sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Santo do Dia - São Pio de Pietrelcina - 23 de Setembro



São Pio de PietrelcinaEste digníssimo seguidor de S. Francisco de Assis nasceu no dia 25 de maio de 1887 em Pietrelcina (Itália). Seu nome verdadeiro era Francesco Forgione.

Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, os quais via constantemente devido à grande familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu Anjo da Guarda, a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho.

Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu Anjo da Guarda estreitando assim a intimidade dos fiéis para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da Igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário.

Com quinze anos de idade entrou no Noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em Morcone, adotando o nome de "Frei Pio" e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910 na Arquidiocese de Benevento.

Após a ordenação, Padre Pio precisou ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde e, em setembro desse mesmo ano, foi enviado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até o dia de sua morte.

Abrasado pelo amor de Deus, marcado pelo sofrimento e profundamente imerso nas realidades sobrenaturais, Padre Pio recebeu os estigmas, sinais da Paixão de Jesus Cristo, em seu próprio corpo.

Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por meio desse sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiéis e libertá-los das garras do demônio, conhecido por ele como "barba azul".

Torturado, tentado e testado muitas vezes pelo maligno, esse grande santo sabia muito da sua astúcia no afã de desviar os filhos de Deus do caminho da fé. Percebendo que não somente deveria aliviar o sofrimento espiritual, recebeu de Deus a inspiração de construir um grande hospital, conhecido como "Casa Alívio do Sofrimento", que se tornou uma referência em toda a Europa. A fundação deste hospital se deu a 5 de maio de 1956.

Devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, Padre Pio cria os grupos de oração, verdadeiras células catalisadoras do amor e da paz de Deus, para serem instrumentos dessas virtudes no mundo que sofria e angustiava-se no vale tenebroso de lágrimas e sofrimentos.

Na ocasião do aniversário de 50 anos dos grupos de oração, Padre Pio celebrou uma Missa nesta intenção. Essa Celebração Eucarística foi o caminho para o seu Calvário definitivo, na qual entregaria a alma e o corpo ao seu grande Amor: Nosso Senhor Jesus Cristo; e a última vez em que os seus filhos espirituais veriam a quem tanto amavam.

Era madrugada do dia 23 de setembro de 1968, no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria, descansa em paz aquele que tinha abraçado a Cruz de Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu.

Foi beatificado no dia 2 de maio de 1999 pelo Papa João Paulo II e canonizado no dia 16 de junho de 2002 também pelo saudoso Pontífice.

Padre Pio dizia: "Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar!"



São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!


.: Reze com São Padre Pio: Fica comigo, Senhor!



26º Domingo do Tempo Comum – Ano A - Liturgia da Palavra: “os publicanos e as prostitutas vos precederão...”

26º Domingo do Tempo Comum – Ano A
Leituras: Ez 18, 25-28; Sl 24(25), 4bc-5.6-7.8-9; Fl 2, 1-11; Mt 21, 28-32
“Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31)
A liturgia deste 26º domingo do Tempo Comum continua nos apresentando de modo particular a misericórdia e o amor de Deus pelo homem. A primeira leitura, tirada do livro do profeta Ezequiel, apresenta a palavra de Deus comunicada por meio do profeta e dirigida ao povo de Deus que se encontra na amarga experiência do exílio babilônico.
Diante do sofrimento brota uma acusação: “O modo de agir do Senhor não é justo!” (Ez 18, 25). Israel apresenta-se como imagem da condição humana, a qual, diante de um sofrimento aparentemente injusto, procura pleitear sempre a justiça num plano distributivo, isto é, restaurar aquilo que é devido conforme a necessidade de cada um. Certamente, do ponto de vista humano, trata-se de um princípio justo.
Afinal, em sua concepção, Israel tinha motivos para se lamentar: ele era o povo escolhido; havia construído um Templo no qual dia após dia se esmerava em prestar um culto ao Deus verdadeiro. Por que Deus fora tão injusto? Por que Israel estava no exílio?
Israel deve fazer um caminho para compreender que Deus não fora injusto, ele não abandonara jamais o seu povo; quando muito, o que houve foi justamente o contrário. De fato, já o profeta Jeremias alertara que não bastava Israel possuir um Templo e ter uma conduta religiosa expressa através de culto suntuoso (cf. Jr 7, 4ss). Deus deixava claro através desse profeta que era necessário que o Templo e o culto também se refletissem diretamente nas atitudes concretas do povo, especialmente para com os mais fracos da sociedade.
Fica evidente que Israel conheceu sua ruína, em boa parte, porque caiu na tentação dos caminhos fáceis: fechou-se numa liturgia ritualista; reduziu o Templo a um mero fetiche, a um objeto mágico, e o culto que deveria ser a expressão da aliança com Deus, tonou-se apenas um culto de palavras vazias (“Este povo me honra com os lábios...” Is 29,13).
Israel ao proceder de forma artificial acabara por enveredar pelos caminhos dos injustos e dos ímpios (cf. Sl 1). Quantas vezes não estamos também nós nesse caminho? Quantas vezes ao rezar na liturgia o Pai-nosso, por exemplo, as palavras são pronunciadas por nossa boca apenas como uma fórmula vazia de sentido. Quantas vezes invertemos em nosso coração a petição “seja feita a vossa vontade” ao pensarmos em nosso íntimo: “Sim, mas na verdade, ó Deus, o que eu quero mesmo é que o Senhor faça a minha vontade!” (cf. Lc 22, 42)?
Quantas vezes não vivemos num divórcio prático entre celebração e vida? Os profetas, de modo geral, dentre tantas denúncias feitas dos desvios do povo em relação a Deus, evidenciaram o fato das grandes liturgias de Israel terem se esvaziado de conteúdo (cf. Os 6,6) e serem realizadas sem aquilo que realmente importava: o amor a Deus e o amor ao próximo.
Mais uma vez queremos lembrar aqui a afirmação profética do magistério da Igreja: “o gesto litúrgico não é autêntico se não implica um compromisso de caridade, um esforço sempre renovado por ter os sentimentos de Cristo Jesus, e para uma contínua conversão”. (Medellín, 9, 3).
Por isso mesmo Deus coloca a questão sob outra perspectiva: “Não será antes o vosso modo de proceder que não está certo?... ao fazer o mal, é em virtude do mal que [o ímpio] morre...” (v. 25b-26).
Parece que assim como Israel, também nós temos que aprender a praticar aquilo que realmente importa para Deus: o caminho do direito e da justiça seja para com o próximo, seja para com Deus (v. 28). Para aprender esse caminho, é preciso um toque de graça da parte de Deus: “Tudo o que fizeste conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia”(Antífona de entrada).
Por isso o salmista apresenta-nos a sua súplica que se torna pedido de toda a comunidade:“Mostra-me teus caminhos, Senhor, ensina-me tuas veredas” (Salmo responsorial; tradução daBíblia de Jerusalém).
Mais uma vez nos deparamos com a metáfora do “caminho” para indicar a relação filial entre Deus e o seu povo. Um caminho pontilhado de altos e baixos, de desvios e de afastamentos de Deus; mas também um caminho de gratuidade, de perdão e de misericórdia por parte de um Deus que desce (é o tema da segunda leitura) ao encontro do homem para elevá-lo até si: “Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais” (Oração do dia).
Esse caminho de encontro é garantido pelo bem por excelência que Deus nos reservou: o Espírito, concedido por meio de seu Filho (cf. Jo 14; 15; 16) e que habita em todo batizado.
No Evangelho, Jesus propõe aos judeus a parábola dos dois filhos chamados a trabalhar na vinha. A imagem usada por Jesus é uma referência à situação de Israel e da Igreja, o novo Israel.
Na parábola Jesus indaga seus ouvintes sobre qual dos dois irmãos havia realizado a vontade paterna: aquele que declinara o convite do Pai – situação de envergonhar um Pai e totalmente reprovável no filho, especialmente no contexto Palestinense –, mas que ao final, tomado pelo remorso fora trabalhar, ou o outro, que havia concordado com o pai verbalmente, evitando problemas e mantendo uma “fachada” de obediência, mas que de fato decide não ir trabalhar. Todos responderam de modo unânime: o filho que, apesar de ter se pronunciado negativamente e fora até a vinha para o trabalho, este sim, cumprira a vontade do pai. É muito interessante esta imagem da parábola.
Como se sabe, são as ações que revelam o mais íntimo de nosso ser e não as palavras. É o que Jesus, de certo modo, também nos mostra neste relato.
Aqui vale a pena um pequeno parêntese: curiosamente estamos nos aproximando das eleições das esferas governamentais. Seria muito interessante utilizar este método ofertado pelo evangelho no momento de escolhermos nossos candidatos: já vimos que quando se trata de discursos, de palavras, os nossos políticos, em sua grande maioria, são imbatíveis. Para separar o joio do trigo é preciso olhar não para os belos discursos, mas para a prática de vida de nossos candidatos e escolher aqueles que apresentaram a maior coerência entre a fala e a ação concreta visando o bem comum.
Em se tratando da revelação do ser, Cristo revelou-se como caminho que conduz ao Pai (Cf. Jo 14, 6) não só em palavras, mas com a própria vida, de fato. Esse aspecto da total revelação de Deus em Jesus na sua auto-doação ao Pai nos é mostrado de modo admirável pelo apóstolo São Paulo na segunda leitura. De fato, Ele o Cristo Senhor que “estando na forma de Deus (tradução da Bíblia de Jerusalém) não usou de seu direito de ser tratado como um deus, mas se despojou, tomando a forma de escravo. Tornando-se semelhante aos homens... abaixou-se, tornando-se obediente até a morte” (Fl 2, 6-8).
“Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade” (Prefácio IV dos Domingos do Tempo Comum).
É um grande mistério, pois abaixando-se, o Cristo eleva-se ao céu abrindo “para nós a fonte de toda bênção” (cf. Oração sobre as oferendas).
Em Cristo, Deus desceu das alturas e assumiu a baixeza de nossa condição humana. Em tudo semelhante a nós, fora o pecado, o Cristo elevou nossa humanidade à glória da Santíssima Trindade abrindo-nos o caminho para a divindade: “Nisto conhecemos o amor de Deus: Jesus deu sua vida por nós; por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (antífona da comunhão)
“Em verdade vos digo: os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. Pois João veio a vós, num caminho de justiça e não crestes nele”. (Mt 21, 31-32).
Jesus proclama a grande misericórdia de Deus. Em todo seu ministério Jesus se fez próximo àqueles que viviam fora dos padrões religiosos da sociedade judaica (cf. Mt 11, 19; Lc 7, 34; Mc 2, 16).
Como terão soado essas palavras de Jesus aos ouvidos dos judeus? Certamente não terão sido acolhidas com tranquilidade, pois Jesus foi simplesmente “politicamente incorreto” dentro das convenções religiosas judaicas de então – e, quem sabe, talvez também em relação às nossas convenções de hoje...
Jesus com suas palavras proclama que Deus não olha para a religião ritualista, mas sim para o essencial, para o coração; afinal, - como diria o Pequeno Príncipe, personagem da obra magistral de Antoine de Saint-Exupéry - “só se vê bem com o coração”!
Jesus certamente não se opõe aos ritos, nem à religião, mas ele chama a atenção para o que é central: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante” (Mt 23, 23).
Jesus também não quer dizer que Deus ama o pecado cometido pelas prostitutas e pelos publicanos, afinal o salário do pecado é morte (cf. Rm 6, 23). Jesus louva, ao invés, o fato destes pecadores arrependidos terem reconhecido a presença de um Deus misericordioso em suas vidas, coisa que os sacerdotes e doutores judeus, em sua pretensa sabedoria e santidade “conquistada” à força do exercício de ritos não conseguiram reconhecer.
Diante deste Evangelho é possível que nos perguntemos: onde hoje está minha vida refletida? Nos pecadores arrependidos e desejosos de experimentar o Deus do perdão e do amor? Ou será que minha vida está refletida numa conduta religiosa que crê conquistar a simpatia de Deus apenas com o esforço pessoal?
“Senhor, eu não sou digno (a) de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo (a)” (Rito da comunhão).
Embora todos sejamos indignos de tal graça, o Senhor olhou para nossa sorte e nos associou ao seu mistério de morte e vida, renovando nossa vida e tornando-nos homens e mulheres novos, dignos: “Ó Deus, que a comunhão nesta Eucaristia renove a nossa vida para que, participando da paixão de Cristo neste mistério, e anunciando a sua morte, sejamos herdeiros da sua glória”(Oração depois da comunhão).
Que nesta liturgia, ao celebrarmos o mistério, possamos todos experimentar o amor e a misericórdia de Deus para conosco e, desse modo, possamos igualmente corresponder a esse amor e essa misericórdia praticando a justiça e a retidão para com o próximo

SÃO PAULO, quinta-feira, 22 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à Liturgia da Palavra do 26º Domingo do Tempo Comum – Ez 18, 25-28; Sl 24(25), 4bc-5.6-7.8-9; Fl 2, 1-11; Mt 21, 28-32 – redigido pelo professor Gabriel Frade. Natural de Itaquaquecetuba (São Paulo), Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica.
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Homilia Diária - 06.09.2011 - "O preço do discipulado".

“E vós, quem dizeis que eu sou?” Tanto esta como a primeira pergunta – “Quem diz o povo que eu sou?” – são consequências de uma vida cheia de intimidade com Deus e que confirmam a experiência do abandono e total dependência de Jesus a Seu Pai.
O nome Cristo significa Ungido do Senhor. Jesus é “aquele que devia vir ao mundo”. E, para se chegar a esta descoberta, exige-se do homem e da mulher um profundo mergulhar na Pessoa de Cristo. Na resposta de Pedro: “O Messias que Deus enviou”, encontramos as qualidades do verdadeiro discípulo de Cristo.
Enquanto as pessoas afirmam – sem ter certeza do que dizem e muitas vezes presas ao passado – o discípulo não pode nem deve se atrelar à antiga ideologia messiânica de poder, ideologia esta opressora e conservadora.
Jesus é o Filho do Homem. É o Deus que se faz humano, convivendo no dia a dia entre as multidões e comunicando-lhes Seu amor divino e eterno, que permanece para sempre além da morte.
A pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” exige um comprometimento pessoal. Pedro, corajosamente, mostrou sua crescente lealdade ao afirmar que Jesus era o Cristo de Deus. Nessa confissão, o apóstolo quis dizer que Jesus era o único Deus, Filho ungido para seus propósitos. Mas quais propósitos? A maioria não tinha ideia.
Portanto, Jesus não queria que Seus discípulos divulgassem o que Pedro havia dito. Em vez de um rei ungido para sofrer e morrer por pecadores, a maioria dos judeus estava à procura de um rei que trouxesse libertação política.
Jesus então deixa claro o preço que teria de pagar para seguir a confissão de Pedro num mundo que não apenas estava confuso a Seu respeito, como também era contra Seu ministério. Concordar com a confissão de Pedro significa “causar conflito” entre os crentes e o mundo. Significa negar a si mesmo ao carregar a cruz do discipulado.
O discipulado de Cristo, naquele tempo e hoje, tem seu preço, seu custo, ou seja, dar a própria vida por amor aos irmãos. Esta é a mensagem central para o dia de hoje.
Peça e ore ao Senhor para que Ele o ajude a abrir mão da segurança, do conforto e diversões deste mundo. Que Jesus o ensine a carregar a cruz de cada dia e a se colocar num caminho de renúncia e discipulado.
Não esqueçamos da promessa de Cristo para nós: “Quem perder a vida por minha causa, este a salvará”.
Padre Bantu Mendonça

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

‘Identidade de gênero’ em Manuais de Biologia para estudantes na França.Igreja Reage!


Le Monde
Sinal da extrema atenção que a Igreja Católica presta ao tema, o Vaticano reagiu de modo incomumente rápido ao debate sobre a inserção, nos programas de ciências e de vida da terra (SVT) da Première [penúltimo ano do Ensino Médio na França], de um capítulo dedicado ao tema “Tornar-se homem ou mulher”. Percebido como uma forma implícita de introduzir a “Identidade de Gênero” na mente dos adolescentes, esse tema levou oPontifício Conselho para a Família a publicar na França uma obra militante intitulada Gênero, a controvérsia (Ed. Pierre Téqui, 192 páginas).
Retomando as contribuições de teólogos e de religiosos que apareceram nestes últimos anos, a Igreja pretende alertar sobre os “desvios” da identidade de gênero, que distingue a identidade sexual biológica do gênero, masculino ou feminino, e insiste na construção social e cultural da identidade sexual.
Desenvolvidos há cerca de 20 anos, os trabalhos sobre o gênero abordam tanto os temas relacionados à paridade homem-mulher na política ou no mundo do trabalho, quanto o lugar da mulher na arte ou nos movimentos sociais. Mas tudo isso também significa, segundo a Igreja Católica, “uma mudança de paradigma que põe novamente em questão a diferença sexual intrínseca à humanidade”. A instituição eclesial se ocupou desse assunto a partir dos anos 1990 e, desde então, considera “perigosa” essa teoria.
No prefácio de “Gênero, a controvérsia”, Tony Anatrella, padre, psicanalista e “consultor” do Vaticano para questões sobre a família e a saúde, denuncia “a ideologia totalitária, ideologia mais opressiva e perniciosa do que a ideologia marxista”. Para a Igreja, as consequências da teoria são a desconstrução da família e da procriação, ou o reconhecimento de orientações sexuais diferentes, o que inclui em particular o casamento homossexual.
“O problema é grave e estabelece os princípios de uma sociedade que, rejeitando a natureza e, portanto, a criação, faz do ser humano o seu próprio criador, que escolhe a sua sexualidade e que organiza o seu modo de vida a partir dessas escolhas”, escreveu em junho Dom Bernard Ginoux, bispo de Montauban, sobre os programas da SVT.
A termo “teoria” também é rejeitado: Dom Anatrella vê na “teoria de gênero um agenciamento conceitual que não tem nada a ver com a ciência; é só uma opinião”. O argumento foi retomado por 80 deputados da UMP, que exigiram, no fim de agosto, a retirada dos manuais da SVT. Essas considerações levaram o mundo do ensino católico a pedir que um grupo de trabalho, formado pelo arcebispo de Rennes, Dom Pierre d’Ornellas, sobre os problemas da educação relacional, afetiva e sexual dos jovens, se ocupasse desse problema. Composto por teólogos, cientistas e professores, esse grupo deve fornecer, nas próximas semanas, instrumentos de apoio para os professores.
“Constatamos que muitos professores não estavam preparados para lidar com esses problemas”, explica Dom D’Ornellas, especialista em questões de bioética. “Trata-se de fazer com que essa parte do programa respeite a dignidade das pessoas, especialmente dos jovens em formação, isto é, vulneráveis”.“Não é a mesma coisa iniciar um ensino sobre os ‘gender studies‘ em Ciências Políticas para estudantes com mais de 20 anos – o que neste ano o Instituto de Estudos Políticos está fazendo – e abordar essa questão com adolescentes que não têm a mesma maturidade humana e psicológica”, dizJ ean Matos, responsável pela animação do grupo de trabalho.
Rejeitando qualquer “espírito de polêmica”, Matos destaca o risco de que a inserção desse tema na SVT “reduza a questão da sexualidade à dimensão puramente biológica”. “Os elementos referentes a esse tema teriam muito a ganhar se fossem abordados de modo mais sério e completo, transversal,especialmente na filosofia, na história, na literatura ou na arte”. Esse convite  a uma maior multidisciplinaridade deveria ser um dos elementos de reflexão para os professores.
De modo mais radical, o deputado (UMP) de Saône-et-Loire, Jean-Marc Nesmes, declaradamente católico, se dirigiu à Comissão Interministerial de Luta e de Vigilância contra os Desvios Sectários. Para ele, esse problema se assemelha a um “desvio sectário”, na medida em que “a iniciativa intelectual da ação dos promotores – da teoria do gênero – corre o risco de desestabilizar os jovens e os adolescentes e de alterar o seu desenvolvimento”.
O que dizem os manuais de biologia da Première
Sejam quais forem as editoras, a diferença entre “identidade sexual” e “orientação sexual” ocupa pouco lugar (algumas linhas ou no máximo um parágrafo) nos livros didáticos. Ela aparece no capítulo “Tornar-se homem ou mulher”.
“A sexualidade humana não se reduz apenas aos fatores biológicos”, lê-se em um livro das edições Belin. “O contexto sociocultural influencia significativamente no comportamento sexual individual (…). No ser humano, existem dois aspectos complementares da sexualidade: a identidade sexual, que corresponde ao gênero (masculino ou feminino) e remete ao âmbito social, e a orientação sexual, que remete ao âmbito da intimidade da pessoa”.
Em um livro das edições Hatier, está escrito: “Homens e mulheres também podem se diferenciar pelas características comportamentais. (…) A orientação sexual, que às vezes pode diferir da identidade sexual, não depende de características cromossômicas ou anatômicas, mas faz parte do âmbito da intimidade e das escolhas de vida. A heterossexualidade, a homossexualidade, a bissexualidade são orientações sexuais”.

Comunistas vociferam: Líder comunista reclama do “conservadorismo” da Sociedade Brasileira.

A grande mídia procura dar uma impressão desanimadora do Brasil, como se fosse um país cuja maioria prefere a imoralidade e a decadência igualitária. Entretanto, essa visualização é muito parcial.
Geraldo Galindo, dirigente estadual do PCdoB/BA, julgou com olhos comunistas as preferências do Brasil profundo e expôs suas conclusões no site Vermelho.org, mantido pela Associação Vermelho em convênio com o Partido Comunista do Brasil – PCdoB.
Eis suas palavras:
“[No Brasil] a maioria do povo é contra o aborto, é contra o casamento entre homossexuais, é contra o desarmamento, contra leis que asseguram o estado laico etc.
“Isso é decorrente, entre outros fatores, por conta de uma influência religiosa ainda muito marcante em nossa sociedade ‒ o que tem travado a aprovação de propostas que fariam o país avançar para um ambiente mais civilizado – e também pela força das dezenas de partidos conservadores presentes na disputa política.
“Aqui em Bruzundanga, quando falamos em respeitar os direitos humanos, os direitistas falam que estamos ao lado dos bandidos;
quando defendemos cotas para negros e pobres, eles dizem que estamos premiando a ignorância;
quando dizemos que o corpo da mulher pertence a ela e ela deve decidir sobre ele, os reacionários dizem que o corpo pertence a Deus e que as regras do tal deus é que devem prevalecer e nos acusam ainda de estarmos propondo o assassinato de crianças indefesas;
quando se pretende punir os país que surram os filhos, eles vêm com o argumento de intromissão do governo em assuntos domésticos;
quando propomos a união entre homossexuais e o combate contra a homofobia eles dizem que estamos fazendo campanha para o povo fazer opção pelo homossexualismo;
quando defendemos o desarmamento, eles afirmam que queremos desarmar o povo e deixar os bandidos bem armados;
quando combatemos o racismo, eles dizem que estamos pregando o ódio entre as raças;
se somos contra o ensino de religiãonas escolas, falam que somos ateus materialistas e que queremos proibir a bíblia.

“Quando defendemos programas sociais para o povo pobre, eles falam em assistencialismo e estímulo à preguiça,
quando defendemos pesquisas com células-tronco para a cura de doenças, eles falam que estamos ameaçando as leis divinas;
quando bradamos contra o machismo eles dizem que essa é a tradição brasileira;
quando queremos investigar os crimes da ditadura eles nos acusam de revanchistas. (…)

“O pior de tudo é que vez por outras surgem pessoas tidas como de “esquerda”, que em tese deveriam estar ao lado de causas libertárias, assimilando esse tipo de discurso, como a presença de deputados do PT em manifestações públicas contra os homossexuais e contra o direito da mulher fazer aborto. (…)
“Seria bom que todas pessoas pudessem ler o livro “Preconceito Lingüístico” e outros do professor da UNB Margos Bagno (pode-se baixar na internet). Para os conservadores de plantão, a avançada idéia do MEC de se contrapor à ditadura da “gramática culta” seria estimular a ignorância entre os alunos, quando o objetivo vem a ser exatamente o contrário.”

O povo brasileiro ainda possui no mais profundo de sua alma reservas de bom senso e de moralidade que o fazem reagir contra todos os fatores de dissolução social e religiosa.

Conheça alguns números da ação da Santa Sé em 2010. Interessante!


“A atividade da Santa Sé” é um grosso volume que todos os anos dá conta dos atos realizados pelo Papa e pela Cúria Romana. É uma “publicação não oficial”, como especificado na capa, não obstante contenha não poucas informações, às vezes curiosas, que não estão disponíveis em outras fontes vaticanas.
Para verificá-lo basta folhear a última edição, relativa às atividades de 2010, que foi recentemente impressa pela Libreria Editrice Vaticana (pp. 1343, € 80).
Nela vimos a saber, por exemplo:

  • Que no último ano, a seção disciplinar da congregação para a doutrina da fé abriu 643 procedimentos, dos quais 82% dizem respeito aos “delicta graviora” (em que se encaixa o abuso sexual de menores praticado por clérigos), 8% de “delitos contra a fé”, 3% de “casos de aparições” e 7% de questões de vários gêneros.
  • Que no mesmo período, a congregação para o culto divino e a disciplina dos sacramentos tratou de algumas centenas de casos relativos à solicitação de dispensa papal a fim de desposar depois de um matrimônio “rato mas não consumado”. Dispensa que foi concedida em 301 casos e negada em 2.
  • Que a congregação para a evangelização dos povos concedeu, através da pontifícia obra da propagação da fé (cujo fundo de solidariedade todavia foi “notavelmente” reduzido por causa da recessão econômica), mais de 85 milhões de dólares de auxílios às dioceses em território de missão. Outros 30 milhões foram ainda distribuídos através da pontifícia obra São Pedro Apóstolo. E outros 19 milhões através da pontifícia obra da infância missionária.
  • Que a Rota Romana, cuja jurisprudência serve de modelo para todos os tribunais eclesiásticos do mundo, no ano judiciário de 2010 emitiu 175 sentenças definitivas no tocante à nulidade matrimonial, a maioria das quais (93 contra 82) favorável à nulidade.
  • Que o pontifício conselho para os textos legislativos, sob indicação do papa, constituiu quatro grupos de estudo em vista de uma possível revisão de algumas matérias do código de direito canônico, relacionadas a questões de direito penal, direito processual, direito matrimonial e direito patrimonial, e às relações entre o código da Igreja latina e o das Igrejas orientais.
  • Que foi constituída uma comissão mista, com peritos da comissão “Ecclesia Dei” e da congregação para o culto divino, para a “atualização” das memórias dos santos e a “possível inserção de novos prefácios” no missal romano pré-conciliar de 1962, ao qual Bento XVI deu plena cidadania em 2007.
  • Que a elemosineria apostólica, em resposta a quase sete mil cartas de pedido de auxílio provenientes de indivíduos e famílias, doou “com discrição” e “quotidianamente”, em nome do papa, uma soma “próxima a um milhão de euros”. Soma inteiramente coberta com as contribuições recebidas pelos pergaminhos com bênção apostólica solicitados pelos fiéis: 115.500 pergaminhos entregues diretamente pela elemosineria e 112.000 distribuídos através de quase oitenta entes conveniados.

Fonte: Chiesa.espresso.repubblica.it

Entendendo a Inquisição


Este assunto continua sendo uma das "armas" preferidas pelos que gostam de atacar a igreja, mesmo sem nenhum conhecimento de causa. E você, sabe o que foi a inquisição, e porque ela existiu?


Que imagens nos vêm à mente quando pensamos na palavra “Inquisição”? Confissões arrancadas sob tortura e pessoas inocentes sendo queimadas na fogueira, como hereges.

É comum ouvirmos graves acusações contra a Igreja toda vez que se toca nesse assunto. Muitos acham que a Igreja, se cometeu atrocidades no passado, não merece crédito hoje. E por desconhecer a história, muitos católicos não sabem o que responder. A primeira coisa a perguntar para quem critica a Igreja por conta da Inquisição é: que livro você leu sobre o assunto? - Muitas pessoas têm o péssimo hábito de afirmar coisas das quais ouviram falar, viram em algum filme ou leram numa revista sensacionalista. Não negamos que a Inquisição cometeu abusos, mas é preciso conhecer a verdade dos fatos antes de formar opinião. Neste artigo, buscamos lançar luz sobre a questão, com fundamento na história real.

Para começar a entender a questão, é fundamental conhecer o contexto mental, histórico, cultural e político da época. O maior de todos os erros ao se analisar este assunto é querer julgar fatos ocorridos há séculos usando os nossos padrões de moral de hoje.

A mentalidade, os valores éticos e os conceitos de moral mudam e progridem com o passar do tempo. Sem a consciência de que a moral humana evolui é inviável analisar acontecimentos antigos. Tomemos como exemplo o Antigo Testamento da Bíblia: os hebreus aplicavam a pena de morte por apedrejamento (Dt 21 18-21) a todos os que desobecessem a lei de Moisés, e até mesmo aos filhos desobedientes!

Nos dias de hoje, uma pena dessas seria vista como desumana, hedionda. Mas naquela época, dentro da mentalidade e da cultura daquele período histórico, era considerada um ato de justiça. O tempo passa e os conceitos de moral e justiça vão se aperfeiçoando. E é Deus mesmo que nos dá a consciência e a capacidade intelectual para que possamos evoluir e viver cada vez mais e melhor o Caminho de Salvação, preparado para toda a humanidade e cumprido plenamente em Cristo Jesus. Primeiro ponto: a Inquisição existiu num período histórico muito diferente do nosso, com padrões de moral e justiça completamente diferentes dos atuais. Diga-se que os traidores do rei eram punidos com a pena de morte. Então, pensavam, o que mereceriam os traidores de Deus?

Outro erro grave é imaginar que a Inquisição Católica foi a única inquisição religiosa que existiu. Responda rápido: que instituição religiosa condenou mais de 300 pessoas pela prática de bruxaria, decretando tortura e pena de morte na forca às célebres bruxas de Salem? Que instituição religiosa levou à morte mais de 30.000 camponeses anabatistas na Alemanha? Sob que ordens o médico espanhol Miguel Servet Grizar, descobridor da circulação sanguínea, foi condenado a morrer na fogueira? Quem mandou para a fogueira mais de mil mulheres escocesas, num período de seis anos (1555 - 1561)?[1] Sem dúvida muita gente diria, sem medo de errar, que a resposta para todas essas questões é a mesma: a Igreja Católica.

Resposta errada. Todos esses crimes foram cometidos pelaInquisição Protestante, que quase nunca é mencionada pelos críticos da Igreja Católica, principalmente porque esses críticos são quase sempre protestantes! Grupos da Inquisição Protestante esfolaram vivos os monges da Abadia de São Bernardo, Bremen, e depois passaram sal em suas carnes vivas antes de pendurá-los no campanário do mosteiro[2]. Em Augsburgo, em 1528, cerca de 170 anabatistas foram aprisionados por ordem do poder público protestante, sendo que muitos deles foram queimados vivos e outros marcados com ferro em brasa nas bochechas ou tiveram a língua cortada.[2] O teólogo protestante Meyfart descreveu a tortura aplicada pela inquisição protestante, que ele presenciou, qualificando-a como uma “bestialidade”[2].

A Inquisição Católica foi estabelecida na França, pelo Papa Gregório IX, em 1231, para combater a heresia cátara, uma seita cuja doutrina contrariava todos os princípios que os Evangelhos e a Igreja sempre defenderam desde o início do cristianismo. Foi uma das maiores ameças à Igreja de todos os tempos.

Os cátaros eram contra a procriação e o Matrimônio. Consideravam malditas as grávidas, defendiam o suicídio por inanição, pregavam a renúncia radical aos prazeres, negando a Igreja e o culto religioso. Viam o corpo como coisa ruim (uma manifestação do mal), e ensinavam a salvação através de um ciclo de reencarnações, e não por Jesus Cristo[3].

Os cátaros ensinavam que nossos corpos e o mundo material tinham sido criados por um deus mal, e que o homem não devia se reproduzir. Segundo alguns autores, chegavam a matar mulheres grávidas com punhaladas no ventre. Para o catarismo, dois princípios eternos dividem o Universo: um bom, criador do mundo dos espíritos, e um mau, criador do mundo terreno4.

Como todas as heresias, o catarismo afirmava que a sua doutrina era o “verdadeiro cristianismo”, usando alguns termos e conceitos cristãos, mas distorcendo seus significados e renegando os dogmas. Viam a Cristo como um “anjo caído” e negavam a Ressurreição do Senhor, rejeitando todos os Sacramentos. O aborto e o suícidio eram princípios básicos desses hereges[4].

O catarismo se expandiu muito: dominaram o Languedoc, a Provença, influenciaram o nordeste da Espanha, a Lombardia, a Itália, a atual Yugoslávia e os Bálcãs. Passaram a ameaçar o domínio da Igreja na Europa, e o problema cresceu. Combatidos pelo Estado, os cátaros se ocultaram, mas continuaram difundindo suas ideias[5]. A Inquisição surgiu para garantir a sobrevivência da Igreja na luta contra essa e outras heresias.

Sobre a tortura, que era imposta pelo Estado, e não pela Igreja: a Inquisição foi a primeira instituição jurídica no mundo a declarar que as confissões sob tortura não seriam válidas para a condenação de alguém. A Inquisição exigiu que a tortura fosse limitada, e que deveria ser usada apenas para a obtenção de informações, e não como instrumento de punição. Que não poderia violar a integridade física da pessoa; que deveria ser limitada a no máximo meia hora, que deveria ser assistida por um médico e que jamais poderia se repetir[5].

O recurso da tortura, usado nos tribunais laicos, não era constante na Inquisição, que recorreu muito raramente a esse procedimento: ao todo, menos de 10% dos processos usaram tal método[6]. A Inquisição impôs uma regra que proibia aos eclesiásticos derramar qualquer gota de sangue dos réus, e confissões obtidas sob tortura perderam a validade. No fim, o tribunal religioso condenou pouco[6].

Notemos como a verdade histórica é diferente daquela que vemos nos filmes de Hollywood (EUA = protestantismo). Os fatos surpreendem os leigos, acostumados a ouvir grandes e absurdos exageros a respeito desse assunto. A Inquisição também tinha por finalidade controlar os excessos de violência cometidos pelo Estado[5].

Sobre a Inquisição espanhola, a mais temida, é preciso saber que ela foi principalmente uma instituição civil não controlada pela Igreja, e que a própria Igreja censurou e tomou medidas contra ela[7]. Também é fundamental saber que quase tudo o que se divulgou a respeito da Inquisição espanhola é fruto de calúnias difundidas pelo ex-padre Juan Antonio Llorente, um apóstata que produziu documentos sobre a inquisição na Espanha com o interesse de ajudar a França de Napoleão a dominar aquele país. Llorente queimou todos os documentos que usou, para que não se descobrissem falsificações[7].

Poucas pessoas conhecem esses detalhes importantíssimos a respeito da história, mas são muitos os que se acham qualificados para criticar a Igreja sobre esse assunto, imaginando que já sabem tudo o que é preciso para expressar opiniões equivocadas, mesmo sem conhecer nada das fontes realmente históricas...

Além de tudo, os métodos aplicados pela Inquisição eram mais humanos que os da autoridade civil da época: um notário transcrevia o processo, os acusados não ficavam presos durante o inquérito, podiam recusar um juiz e apelar para Roma contra alguma decisão do tribunal[6].

Fato: as ações repressoras da Inquisição foram bem menos implacáveis que as civis. Por que, então, se mantém uma imagem tão terrível do Santo Ofício? Por vários motivos, mas foi sobretudo o fanatismo do inquisidor espanhol Tomás de Torquemada (século XV), que ficou gravado na memória. Daí veio o protestantismo no século XVI, o antipapismo anglicano, o iluminismo e o anticlericalismo dos séculos XIX e XX... Um conjunto de eventos e adversários da Igreja que pintaram um quadro pavoroso da Inquisição, que, mesmo sendo falso, ainda repousa na mentalidade do nosso tempo.

Fontes bibiliográficas:

1. DANIELS, Estele. Wicca Essencial. São Paulo: Pensamento, 2001, p.324;
2. CAMMILIERI, Rino. La Vera Storia dell´Inquisizione, Piemme: Casale Monferrato, 2001;
3. GONZAGA, João Bernardino G. A Inquisição em seu Mundo. São Paulo: Saraiva, 1993;
4. AYLLÓN, Fernando. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997;
5. WALSH, William T. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963;
6. Revista História Viva nº 32 - especial Grandes Temas / A Redescoberta da Idade Média, São Paulo: Duetto março/2011;
7. FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977.

Aceite somente a Jesus como seu Salvador



 
O inimigo tem suscitado revolta no coração dos jovens, e até adultos, contra seus pais. Não existem pais perfeitos, é claro; se não erraram agora, erraram no passado; se não o fizeram no passado, o farão agora. E o inimigo de Deus, a partir desses erros, cultiva a mágoa no coração dos filhos, que passam a não aguentá-los, a não suportar a voz deles; tudo em casa passa a irritá-los, a atrapalhá-los e o consolo é procurado na rua. Isso é sujeira do maligno porque ele sabe que a coisa mais preciosa que temos é a família;mais do que de leite materno, precisamos deamor e carinho do pai, da mãe. Não admita essa revolta; esteja ela em que ponto estiver, transforme-a em afeto. Abra as portas do seu coração e da sua casa à salvação.

Em geral, tomamos a justiça apenas no sentido de castigo aos errados; essa é apenas uma parte. A maior justiça é dar razão a quem a tem, aos certos. Jesus virá para fazer justiça aos Seus filhos; como consequência disso, Ele terá de expulsar aqueles que sujaram este mundo, que emporcalharam a casa de Deus, que pegaram Seus filhos, jogaram-nos no chão e pisaram em cima deles.

É preciso receber Jesus como Deus, como Rei, como Senhor. Não é um peso obedecer ao Senhor; ao contrário, é paz, é libertação, alegria, amor, realização; coisas que, quanto mais nos aproximamos de Deus, tanto mais as experimentamos.

Não deixe para depois. Se você já estava nos caminhos de Deus, é hora de reforçar essa aliança; se já tinha se enfraquecido, retome a fé; e se estava longe de Deus, desanimado, aproxime-se, seja bem-vindo. Aceite-O como Salvador.

Imagine que você está se afogando em um rio sujo, enlameado, e o Senhor joga uma corda para salvá-lo. O que você faz? Despreza a corda? Não, você se agarra a ela, por já não aguentar a correnteza. É hora de você se agarrar à "corda" que Jesus lhe joga e deixar que Ele o salve. Isso é que significa aceitar Jesus como Salvador.

Ao recorrer a outros senhores que não a Deus na esperança de encontrar soluções para o casamento, as finanças, as doenças, estamos nos contaminando e contaminando aqueles com quem convivemos e a quem amamos. Devemos renunciar a isso, confessar e ser libertados.

(Trecho extraído do livro "Caminho para a Santidade" de monsenhor Jonas Abib)

A orientação sexual na adolescência - Ensinemos aos jovens o autocontrole de suas paixões



A orientação sexual na adolescência ganha cada vez mais importância. Mais do que transmitir que sexo por sexo é fuga e sexo com consciência é amor, discutir as formas de relacionamento entre adolescentes é também uma das grandes preocupações da sociedade. Causa estranheza observar o descaso e o desrespeito com que o assunto ainda é tratado. Nem é preciso ser um especialista para perceber a discrepância das atitudes.

A sociedade vem se preocupando em proporcionar segurança e liberdade sexual para os adolescentes, mas não consegue orientar adequadamente os representantes do futuro da nação sobre o assunto. Isso sem contar a forma com que o tema é tratado na mídia, principalmente em novelas, filmes nacionais e em programas de auditório. Sem contar que, associada à distribuição gratuita dos preservativos e da abortiva “pílula do dia seguinte”, a liberdade de atos sexuais entre adolescentes torna-se cada vez mais normal, como um incentivo à promiscuidade.

O ser humano não deve ser considerado apenas como um corpo. Sua alma necessita de afago. A simples promoção de sexo acintoso, sem responsabilidade e sem compromisso, também incita consequências trágicas como milhões de meninas gerando filhos, sendo violentadas, prostituindo-se à beira das estradas, crianças abandonadas por pais e mães despreparados para formar uma família e postadas em faróis à procura do sustento de cada dia. É claro, quem planta vento colhe tempestades.

A moral e a ética exigem que ensinemos aos jovens o autocontrole de suas paixões intensas. Que devem vencer a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis com atos responsáveis e não pelo uso da camisinha. João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha: “Além de o uso de preservativos não ser 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana […]. O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo […]. O preservativo oferece uma falsa ideia de segurança e não preserva o fundamental”.
Devemos incentivar a formação de famílias com conceitos, raízes e sentimentos puros e morais. Conservadora ou não, a família é o sustento do espírito e a fonte de conforto nos anseios individuais.

A sociedade, de maneira geral, deve ter mais cuidado com o que simplesmente “controla a transmissão de doenças e evita filhos indesejados”. Ela deve transmitir princípios e valores por intermédio da orientação, em busca do resgate das origens e do respeito à moral e à ética.

A satisfação do sexo não está restrita ao corpo, ela deve estar atrelada ao coração, espírito e mente.

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Sexo na adolescência

Homilia Diária - 14.09.2011 - "Que Jesus transforme nossa mera curiosidade em fé"

Quando Jesus abria a boca para falar, suas palavras tornavam realizáveis os seus gestos e as ações testemunhavam quer as suas palavras quer a sua proveniência. E então todos – em todas as cidades – ouviam falar d’Ele. E a grande maioria tinha imensa curiosidade em conhecer a Jesus.
É neste contexto que aparece a passagem de hoje. Constatamos que até Herodes ficou admirado com o que se falava a respeito de Jesus. Provavelmente, contaram sobre o milagre de Caná, das curas dos doentes, da multiplicação dos pães. Por fim, tudo o que parecesse sobrenatural deixava Herodes perplexo e até supersticioso! Eis a razão porque pensou logo em João Batista, Elias e os profetas antigos que, uma vez mortos, julgava terem ressurgido.
A dúvida de Herodes fala mais alto: “A João, eu mesmo mandei cortar a cabeça. Mas, quem será então esse homem de quem ouço falar essas coisas?”
A certeza da ressurreição era comum entre os fariseus em oposição aos saduceus, que não acreditavam na ressurreição. Historicamente falando – e segundo esta crença farisaica – os que morreram piedosamente, justos diante de seu Deus, ressuscitariam voltando a viver nesta mesma terra, porém, em um reino de glória completamente sob o domínio de seu Deus. Mentalidade que mais tarde haveria de iluminar a compreensão da ressurreição de Jesus por parte de seus discípulos judeus.
Mas voltemos ao texto de hoje. Lucas conclui dizendo que Herodes “procurava ver Jesus”.Isto para ter certeza dos sinais e prodígios que ouviu falar sobre Cristo.
Posteriormente, quando Jesus é levado diante de Herodes na Sexta-feira Santa, ele quer ver Jesus realizar alguma “mágica”. Mas Jesus não dirige sequer uma palavra para ele. Herodes não merecia nem uma palavra de Jesus. A arrogância dele era desprezível, literalmente. E por isso, Jesus não realizou nenhum milagre diante dele.
Ter a curiosidade “só de ver” e não acreditar no que se ouve dizer – e no que se vê e se apalpa – não tem importância.
Veja que os apóstolos – diferentemente de Herodes – anunciam aos outros a experiência que fizeram do Cristo ressuscitado: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam no tocante ao Verbo da vida – porque a vida se manifestou e nós vimos e testemunhamos, anunciando-vos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada – o que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos a fim de que também vós vivais em comunhão conosco. Ora, nossa comunhão é com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas para nossa alegria ser completa” (1 Jo 1,1-4)
Quero lhe fazer uma pergunta: Por que você quer ver a Jesus? Até Herodes queria ver Jesus, de tanto que ele ouviu falar. Normalmente, quando ouvimos falar muito de alguém, ficamos curiosos para conhecê-lo. Você já ouviu alguém lhe dizer: “Ah, então você é o…, ouvi muito falar de você” E então você pergunta a esta pessoa: Você ouviu falar bem ou mal de mim?
Lembre-se que a fama de Jesus se espalhou e todos vinham ver a palavra do jovem pregador que tinha tanto amor. Ele fazia todas as pessoas felizes.
E você? Que fama tem? Jesus não só quer ouvir falar muito de você, como também está sempre por perto, pronto para ajudar, caso você precise e peça a ajuda d’Ele. Ele espera ver sua felicidade e, também, ver você fazendo a tantos outros mais felizes. Esta é a fama com a qual Cristo atraiu multidões – e até o próprio Herodes. Faça aos outros felizes e você será feliz hoje e sempre.
Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Documentos secretos da Stasi: Ratzinger, “um feroz opositor” - Polícia secreta da antiga Alemanha Oriental espionou futuro papa



Por Edward Pentin
ROMA, segunda-feira, 19 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Em 1974, um Trabant sacolejava pelos campos da Turíngia, na Alemanha Oriental. Ao volante sentava-se o padre Joachim Wanke, assistente do seminário local, o único da Alemanha comunista. De carona, o professor Joseph Ratzinger. Os dois padres, escreve Rainer Erice, jornalista da rádio alemã Mitteldeutsche Rundfunk Thüringen (MDR), faziam uma excursão às históricas cidades de Jena e Weimar. Era um momento de descanso na breve visita do padre Ratzinger à República Democrática da Alemanha, onde daria uma série de palestras a estudantes e teólogos de Erfurt.
O que deu importância à visita, porém, é que ela marcou o começo da vigilância da Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental, sobre o padre Ratzinger.
Que o professor Ratzinger foi espionado pelos informantes da Stasi já se sabia. Em 2005, revelou-se que os agentes da Alemanha do Leste tinham mantido arquivos sobre o agora eleito papa. Nesta semana, novos arquivos descobertos pelo MDR esclarecem um pouco mais o que a polícia secreta pensava do futuro pontífice e quem eram os informantes que o espionavam.
Os documentos revelam que, em 1974, aStasi era muito consciente de que o padre Ratzinger tinha futuro na Igreja, mas não havia espiões adequados para vigiá-lo. Tudo o que sabiam então, por um informante não oficial chamado Birke, empregado do bispo de Meissen, era que o professor Ratzinger tinha dado palestras sobre teologia moderna para estudantes e acadêmicos durante aquela visita.
Esforços renovados
À medida que o papel do professor crescia na Igreja, a polícia da Alemanha Oriental começou a se interessar mais pelas suas atividades, segundo o informe de Erice. Na época em que Dom Joseph Ratzinger, arcebispo de Munique, visitou Berlim, em 1978, para encontrar o cardeal Alfred Bengsch, presidente da Conferência Episcopal, o departamento de assuntos exteriores da segurança alemã oriental já tinha assumido a tarefa de espioná-lo com a ajuda de numerosos informantes não oficiais em ambas Alemanhas.
O serviço secreto da RDA considerava o professor Ratzinger como “conservador, reacionário e autoritário”, escreve Erice, e assumia que João Paulo II encarregara o então cardeal de organizar “a contrarrevolução na Polônia”. Outros documentos da Stasi revelam que Ratzinger era considerado “um dos mais ferozes opositores ao comunismo”; achavam que ele apoiava a dissuasão nuclear entre os blocos militares do Leste e do Oeste e que considerava o pacifismo “pouco realista”.
Mas Erice acrescenta que, apesar das “centenas de páginas” sobre Joseph Ratzinger, havia “pouca informação significativa”, e os informes individuais de espionagem estrangeira foram “destruídos quase na totalidade”. Os documentos descobertos se relacionam somente com “a informação básica do autor e o motivo pelo qual a informação foi reunida”.
Os documentos, no entanto, revelam detalhes interessantes sobre os agentes da Stasiencarregados de informar sobre Joseph Ratzinger. Erice escreve que “havia ao menos uma dúzia de empregados não oficiais” encarregados dessa tarefa. Estavam no grupo dois professores universitários da Alemanha Oriental considerados pela Stasicomo “de confiança”: o agente “Aurora”, professor de ateísmo científico em Jena e Warnemünde, e o agente “Lorac”, que trabalhava como professor de teologia em Leipzig. Além deles, o agente “Georg” estava no comitê executivo da Conferência Episcopal de Berlim e, aparentemente, era bem informado sobre os assuntos internos da Igreja.
Na Alemanha Ocidental, a rede da Stasi incluía um monge beneditino em Trier, cujo codinome era “Lichtblick” (Raio de Esperança). Lichtblick espionou para a Stasidurante décadas e, segundo Erice, “fez informes extensos e fiáveis sobre os acontecimentos no Vaticano”. Outro agente não oficial conhecido como “Antonius” era um jornalista da agência católica alemã de notícias, aKNA, que enviou para a Stasi vasta informação sobre o papa, o cardeal Ratzinger e o Vaticano.
Outro jornalista foi contratado em Munique com o codinome “Chamois”, enquanto um espião especialmente importante era um político da União Social Cristã e antigo confidente de Franz Josef Straus, que fora líder desse mesmo partido. O agente era chamado de “Lion” e “Trustworthy”. A rede ultrapassava as fronteiras da Alemanha. Na Itália, a Stasi empregou o agente “Bernd”, que fornecia informação sobre a política exterior da Santa Sé.
Tímido, mas encantador
Com todos esses informantes, a Stasi estava bem organizada quando Joseph Ratzinger viajou a Dresden em 1987, para um encontro com um grupo de católicos. “A Stasi fez um grande esforço para vigiar o encontro”, diz Erice, esforçando-se para que a vigilância passasse despercebida em especial na fronteira. “As forças de segurança receberam instruções para dar a ele um tratamento preferencial e educado quando cruzasse a fronteira”, dizem os informes, e acrescentam que incômodos como os registros de bagagem, usualmente aplicados aos visitantes ocidentais, “deveriam ser suprimidos”.
Apesar dos esforços, Erice diz que aStasicometeu erros básicos. Escreveu errado o nome da cidade natal do papa, Merkl em vez de Marktl. E, mesmo querendo retratá-lo negativamente, não conseguiram evitar algumas observações positivas. Além de louvar a sua grande inteligência, destacaram: “Ele pode parecer tímido no começo de uma conversa, mas tem um encanto que cativa”.
Bento XVI não é, evidentemente, o primeiro pontífice que passou boa parte da vida vigiado por agentes secretos. O beato João Paulo II foi espionado pela KGBe pela SB, polícia secreta polonesa. Segundo o estudo de George Weigel em seu recente livro “O final e o começo”, essas agências começaram a se interessar pelas atividades de Karol Wojtyla quando ele era bispo auxiliar de Cracóvia, em 1958.
Weigel recorda que, entre 1973 e 1974, as autoridades polonesas consideraram prender Karol Wojtyla com a acusação de sedição. A polícia secreta o perseguia em suas viagens e tentou comprometer os seus colaboradores mais próximos. E não foi apenas o papa quem esteve na sua mira: o próprio Vaticano também esteve.
“O que mais me surpreendeu foi a magnitude de seus esforços, que exigiram milhões de horas de trabalho e bilhões de dólares”, disse Weigel, em uma entrevista ao National Catholic Register no ano passado. “Também desconhecia a quantidade de vezes que as agências de inteligência soviética tentaram manipular o Concílio Vaticano II para seus propósitos e o quão inconsciente o Vaticano parecia ser disso (e continuou sendo até 1978).
As revelações dessa semana acontecem dias antes da visita de Estado que Bento XVI realizará à Alemanha, de 22 a 25 de setembro, que inclui uma visita a Erfurt. Nessa cidade, ele será recebido pelo atual bispo da diocese, seu guia na vista de 1974, Joachim Wanke.

Perseguição aos cristãos: um lado preocupante da JMJ 2011 - Aqui será assim?


A Igreja vive um momento difícil. A Eucaristia é depreciada, os Sacramentos são transgredidos, a humanidade vêm se distanciando de Deus a cada dia, e o pior: até mesmo dentro da Igreja, crescem grupos e movimentos estranhos à própria fé. Os princípios cristãos são desvirtuados, de tal forma que a Igreja vive uma crise jamais vista.
Em todo o mundo, cresce assustadoramente o perigo da islamização, que aos poucos vai tomando conta da Europa. O ateísmo também cresce e ganha adeptos. Na política, a ideologia ateia e marxista, que parecia morta e sepultada, mostra-se mais viva do que nunca: tomou conta do Brasil. Quanto mais avança a tecnologia e aumentam os confortos que a ciência moderna é capaz de proporcionar, mais aumenta a cegueira espiritual da humanidade. Muitos sacerdotes se perdem, e em torno de cada caso de desvio de algum clérigo, - mesmo os que não são comprovados, - a imprensa arma um grande circo. A mesma imprensa que se cala quanto à perseguição que os cristãos vêm sofrendo em todo o mundo.
Dentro deste cenário pavoroso, cristãos são perseguidos, - somente por crerem em Jesus Cristo, - em diversas partes do mundo. Aqui no Brasil, este país tão carente de cultura e educação, ainda tão alienado aos problemas do mundo, muitos não sabem que na Índia, neste exato momento, cristãos estão sendo perseguidos, torturados e assassinados, assim como em todo o mundo islâmico. Mas essas notícias não costumam aparecer no Jornal Nacional. E nem na imprensa internacional.
Na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) deste ano, na Espanha, os jovens peregrinos católicos foram afrontados por movimentos ativistas anticatólicos. Houve tumulto e agressões da parte de manifestantes favoráveis ao Estado laico e contra o financiamento público da visita do Papa Bento XVI e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) [1].
Após o protesto, que contou com a presença de milhares de pessoas, a polícia enfrentou participantes para desalojar parte do centro da cidade. Milhares de peregrinos de todo o mundo foram a Madri da JMJ 2011, e a atitude dos católicos foi exemplar. A oração é a melhor arma para lutar contra os inimigos de Cristo e as imagens que têm corrido o mundo atestam o heroísmo dos jovens que se ajoelham a rezar nas ruas em resposta às provocações (clique sobre as imagens abaixo para ampliá-las).


Ativista gay vocifera contra os jovens católicos que rezam


Freiras são insultadas nas ruas sem nenhum motivo



Jovem tampa os ouvidos e beija o Crucifixo diante dos berros insultuosos de um irado anticatólico



Contra os que levantam o terceiro dedo da mão, num gesto obsceno e ofensivo, jovens católicos respondem com mãos em forma de coração e Terços, sem medo de mostrar orgulho e amor à Santa Igreja e ao Papa.

Abaixo,  filme que trata da perseguição aos cristãos no mundo :




Fonte: VozdaIgreja.blogspot.com

André, o apóstolo que aprendeu a lição



No governo de Jesus, ele poderia ser o 'ministro das relações exteriores exteriores'


Estes dois irmãos, André e Pedro, acabaram dando a vida pela fé. Sabedores de que nem sempre haviam sido fiéis, pediram para ser crucificados de um modo diferente de Jesus.

Se Pedro foi nomeado primeiro Papa, André poderia ser considerado o “ministro das relações exteriores” no governo de Jesus.
Como podemos observar, as relações de fraternidade podem ser de grande ajuda em um grupo quando bem cultivadas. O segredo é exatamente este: cultivar pessoas, ou seja, saber criar condições para que cada uma seja como um grão de trigo jogado na terra. Depois de morrer para algumas dificuldades, o resultado é um fruto maduro. Mesmo as sementes mais difíceis, se cultivadas do jeito certo, podem dar um fruto bom.
Pessoas como André, hábeis para fazer amigos e aproximar pessoas, normalmente têm um defeito grave: a superficialidade nos relacionamentos. São espontâneas e logo no primeiro encontro deixam você a vontade, como se fossem velhos amigos. Mas não estranhe se, de repente, esta pessoa simplesmente desaparecer, ou pior, deixar de comparecer a um compromisso importante. Foi o que aconteceu com André, que simplesmente sumiu na hora da cruz.
Jesus soube educar André. Foi o primeiro apóstolo que conheceu e o primeiro que chamou. Foi seu braço direito em muitas ocasiões. Era um sujeito extremamente disponível e capaz, mas o Mestre não lhe deu a “chave do cofre” nem a gerencia da empresa. (…)
Para educar as pessoas em sua dificuldade é preciso dosar o poder que você concede a cada um dentro do grupo. Normalmente, pessoas como André exercem grandes influência, conhecem muitas pessoas e têm uma imensa rede de contatos. Você pode se tornar refém dessas pessoas, então, saiba manter o comando.
O fim da vida de André nos mostra que ele realmente aprendeu a lição. Permaneceu com toda sua habilidade de relacionamentos, pregando sem medo da morte. Testemunhos antigos de Jerônimo, Bernardo e Cipriano atestam que, antes de seu martírio, enfrentou o governador Egeias durante o julgamento, afirmando destemidamente que Deus era o supremo juiz. Foi condenado a ser crucificado como Jesus. Os historiadores dizem que mesmo na morte ele permaneceu sereno e forte. Era só mudar o seu discurso e seria libertado, mas a coerência falou mais alto. Conta-se que ele teria dito: “Ó cruz, extremamente bem-vinda e longamente esperada! De boa vontade e cheio de alegria eu venho a ti.”
artigo extraído do livro: Como liderar pessoas difíceis. A arte de administrar conflitos

Um olhar simples sobre todas as coisas - Padre Paulo Ricardo

Traumatizantes são as reações que temos diante dos acontecimentos

Nós falamos várias vezes sobre o olhar de Deus, Ele tem o olhar que nos cura. Muitas vezes, olhamos para a Hóstia Consagrada, mas é importante nos darmos conta de que o que nos cura é o olhar que o Senhor tem para nós.

Mas, neste texto, quero falar sobre o nosso olhar, existe o olhar de Deus sobre nós, mas se nós somos curados pelo olhar do Senhor, essa cura proporciona a nós um olhar curado, uma forma nova de olhar o mundo.

Ninguém traz uma lâmpada para colocá-la num lugar escondido ou debaixo de uma vasilha; coloca-a no suporte, a fim de que os que entram vejam a claridade. A lâmpada que ilumina o corpo é o olho (cf. Lc 11,33-34a). São Lucas era médico, mas também era pintor, fez diversos ícones da Virgem Maria, como nos ensina a Sagrada Tradição. Jesus diz que a lâmpada que ilumina o corpo é o olho, todos sabemos que o olho não tem luz própria, mas aqui Ele não fala sobre a biologia do nosso corpo, Ele revela o segredo da alma, existe uma forma de enxergar o mundo que nos ilumina e uma forma que nos leva às trevas, Ele fala da visão espiritual.

"Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz; mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas!35. Examina, pois, se a luz em ti não são trevas!36.Se então teu corpo estiver todo cheio de luz, sem traço algum de escuridão, ficarás totalmente iluminado, como acontece quando a lâmpada te ilumina com seu clarão" (Lc 11,34b-36). Ele fala de uma iluminação interior. O olho seria a janela da alma, essa abertura pela qual a luz entra no nosso interior, na nossa alma. Nós precisamos ter um olhar diferente sobre o mundo, isso faz a diferença.

Nenhum acontecimento na sua vida o traumatiza, o que traumatiza é a reação que você teve diante do acontecimento. Nós somos livres para reagir diante da vida. O que muda é nossa reação, não é o que você viveu, mas como você reagiu no que viveu. A diferença está no olhar de como você olha diante das realidades, diante do mundo. Sofrimento todo o mundo tem, mas como você reage diante da cruz da vida?

A maturidade humana se mede diante da capacidade que a pessoa tem de experimentar o sofrimento e transformá-lo numa coisa positiva. Existem dois tipos de adulto, aquele que sofre e se torna algo destruidor, transformando em coisas que fazem mal a ele (depressão), e aquele que sofre e é capaz de transformar aquilo em cruz que o leva à ressurreição.Ou você abraça sua cruz e corre para ressurreição ou você foge dela e morre esmagado por ela.

O olho é a lâmpada do corpo. “Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz”. Simples é ser sem dobras. Uma coisa complicada é uma coisa que foi dobrada, que não consegue se ver facilmente. Simples é uma coisa aberta, as coisas de Deus são simples, nós que somos complicados; o Altíssimo quer que tenhamos um olhar simples sobre as coisas. Eu quero ajudá-lo a ter um olhar simples sobre as coisas.

O que nos faz ter um olhar complicado diante das coisas é ficarmos olhando para nós mesmos; atitude do egoísmo. Vamos olhar o mundo com a simplicidade de Deus. Ele nos colocou neste mundo para preparar o céu, mas nos esquecemos disso e complicamos tudo. Esquecemo-nos dessa realidade e ficamos perdidos em nossa vida. Esta vida é muito simples. Jesus disse para Marta: “Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas, uma só coisa é necessária”, ou seja, prepararmos a nossa vida para Deus.

Eu sou padre para preparar o meu céu e ajudá-los a chegarem ao céu. Olhe para sua vida de uma maneira muito simples, de quem está preparando o seu céu. Minha vida seria muito complicada se eu, como sacerdote, estivesse preocupado com minha carreira, em ser bispo, ser famoso. Não adiantaria nada conseguir tudo isso e perder o meu céu. A simplicidade é preparar o meu céu.

Da mesma forma, para você que vai se casar: a felicidade existe, mas não será seu (a) esposo (a) que lhe dará a felicidade. Sua felicidade está em preparar o céu. Seu (a) companheiro (a) é alguém que o ajuda a ir para o céu. Jesus nunca prometeu felicidade a ninguém nesta terra. Mas no céu você terá a felicidade. Quem promete felicidade aqui é o diabo e ele sempre dá o inferno.

Esta vida é bonita, é boa, tem alegria, sim, para nos dar, mas a felicidade é sempre marcada por uma tristeza, o prazer é sempre empanado por uma dor, a vida é assim. Não há nada errado com sua vida, aqui existem coisas boas e bonitas, mas aqui é só um "tira-gosto", o "banquete" será no céu. Aqui nunca haverá felicidade completa; eu sou profundamente feliz por saber que isso aqui não é tudo. A vida é bonita, mas se ela for tudo ela se torna uma má notícia. O "tira-gosto" é bom, mas ele pesa no estômago. A vida é bela, mas queremos muito mais.

Jesus olhava para esta vida, dando a vida, nós precisamos dar a vida, amar. O que complica nesta vida é não enxergarmos o amor de Deus. Se você ama os outros, Deus o amou primeiro. O olhar complicado é da pessoa que não abre o olho para ver o amor de Deus em primeiro lugar. Muitos acham que amam primeiro e, então, se cansam de amar e querem somente ser amados. Isso é um olhar complicado. Abra o olho e enxergue que Deus o amou primeiro! Você responde ao amor de Deus amando as outras pessoas. Você já é amado. Se seu olhar for simples, você enxergará que já foi amado. Uma pessoa que não se sente amada é como um homem que possui trilhões em dinheiro no banco e fica na rua mendigado.

Se seu olhar é complicado a sua vida se tornará trevas e, dessa forma, viverá sem a luz que vem de Deus. Nós como cristãos podemos pedir a Deus um novo olhar, um olhar simples, para enxergarmos as coisas sem que elas nos destruam, sem que elas afetem o amor do Senhor em nossa vida. Jesus também sofreu, chorou, viveu a cruz. Não estou aqui propondo a "mágica da Poliana", que é uma menina da literatura que descobriu que sofreria menos se visse o lado positivo de todas as coisas; não é isso que estou propondo. O pecado continua sendo terrível, satanás continuará nos tentando para perdemos a vida eterna, mas faz parte do nosso arsenal de guerra ter um olhar simples.

Estou aqui para preparar o meu céu e a única forma de conseguir isso é amando os outros. Dizer que crer no céu atrapalha o amor é não entender nada de céu. Nós queremos a Páscoa do céu, mas não existe ressurreição se nós não abraçarmos a cruz. Examine como você está olhando a vida, se está olhando o "tira-gosto" como se fosse um "banquete", querendo da vida aquilo que ela não pode lhe dar. Se você mantém o foco no amor de Deus tudo muda.

Eu não sei o que será de mim amanhã, a vida muda tanto. Quando fui ordenado sacerdote nunca pensei que faria programa na TV, que teria um site na internet, eu pensava no meu sacerdócio de uma forma totalmente diferente. Pense se eu ficasse apegado aos sonhos de 19 anos atrás. Deus lhe dá circunstâncias diferentes.

As pombas são simples, pois elas voam reto, e sabem aonde vão chegar. Precisamos ter a simplicidade da pomba, mas a prudência da serpente, ela caminha de forma sinuosa e dribla os obstáculos. Tenha jogo de cintura, saiba refazer os seus planos em cima das cinzas de seus planos antigos. Deus preparou um lugar para mim no céu e lá há felicidade. Enquanto isso a felicidade daqui é sempre manchada por um pouco de tristeza, por isso precisamos viver a simplicidade da pomba e a prudência da serpente.