‘grandes coisas fez em mim’: esta é a descoberta de toda riqueza, de todos os recursos pessoais da feminilidade, de toda eterna ‘originalidade’ da mulher, assim como Deus a quis, pessoa por si mesma, e que se encontra contemporaneamente por um dom sincero de si mesma. (...) Em Maria, Eva redescobre qual é a verdadeira dignidade da mulher, da humanidade feminina. Esta descoberta deve chegar continuamente ao coração de cada mulher e plasmar a sua vocação e a sua vida”. (cf. carta Apostólica Mulieris Dignitatem, Beato João Paulo II, 15.VIII. 1988, n. 11)

Legalizar a prostituição? Estudo na Austrália responde à pergunta Por Pe. John Flynn, L. C.

ROMA, segunda-feira, 2 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A prostituição legalizada tem sido um assunto frequente nos últimos anos. Os defensores da ideia dizem que é melhor regulamentá-la para evitar os abusos e torná-la mais segura, focando na minimização de riscos.
Por outro lado, estudos recentes na região de Camberra, capital da Austrália, indicam que a legalização está longe de ser a solução perfeita. A prostituição foi legalizada no Território da Capital Australiana (TCA) em 1992, mas, em 2008, a morte por overdose de uma prostituta de 17 anos, Janine Cameron, suscitou grande polêmica.
A assembleia legislativa do território promoveu um estudo que resultou em 50 documentos escritos e uma série de audiências públicas agora em curso.
"Não dá para ter relações sexuais com 10 ou 15 homens diferentes por dia sem se afetar, sem abalar a própria valorização, a valorização do sexo e o próprio jeito de construir uma intimidade com outro ser humano", afirmou Julie, pseudônimo de uma das entrevistadas.
Julie começou a trabalhar em um bordel aos 17 anos (ABC News, 8 de abril). Saiu depois de 18 meses, mas conta que não foi fácil mudar de vida e se livrar de uma indústria em que existe muito crime e corrupção. "Foi muito difícil conseguir ter uma relação íntima normal depois".

Violação da dignidade humana

Em documento apresentado após o estudo, a arquidiocese católica de Camberra explica que a Igreja considera a prostituição como uma violação da dignidade humana. As prostitutas prejudicam a sua dignidade porque se reduzem a instrumentos do prazer sexual, enquanto quem paga pelos seus serviços comete uma grave ofensa.

O documento aponta uma série de argumentos sobre o dano causado pela prostituição.

- As prostitutas são alvos fáceis de crimes violentos e correm risco permanente de agressão.

- Muitas mulheres estão na prostituição para sustentar seu vício em drogas ou levantar dinheiro para outras necessidades desesperadas.

- Práticas sexuais sadomasoquistas, que incluem a violência contras as mulheres, são especialmente degradantes para elas.

- A prostituição aumenta notavelmente os riscos graves para a saúde das mulheres, particularmente os de DSTs como aids, herpes e hepatite C.

- A prostituição é ligada à escravidão e ao tráfico sexual de mulheres.

- Quando se legaliza ou se descriminaliza a prostituição, cria-se uma cultura da prostituição, que tem efeitos prejudiciais não só na vida das mulheres que se prostituem, mas na de todas as mulheres que vivem nessa cultura.

- A prostituição prejudica as relações heterossexuais e as famílias. A esposa ou namorada de um homem que utiliza serviços sexuais é notavelmente afetada. Se o homem guarda em segredo o uso desses serviços, quebra os fundamentos da confiança e da honestidade na sua relação. Se os usa abertamente, pode levar à ruptura da sua relação.

- A indústria da prostituição prejudica o ideal das relações igualitárias entre homens e mulheres e tem impacto negativo na família e na sociedade em geral.

- A prostituição não pode ser separada da questão da dignidade das mulheres. A legalização da prostituição significa que o governo e a sociedade em geral estão dispostos a aceitar a desumanização e a coisificação das mulheres.

O caso da Suécia

Uma das recomendações do documento da Igreja católica apresentado à comissão é a adoção do modelo sueco. Em 1998, a Suécia aprovou uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de serviços sexuais. As mulheres e crianças vítimas da prostituição não correm o risco de sanções legais, mas a compra desses serviços é um delito penal.
Esta proposta recebeu o respaldo de um informe oficial, publicado em 2 de julho de 2010, avaliando a legislação sueca desde o seu início em 1999 até 2008.
O relatório revelou que as mudanças atingiram o efeito desejado e mostrou que a penalização da compra de sexo foi um instrumento importante tanto na luta contra a prostituição quanto contra o tráfico de pessoas para fins sexuais.
Segundo o documento, a prostituição de rua na Suécia caiu pela metade após a adoção da nova lei. Antes dessa legislação, a prostituição de rua era mais ou menos igual nas capitais da Noruega, Dinamarca e Suécia. Depois de 1999, porém, a prostituição de rua na Noruega e na Dinamarca aumentou de forma dramática. Em 2008, o número de pessoas que se prostituíam nas ruas norueguesas e dinamarquesas era o triplo do caso sueco.
"Considerando as grandes semelhanças que existem entre esses três países, econômica e socialmente, é razoável assumir que a redução da prostituição de rua na Suécia é resultado direto da penalização", conclui o informe.
É importante observar que a prostituição não mudou de local em decorrência das mudanças na Suécia: ela de fato diminuiu. O relatório aponta que a prostituição resultante de contatos na internet é mais frequente nos países vizinhos. A proibição da prostituição de rua na Suécia, portanto, não a transferiu para a internet.
Por outro lado, o relatório assinala que não há sinais de que a prostituição em salas de massagem, clubes de sexo e em restaurantes e discotecas tenha aumentado nos últimos anos. Não há provas que sugiram que as prostitutas exploradas antes nas ruas agora estejam envolvidas em prostituição em locais fechados.
O relatório diz também que, segundo a Polícia Criminal do país, a proibição contra a compra de serviços sexuais atua como um desmotivador para os traficantes de pessoas e os aliciadores que se estabelecem na Suécia.
A informação da experiência sueca reforça também o que muitos tinham dito tanto neste tema como em outros debates sobre a legalização de práticas polêmicas. Deixa claro que proibir a compra de serviços sexuais teve um efeito normativo e que, após a legalização, houve uma mudança relevante na atitude do público com a compra de serviços sexuais. Significou um elemento eficaz de dissuasão para quem compra sexo.

Opressão

Outro documento submetido à investigação de Canberra vinha do ‘Collective Shout’, que se descreve como “um movimento com campanhas nas ruas preocupado com a coisificação das mulheres e a sexualização das jovens na mídia, publicidade e cultura popular”.
Eles observam que, em nome da minimização dos danos, foram legalizados na década de 90 alguns setores da indústria sexual na Austrália e em países como Holanda e Alemanha.
Não se alcançou, no entanto, o efeito desejado, e o documento apresentado à Comissão afirma que há evidências claras, tanto de estudos acadêmicos como dos governos, de que a postura de minimização dos danos é em si mesma errônea, ao tentar regular a indústria sexual.
Um exemplo claro disso está na relação com o uso de menores na indústria da prostituição. Victoria foi o primeiro Estado australiano a legalizar a prostituição.
Um estudo, que examina a informação de 471 organizações governamentais e não governamentais que trabalha com crianças na Austrália mostra que mais de 3.100 crianças australianas entre 12 e 18 anos tinham tido relações sexuais em troca de dinheiro para sobreviver. Victoria tinha a cifra mais alta da nação, com 1.200.
Outro ponto apresentado foi que muitas mulheres prostituídas tinham sofrido abusos sexuais na infância, abusos físicos, violência doméstica e uso de drogas.

“O modelo de minimização dos danos – ou legalização da prostituição – permite, em essência, a exploração das pessoas mais vulneráveis da sociedade”, afirma ‘Collective Shout’. "É o momento de reconhecer que a ‘profissão mais antiga do mundo’ é atualmente a ‘opressão mais antiga do mundo’”.

Mensagem do Dia

"Devemos amar a verdade que é o fundamento sólido da nossa fé." (Padre Pio de Pietrelcina)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Beato João Paulo II

Um gigante de Deus - João Paulo II

O Papa João Paulo II será beatificado neste mês de maio, mês dedicado a Virgem Maria, a quem ele tanto amou, mês também do seu nascimento. Ele se empenhou em muitas frentes para anunciar o Evangelho numa época conflitiva. O “breve século vinte”, de fato, foi um século de conflitos e mudanças substanciais. Seriam várias as virtudes e dons que poderíamos ressaltar na personalidade e atuação desse grande homem de Deus. Eu ressalto aqui o que me pareceu uma marca sólida de sua personalidade: a busca da santidade. O Pontífice polonês resgatou para a Igreja e o mundo a busca da santidade como vocação dos fiéis cristãos.

Em torno dessa busca pela santidade ele pautou sua visão de Igreja: escola de comunhão dos santos; sua doutrina social: santidade como justiça. A partir do conceito de santidade ele defendeu os direitos de Deus e os direitos dos homens. Vislumbrou a santidade como meta teológica e antropológica, como realização plena do ser humano e consequentemente da criação. Por isso não se pode estranhar que se clamasse durante seu funeral: santo súbito!

Nunca talvez, tanta gente tenha tido tanta oportunidade de entrar em contato com um Papa como se teve com João Paulo II. Sua primeira viagem ao Brasil (1980) foi marcada de emoção. Pôde-se ouvi-lo, então, dizer abertamente tantas palavras que gostaríamos de dizer, mas a Ditadura Militar vigente não permitia. Visitou os presos da Papuda em Brasília (DF), a Favela do Vidigal no Rio e em São Paulo encontrou os trabalhadores.

Hoje parece fácil clamar pela justiça e o direito em nome da dignidade humana, maltratada por uma sociedade rica, porém, injusta. Mas "nos anos de chumbo" desse período de repressão não o era. João Paulo II venceu o protocolo, as conveniências e tudo o mais, para exercer sua missão de anunciar o Evangelho da paz, fruto da justiça. Teve coragem! Aliás, uma de suas características sempre foi a fé com coragem, que fez dele um profeta do conturbado século XX.

Viveu no século de duas guerras terríveis e da queda do totalitarismo comunista, ao qual ele ajudou a derrubar. Teve coragem também ao protestar contra a guerra movida pelo império norte-americano contra o Iraque. Em nome de Deus ele levantou sua voz também contra o neoliberalismo, o qual promove uma globalização sem solidariedade e uma multidão incontável de excluídos.

Talvez pareça exagerada a comoção quando de seu desaparecimento. Como se costuma dizer: morreu o rei, viva o rei ou rei morto, rei posto. Isso não fez sentido em relação a esse Papa. Ninguém é insubstituível, mas ninguém é igual. E ele fazia bem ao mundo com a sua proposta de santidade, defesa dos direitos de Deus e dos homens, do clamor pela preservação da vida, pela paz. Ele se fazia ouvir até mesmo pelos que não gostavam dele, por isso tentaram assassiná-lo. Foi uma liderança sólida em um mundo carente de líderes verdadeiros.

Não podemos esquecer também, em âmbito interno da Igreja, que ela é apostólica. A Tradição nos ensina que a missão apostólica precede a comunidade e a constitui. A apostolicidade fundamenta a existência da comunidade, porque os primeiros missionários, com mandato direto de Jesus, foram os apóstolos. Entre eles Pedro é o principal. E João Paulo II foi sucessor de Pedro na Sé de Roma, a qual preside na caridade e confirma na fé. Neste espírito de fé e caridade ele foi pranteado à luz do círio pascal. E hoje no tempo pascal a Igreja se alegra, proclamando a sua ressurreição ao beatificá-lo: "Quem com Cristo sofre com Ele será glorificado".

Quando alguém morre nossos julgamentos se tornam mais coerentes e corretos sobre o morto. Isso porque em vida vemos atos isolados. Mas na morte de alguém vemos o conjunto de sua vida. Deixamos de examinar o "varejo" para examinar o "atacado". À medida que o tempo passa a grandeza vai aparecendo com mais força. Com João Paulo II foi assim. A história já lhe rende homenagens justas e merecidas. Quem poderá esquecer a grandeza desse Sumo Pontífice, que ousou pedir perdão pelos erros do passado da Igreja, o que foi um dos pontos altos das comemorações do jubileu do ano 2000? Ele provou que a humildade é a virtude dos fortes e dos que têm uma mente sadia, capaz de promover a reconciliação e a paz por meio do perdão. Sem perdão, a justiça será sempre uma maneira de vingança em todas as circunstâncias.

Em uma sociedade moderna ou pós-moderna, mas desencantada, porque percebe que a morte de Deus, tão propalada, acarreta, de certa forma, a morte da pessoa humana, a fortaleza e a alegria de viver de João Paulo II deixaram saudade. Ele era um semeador de esperança.

Na Igreja dos primeiros séculos se dizia que o bispo, sucessor dos apóstolos, exerce seu serviço em nome de Jesus, porque recebe o ofício de embaixador que vem da parte de Deus (cf. São João Crisóstomo in Com. Ad Col. 3,5). Nas vezes em que pude encontrá-lo e falar com ele, me impressionou a profundidade de seu olhar, parecia ver com os olhos de Deus. Mais que nenhum outro bispo João Paulo II foi embaixador de Deus no final do século passado e no início deste novo milênio. Por isso não o esquecemos e a Igreja confirma o dom que Deus lhe deu: a santidade, da qual o mundo sempre teve fome.

Dom Pedro Carlos Cipolini

Bispo Diocesano de Amparo - SP

O valor da Páscoa se manifesta porque Jesus abraçou o sofrimento do mundo, afirma Dom Filippo

O valor da Páscoa se manifesta porque Jesus abraçou o sofrimento do mundo, afirma Dom Filippo


PETRÓPOLIS, 27 Abr. 11 (ACI) .- Em um artigo divulgado hoje (27), o Bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Filippo Santoro, recordou que no meio do drama do mundo estamos diante de um amor total que abraça e que perdoa, o amor de Cristo. O bispo fez alusão às chuvas e outras calamidades que entristeceram a cidade e o mundo nos últimos dias lembrando que a Páscoa de Jesus muda o rosto do mundo e traz a verdadeira esperança.



"As chuvas caídas na Região Serrana do Rio de Janeiro, com 900 vitimas; o terremoto do Japão e a tsunami com mais de 12 mil mortos; as doze crianças inocentes assassinadas em Realengo por um desequilibrado de vinte três anos que depois se matou; nos deixam tristes e aflitos. Um mistura de impotência e revolta diante da força da natureza e da loucura do homem", afirmou Dom Filippo.



"Tanto basta para experimentar como é frágil e precária a nossa vida. Que sentido tem celebrar nestas condições a Páscoa? Sendo tão perdidos e desamparados o que sustenta nossa esperança? O que pode nos confortar para não ser engolidos na distração, no consumo, no vazio? A grande pergunta, que tampouco a cultura contemporânea pode negar, é se existe algo que satisfaça plenamente as exigências do coração e que perdure no tempo, para sempre".



"E aqui se manifesta o valor da Páscoa de Jesus que abraçou totalmente o sofrimento do mundo, o drama do pecado e a dor da natureza que geme conosco em dores de parto (Romanos 5, 22). No meio do drama do mundo estamos diante de um amor total que abraça e que perdoa. Cristo se dobra sobre o nosso sofrimento e o nosso pecado. O abraço do seu amor continuo salva os mortos da chuva, salva estas 12 crianças inocentes e julga o agressor", declarou também o bispo de Petrópolis.



"Sem Cristo estas crianças onde estariam? Tudo terminaria com uma insensata violência e ninguém seria responsável de nada. E os mortos da chuva? E as vitimas da tsunami? Desaparecidas para sempre! A morte foi enfrentada e vencida por Cristo que nos revela um amor maior que corresponde ao nosso desejo mais profundo de vida plena", continuou.



"Ora o amor do Senhor não é um sentimento, ou apenas um piedoso desejo da razão e do coração. "Eu sou a ressurreição e a vida" (João 11, 25). O seu amor é um fato. Na manhã de Páscoa Ele se mostra e se faz encontrar por pessoas concretas que o reconhecem e cheias de alegria anunciam a sua vitória", asseverou Dom Santoro em seu artigo.



"A vida humana começa a ser contagiada pela sua imortalidade e, seguindo esta presença, se vence o tempo, o espaço e a morte. Ele é nosso contemporâneo caminha conosco e nos comunica a sua própria vida. Assim nasce a Igreja que é o seu corpo hoje, feito por aqueles que o seguem.Frágeis como todos, mas portadores da vitória de Cristo", recordou Dom Santoro.



"È necessária simplesmente a abertura de coração e o seguimento de sua presença como Maria Madalena, Pedro, João e uma fila ininterrupta de testemunhas até chegar a Padre Pio, Teresa de Calcutá e ao Papa João Paulo que no primeiro de maio será beatificado e que nos deixou encantados particularmente nas suas visitas ao Rio de Janeiro. Hoje também, no ministério de Bento XVI e na vitalidade da nossa Diocese, (pensemos no grande trabalho da emergência depois da calamidade das chuvas e no plano de reconstrução urbanística e humana das áreas de riscos), os nossos olhos vêem fatos e testemunhos que nos fazem perceber a beleza e a atração de Cristo. Trata-se de uma superabundância de humanidade que nos impressiona", afirmou.

"Esta Páscoa é a ocasião de renovar hoje o encontro com Ele e isso mantém viva a esperança diante do drama de Realengo, do Japão e das chuvas da Região Serrana. E nos permite manter viva a memória para uma vigorosa reconstrução das nossas cidades sem cair no esquecimento e na indiferença. A Páscoa de Jesus muda o rosto do mundo e traz uma verdadeira esperança para todos", conclui o bispo.

Mensagem do Dia

"Quero ver você sempre animado com o propósito de se santificar." (Padre Pio de Pietrelcina)