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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.




Por Luis Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,·visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eslováquia resiste e não retira auréolas dos Santos Cirilo e Metódio impressas nas moedas.


Resistindo a pressão da Comissão Europeia, o Banco Nacional da Eslováquia e a maioria da oposição a Eslováquia votou para que se mantenha o desenho original da moeda comemorativa da evangelização da Grande Morávia pelos dois irmãos e santos Cirilo e Metódio, grandes evangelizadores e construtores da cultura dos países eslavos.


Em 2013 a Eslováquia celebrará um grande jubileu pelo 1150º aniversário do início da missão na Grande Morávia dos santos e irmãos, Cirilo e Metódio.

Por esta razão, em maio de 2012, o Banco Nacional Eslovaco (NBS), anunciou um concurso público para o desenho da moeda comemorativa de 2 euros. Um total de 22 desenhos de 13 artistas foram admitidos e o resultado foi divulgado em junho pelo Comitê de Governo do NBS para a avaliação dos desenhos de moedas do euro da Eslováquia.

O primeiro prêmio foi dado a Miroslav Hric. Seu desenho representa os dois santos e entre ambos, em primeiro plano, uma dupla cruz–símbolo da Eslováquia–, que representa a importância de sua missão, que ajudou a assegurar a plena soberania e legitimidade da região da Grande Morávia como o primeiro Estado eslavo no centro da Europa.

A figura de São Cirilo levando um livro simboliza a educação e a Fé, enquanto que São Metódio aparece junto a uma igreja que simboliza a Fé e a Cristandade institucional.

Entretanto, o desenho original estava por ser modificado retirando as auréolas de santidade de suas cabeças e as cruzes de suas túnicas porque a Comissão Europeia e “alguns países” pediram à Eslováquia “eliminar alguns símbolos da moeda para cumprir com o princípio de neutralidade religiosa”.

Ao tomar conhecimento desta censura a Conferência Episcopal de Eslováquia emitiu um comunicado no qual não hesitou em utilizar a palavra “vergonha”: “a renúncia dos atributos chave relacionados conceitualmente com os santos Cirilo e Metódio, demonstra a falta de respeito pela tradição cristã da Europa”, comentou indignado o padre Jozef Kovaczik, porta-voz da Igreja na Eslováquia.

O comunicado acrescentou que a Igreja nesse país europeu ficou sabendo da retirada dos dois símbolos cristãos das moedas de 2 euros através dos meios de comunicação.

“Em 1988, antes da ‘Revolução de Veludo’, os fiéis da Eslováquia arriscaram suas vidas, pregando a doutrina dos dois santos. Realmente vivemos em um estado de direito, ou em um sistema totalitário, que nos dita que atributos podemos utilizar”, afirmava o sacerdote asseverando que a Eslováquia é um país católico.

Os santos Cirilo e Metódio são os evangelizadores do mundo eslavo e são além disso considerados “isoapóstolos” pelos cristãos ortodoxos. O Beato João Paulo II os nomeou Co-Padroeiros da Europa em 1980. Foram também sinal visível da união de toda a Igreja, Oriente e Ocidente.

Os santos inventaram o alfabeto glagolítico (cirílico) para traduzir a Bíblia e convertê-la em um grande meio de evangelização. É por São Cirilo que o alfabeto que usam algumas línguas eslavas, tem este nome.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Livro desmente de forma categórica acusações contra o Papa Pio XII em sua relação com os judeus perseguidos.



Por Beja Santos
“Os Judeus do Papa, O plano secreto do Vaticano que salvou milhares de judeus no Holocausto”, por Gordon Thomas, Casa das Letras, 2012, é uma reportagem altamente documentada sobre acontecimentos históricos que têm vindo a ser deturpados, numa tentativa de caluniar ou denegrir os esforços de Pio XII para salvar os judeus da sanha nazista, entre 1939 e 1945.
Em 1958, falecido Pio XII, Golda Meir, a ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, fez o seguinte elogio do Papa na Assembleia Geral das Nações Unidas: “Quando chegou o martírio terrível do nosso povo, na década do terror nazi, o Papa Pio XII elevou a sua voz pelas vítimas. A vida dos tempos que vivemos foi enriquecida por uma voz que se erguia, com grandes verdades morais, acima do tumultuo do conflito diário. Choramos um grande servo da paz”.
Finda a II Segunda Mundial, sucederam-se os ataques a Pio XII: “que nunca fizera frente a Hitler, que trabalhara em segredo com Mussolini, que se mantivera em silêncio durante o Holocausto, que odiara os judeus, que não os avisara de que estava prestes a ocorrer o extermínio em massa, que não publicara qualquer condenação do Holocausto”, etc. Depois, seguiram-se livros de escândalo, como a peça O Vigário, de Rolf Hochhuth, que apresentava o retrato de um pontífice ganancioso que guardou silêncio sobre o Holocausto, tal como o livro “O Papa de Hitler”, de John Cornwell.
Todos estes ataques tinham algo em comum, a saber: que Pio XII dirigira uma igreja institucionalmente antissemita. Que prestara pouca atenção ao assassínio de 6 milhões de judeus, etc. Claro está que outros historiadores e autores quiseram apresentar provas a refutar totalmente essas acusações. Isto, enquanto já havia provas que refutavam totalmente estas acusações.
A título exemplificativo, Pinchas Lapide, um antigo diplomata israelita escreveu preto no branco num dos seus livros que durante o pontificado de Pio XII, “a Igreja contribuiu para salvar pelo menos 700 000, mas provavelmente 860 000 judeus de uma morte certa às mãos dos nazis”.
Michael Tagliacozzo, indiscutivelmente a maior autoridade sobre os judeus romanos durante o holocausto refuta as acusações: “Calúnias sobre Pio XII. Sem ele, muitos membros do nosso povo não estariam vivos”.
Chaim Weizmann, que viria a ser o primeiro presidente de Israel, escreveu em 1943: “A Santa Sé está a dar a sua poderosa ajuda, onde pode, para mitigar o destino dos meus correligionários perseguidos”.
Em 1944, o rabi principal de Jerusalém, Isaac Herzog, enviou uma mensagem ao Papa: “O povo de Israel nunca esquecerá o que Sua Santidade e os seus ilustres representantes, inspirados pelos princípios eternos da religião que são os pilares da verdadeira civilização, fizeram pelos nossos infelizes irmãos e irmãs no momento mais trágico da nossa história”.
Esta admirável reportagem descreve-nos a personalidade de Eugenio Pacelli, já em cardeal camerlengo, estava em perfeita sintonia com o Papa Pio XI, que era manifestamente hostil ao antissemitismo do fascismo italiano e do nazismo. A Santa Sé começou a acolher os judeus romanos que tinham sido metidos às ordens de Mussolini, foi enchendo uma série de serviços com investigadores de primeira água, os edifícios pontifícios eram ocupados pelas famílias dos judeus.
A reportagem verifica o relacionamento entre a comunidade judaica de Roma e Pio XII, revela os nomes dos dignatários da Cúria que foram encarregados de acolher esta comunidade e de lhe prestar todo o auxílio. O primeiro discurso de Pio XII recuperou uma passagem na encíclica que ele tinha escrito para Pio XI intitulada “Com profunda preocupação”: “Aquele que exalta a raça, ou o povo, ou o Estado, ou uma forma particular de Estado, ou os detentores do poder, ou qualquer outro valor fundamental da comunidade humana – por mais necessária e honrosa que seja a sua função nas coisas terrenas –, quem quer que eleve essas noções acima do seu valor normal e as divinize alçando-as a um nível idolatra, distorce e perverte uma ordem do mundo planeada e criada por Deus; está longe da verdadeira fé em Deus e do conceito de vida conforme com ela…”. Acompanhamos o dia-a-dia no Vaticano, as tomadas de posição do Papa, apoiando a Igreja alemã contra o totalitarismo de Hitler.
Acompanhamos igualmente os canais diplomáticos quer dos Aliados quer alemães sobre a política papal, a entrada da Itália ao lado de Hitler na II Guerra Mundial, obrigou todos os parceiros a terem que contar com a intervenção do Vaticano. Por exemplo, os diplomatas acreditados do Reino Unido, França, Bélgica e Países Baixos foram instalados em território do Vaticano, o mesmo é dizer que cercados por forças hostis. Nomeadamente a partir de 1943, quando o fascismo italiano estava em vias de colapsar, a política pontifícia foi a de acolher na medida das suas possibilidades os judeus que iriam ser transferidos para os campos de concentração, isto enquanto em todos os países, e por ordem do Papa, os diplomatas da Santa Sé emitiam passaportes ou pagavam viagens para os judeus fugirem.
A reportagem ganha enorme vivacidade nesses momentos críticos em que os alemães vão buscar os judeus ao gueto de Roma e os serviços do Vaticano se desdobram no seu acolhimento. E surgiram novos problemas: muitos prisioneiros de guerra aliados caminhavam para Roma ao mesmo tempo que os exércitos do marechal Kesselring recebem instruções inequívocas para usar de mão de ferro em Roma. Fica-se depois a saber que Hitler pretendeu raptar Pio XII, acreditava que este rapto permitiria convencer a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de que estavam a travar a guerra errada e que deveriam juntar-se à Alemanha e derrotar a URSS. Encarregou o general Wolff, em Setembro de 1943, de elaborar um plano tanto para raptar o Papa como para saquear o Vaticano, há muito que os dirigentes nazis pretendiam ter acesso a alguns desses tesouros, uns, por motivos ideológicos, outros, para poderem pagar a continuação da guerra. O plano viria a ser rejeitado, os alemães temeram a reação popular, cedo a resistência italiana deu provas de ser contundente e sabotar objetivos alemães. Vemos como os alemães, de cabeça perdida, invadem território do Vaticano e como a Cúria reage; a rusga alemã ao gueto já tinha sido prevista por Pio XII que apoiou um plano de recolha dos fugitivos. Esse sábado negro é descrito como um dos momentos fulcrais da determinação do Papa.
E chega a alvorada da libertação, as lutas nas ruas de Roma, as explosões perpetradas pelos resistentes e a reação alemã através de execuções. O livro enumera o que aconteceu a todos estes protagonistas de um lado e do outro, de forma tocante. E a 20 de Novembro de 1945, Pio XII recebe em audiência 80 representantes libertados de vários campos de concentração alemães que lhe vieram agradecer a sua ajuda, este foi o primeiro de muitos tributos comoventes e eloquentes que Pio XII recebeu nos anos do pós-guerra. O Papa nunca se recompôs fisicamente dos esforços sofridos, irá manter-se com a sua saúde precária até 1958. Em 1952 encontra-se com Moshe Sharett, primeiro-ministro de Israel, que lhe disse: “O meu primeiro dever é agradecer-vos e, através de vós, à Igreja Católica, em nome de todo o povo judeu, tudo o que fizestes em vários países para salvar os judeus”.Nunca existiu, pois, o Papa de Hitler, mas sim aquele que mais perto esteve dos judeus e contribuiu para salvar centenas de milhares deles, dando o exemplo logo nos territórios

Preconceitos



Assim como eu e os milhares de leitores de minha coluna diária, todos possuímos preconceitos. Isso nem é de todo uma desgraça. Alguns de nossos preconceitos são tolos e, talvez, perniciosos, mas outros são, simplesmente, as regras necessárias pelas quais vivemos.
"Pré-conceito" significa pré-julgamento: ou seja, decisões a que chegamos rapidamente sem ter de pesar muito as provas. Assim, se os "pré-conceitos" que temos são sensatos ou insensatos, dependerá das fontes de nossas crenças e de nossas preferências mais arraigadas.
É claro que uma pessoa pode nutrir preconceitos tolos a respeito do tom da pele ou dos cabelos de outro ser humano ou sobre a natureza de sua religião. Mas também é verdade, como escreveu Edmund Burke (1729-1797), que por um sábio preconceito a virtude se torne hábito.
Dessa maneira, povos de inclinações saudáveis e de instrução moral decente alimentam um preconceito a respeito do assassinato. Quando ouvimos que foi cometido um homicídio, reagimos a partir de nossos pré-conceitos -- e é justo que o façamos. Não perguntamos se o homem assassinado era bom ou se o assassino tinha boas maneiras, ou (supondo que sintamos como se estivéssemos desferindo o derradeiro golpe) podemos conseguir escapar sem sermos notados. Diferente da personagem principal do romance de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), "O Idiota", não pesamos racionalmente os aspectos benéficos e nocivos de um determinado assassinato para então decidir se iremos eliminar outra vida humana.
Ao contrário, simplesmente obedecemos ao mandamento "Não matarás", caso sejamos pessoas normais. Ao tomarmos conhecimento de um assassinato, decidimos que independente das circunstâncias particulares, o assassinato é mau e que a justiça deve ser feita. Um preconceito sensato, adquirido desde cedo na vida, nos informa que o assassinato é algo proibido e que não deve ser tolerado por sentimentalismos.
Igualmente, somos capazes de manter uma decente ordem social civil porque a maioria de nós age com base em sábios preconceitos sobre roubo, crueldade e fraude. Não temos de titubear e tentar ponderar as possíveis perdas e ganhos que encerram atividades como a trapaça ou o espancamento do próximo. Se somos bons, a maioria das pessoas é boa por ter hábitos morais. Não temos de realizar uma espécie de cálculo todas as vezes em que somos compelidos a tomar uma decisão moral.
Instilamos, deliberadamente, preconceitos desejáveis desde o início da vida -- por exemplo, no ato de dar umas palmadas caso nossos meninos persistam em chutar as canelas de outros meninos. Pais prudentes, de modo acertado, criam suas crianças com preconceitos a respeito de pequenos furtos em lojas, de estilhaçar janelas e de atormentar os cães. Não ensinam aos seus rebentos a perguntar: "Será que alguém vai me assistir torturando aquele cãozinho?"ou "Não seria mais divertido que perigoso dar um jato d'água na Sally?"
Permitam-me acrescentar que pais saudáveis também tentam manter os filhos livres de falsos preconceitos. É uma questão de discriminação precoce, mas criar alguém completamente sem preconceito é educar de modo indeciso e totalmente imoral. Não é errado ser preconceituoso com trapaceiros, mentirosos, fanáticos e demagogos.
Traduzido do inglês por Márcia Xavier de Brito
O presente ensaio foi publicado originalmente no livro "Confessions of a Bohemian Tory: Episodes and Reflections of a Vagrant Career". New York: Fleet Publishing Corporation, 1963.
Fonte: CIEEP: Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

“Matrimônio” gay na França: Hollande respeitará objeção de consciência dos prefeitos do país.



ACI
O presidente da França, François Hollande, comprometeu-se ontem ante um congresso de prefeitos a que a lei do mal chamado “matrimônio” homossexual que ele impulsiona, inclua a cláusula de respeito à objeção de consciência para os funcionários que rejeitem casar a casais do mesmo sexo.
Conforme informa o jornal La Razón, Hollande disse ante o congresso da Associação de Prefeitos da França (AMF) que “os prefeitos são representantes do Estado e, se a lei for aprovada, deverão aplicá-la. Mas existem possibilidades de delegação e que podem ser ampliadas. E está a liberdade de consciência”.
O mandatário disse que o Estado deve respeitar “o laicismo e a igualdade” e precisou que “a lei se aplicará a todos no respeito da liberdade de consciência”.
O projeto de matrimônio de pessoas do mesmo sexo na França, apresentado pelo Governo no último dia 7, chegará ao Parlamento no final do próximo mês de janeiro, onde conta com o respaldo da maioria, embora alguns partidos também tenham expressado sua oposição.
Centenas de prefeitos enviaram uma carta ao presidente na qual asseguravam que se negariam a efetuar uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Do mesmo modo, no sábado passado, dia 17 de novembro, 250 mil pessoas saíram às ruas de 10 cidades da França em uma grande manifestação a favor do autêntico matrimônio, formado por um homem e uma mulher; e contra as uniões homossexuais.
Paris, Lyon, Toulouse, Rennes, Dijon, Metz, Marsella, entre outras, estavam lotadas por franceses que fizeram uma marcha pela defesa dos direitos das crianças a ter pai e mãe.
Em Lyon, desfilaram juntos o Arcebispo, Cardeal Philippe Barbarin, e o reitor da grande mesquita, Kamel Kabtane, quem assinalou que “compartilhamos os mesmos valores fundamentais e esses, devemos defendê-los juntos”.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Diversidade e identidade. A “marcha das vadias” e o Feminismo.



Sueli Caramello Uliano
Escrevi, há alguns anos, umas palavras que, penso, sempre conservarão a sua validade: “Grande e internacional é a mulher do 8 de março; poética e carinhosamente ovacionada é a do segundo domingo de maio. Duro mesmo é brilharem as duas numa só estrela, no miúdo dia a dia.” Mas estamos em julho e tratando da questão do feminismo, assunto que é bom manter sempre em evidência, já que é uma realidade cotidiana sobre a qual é imprescindível refletir.
Homens ou mulheres, ao verem desfilar autodenominadas “vadias” ( refere-se à marcha das vadias realizadas em várias cidades do Brasil) que se dizem contra a violência, mas são fortemente agressivas na sua manifestação, poderão alimentar uma certa crítica: “Vejam no que deu o tal do feminismo”. E, com isso, identificam a feminista com a vadia. Mas imagino que muitas mulheres que hoje se desdobram para dar conta da família e de um trabalho profissional fora do lar, ou solteiras que estudam e trabalham, ao verem um artigo de jornal intitulado “Nós, as vadias”, terão reagido imediatamente: “Nós, não! Vocês!”
Lutar contra a violência, principalmente quando é praticada contra os mais fracos fisicamente, sempre terá respaldo popular. Mas o despudor não tem esse respaldo porque expõe do ser humano apenas o seu lado de animal fisiológico, omitindo a pessoa na sua integridade, coisa que só a elegância pode preservar. Ser livre não é ser vadia. Ser livre é uma condição da pessoa, que traz consigo longa lista de responsabilidades, aspirações, direitos e deveres. Há que se discutir a questão em outro nível.
O feminismo, que iniciou o seu percurso há mais de 200 anos, buscando que se valorizasse a maternidade, serviu de etiqueta, na década de 60, para convencer a mulher de que dedicar-se a filhos seria abortar a sua vida profissional.
E, na esteira de uma insustentável imitação do modo masculino de ser, promoveu que a mulher imitasse o seu suposto carrasco nos vícios mais vulgares, principalmente em uma prática sexual sem compromisso com a família. Mas o tempo foi passando e os pilares ideológicos, como sempre têm os fundamentos falsos, perderam a sua sustentação e a mulher entendeu que a maternidade pode conviver com uma vida profissional fora do lar.
Mais que isso: a reflexão sobre esse conflito que se impôs à mulher acabou por revelar que esse é um conflito de todos. Todos precisam do aconchego do lar – inclusive os homens! E as mulheres solteiras ou sem filhos (que sempre serão maternais no modo feminino de doar-se aos outros) também! Todos precisam de um tempo para si, para o seu crescimento pessoal, que a vida profissional fora do lar não tem o direito de usurpar.
Detesto o viés feminista que vê o homem como um inimigo da mulher. Não deve ser assim. A mulher, para valorizar-se, não precisa – e no fundo não quer – armar uma batalha contra o sexo oposto. Isso é desgastante e faz o jogo do inimigo que se dedica a dividir ideologicamente a sociedade. Homem e mulher precisam ser parceiros, colaboradores, cada um contribuindo, com seu modo próprio de ser, na construção de uma sociedade mais justa, menos violenta, com direitos respeitados e sincero esforço por cumprir os deveres, como prioridade.
Verdadeiro feminismo hoje é o que busca a conciliação. Homem e mulher precisam refletir juntos sobre como conciliar vida familiar e profissional. Precisam, em um exercício constante de criatividade, descobrir como articular sonhos e aspirações, muito unidos na diversidade e sem prejuízo da própria identidade. A família humana só tem a ganhar.
Sueli Caramello Uliano, pedagoga, é mestre em Letras pela USP e autora de Por um novo feminismo (editora Quadrante).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O que está acontecendo com a sociedade brasileira? Mensagem de Dom João Carlos Petrini, Presidente da comissão episcopal pastoral para Vida e Família da CNBB.



Publicamos a seguir mensagem de Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família da CNBB e Vice-Presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família – seção brasileira, sobre a situação da defesa da vida no território brasileiro.
***
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”(Jo 10,10)
Prezados irmãos e irmãs,
Durante a última Assembleia Geral da CNBB, ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relativa à legitimidade do aborto de crianças portadoras de anencefalia, foi decidido que a Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família (CEPVF) iria elaborar, com a participação do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (CONSEP), uma proposta para responder aos desafios que estavam evidenciando-se naquela circunstância. Na realidade, no cenário da sociedade e da cultura atuais, apresentam-se diversas formas de desrespeito e agressão à vida humana, que clamam ao céu (cf. EV 9; Gn 4, 9-10; Mt 23, 35) e que exigem dos pastores e fiéis das comunidades católicas uma resposta orgânica, sistemática e propositiva.
De fato, não é suficiente apenas evitar a aprovação de leis contrárias à vida e repetir normas que proíbem ações contrárias. Mesmo sem essas leis, a vida humana é quotidianamente ferida. Por outro lado, nossa tarefa de cristãos é valorizar o respeito, a promoção e a defesa da vida, quer com uma legislação favorável, quer contrária. Somos chamados a despertar sentimentos e atitudes de atração, de fascínio, de amor que acolhe e valoriza a vida, pela sua beleza, porque é o maior dom que recebemos do Criador.
Recordemos algumas situações:
a- O STF liberou o aborto de crianças portadoras de anencefalia.
b- Está em discussão o Projeto de Reforma do Código Penal que inclui entre suas normas a legalização do aborto, da eutanásia, da profissão de prostituto/a, entre outras.
c- O Ministério da Saúde está elaborando um modo de “diminuir os danos” à saúde da mulher, provocados por abortos clandestinos, legitimando e amparando, de fato, a realização do aborto, mesmo que a lei o considere crime (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1100945-governo-estuda-adotar-medidas-de-reducao-de-danos-para-aborto-ilegal.shtml).
d- A fecundação artificial (dita assistida) dá origem a uma nova vida em situação indigna de um ser humano. De fato, o novo ser não nasce de uma relação de amor, mas em laboratório. No entanto, cada ser humano tem o direito de nascer de um ato de amor entre um homem e uma mulher. Além disso, para cada gravidez encomendada, são produzidos diversos embriões (de 5 a 8), sendo aproveitados os mais bem sucedidos e destruindo os outros.
e- Centenas de adolescentes e de jovens, toda semana, perdem a vida por causa das guerras que se travam ao redor das drogas.
f- São alarmantes as situações de violência que afetam crianças, idosos, mulheres e agora também homens, em ambientes domésticos.
A lista poderia estender-se ainda muito mais.
O que está acontecendo com a nossa sociedade?
Muitos pensavam (alguns ainda pensam) que a sociedade moderna não precisa de religião, que as novas gerações poderiam realizar-se e conseguir sucesso e bem estar mais agilmente, ignorando a luz de Cristo e a sabedoria do evangelho, ignorando também o ideal da vida fraterna e da caridade que respeita e acolhe o outro.
Foi desvalorizado o entendimento segundo o qual a vida encontra realização e felicidade fazendo o dom sincero de si para o bem e a felicidade de outros, até com o sacrifício próprio (na família, na vida consagrada, na profissão, na política) (cf. Jo 10, 25; 15, 13; Lc 17, 33). Prevalece, agora, o privilégio dado ao próprio bem estar, mesmo com sacrifício dos outros (o aborto de um filho com anencefalia vai nesta direção).
A vida humana é avaliada pela sua utilidade, sendo descartada quando exige dedicação de tempo e de dinheiro, considerada mais uma mercadoria do que algo sagrado. A postura que a Igreja muitas vezes usou de proibir certas práticas ou condenar certas atitudes não tem o efeito esperado. Pelo contrário, parece que suscita irritação e distanciamento.  É necessário empreender uma grande educação popular, no horizonte da nova evangelização (cf. DGAE 2011-2015, p. 9), de modo que cada leigo engajado possa discernir as propostas e as situações que contradizem o Evangelho e o verdadeiro bem do ser humano, e seja capaz de dar as razões (cf. 1P 13, 15) pelas quais rejeita certas opções e se decide por outras.
A CEPVF, em comum acordo com o CONSEP, propõe a criação de Comissões de Respeito Promoção e Defesa da Vida em cada diocese, e, sempre que possível, em cada paróquia, organizadas pela Igreja, com a finalidade de:
a- Compreender as formas de agressão e desrespeito à vida que acontecem no território nacional, da diocese ou da paróquia.
b- Dar visibilidade a esses problemas na imprensa local, nas rádios comunitárias, ou através da elaboração de uma específica publicação.
c- Procurar evidenciar as razões para defender e promover a vida que possam ser aceitas inclusive por parte de quem se declara sem religião, na base da razão natural que compreende a dignidade da vida e reconhece os direitos universais.
d- Oferecer às próprias comunidades uma formação enraizada na Palavra de Deus e na Doutrina Social da Igreja, de maneira que cada um se torne um militante da defesa e da promoção da vida (cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil – DGAE – 2011-2015, n. 67).
e- Promover debates públicos, bem como nos meios de comunicação que são acessíveis, para criar mentalidade.
f- Estabelecer parcerias com Escolas públicas e privadas, através da elaboração de textos, vídeos e outros meios didáticos que visem à formação das crianças e dos adolescentes. Promover concursos de desenho, redação e outros, tendo como tema a defesa e a promoção da vida, especialmente por ocasião da Semana Nacional da Vida.
g- Suscitar debates nas câmaras municipais, nas Assembleias Legislativas, com a finalidade de sensibilizar um segmento da população mais difícil de ser atingido e que em geral influencia muitas pessoas.
Na medida em que nas maiores cidades de um Estado estão constituídas Comissões de Respeito, Promoção e Defesa da Vida, será fácil constituir uma comissão de nível estadual, com a participação de representantes de outras religiões, professores universitários, políticos etc.
Trata-se de defender a vida humana não somente contra as tentativas de ampliar a legitimidade de abortar, mas de promover a vida humana em todas as situações nas quais é ofendida e é ferida a sua dignidade inviolável (cf. DGAE 2011-15, n. 66 e 69). Basta lembrar as situações de trabalho escravo, de miséria extrema e fome, de abandono de crianças ou de idosos, de tráfico de pessoas, abuso de menores etc.
A CEPVF elaborou algumas sugestões práticas para a constituição das Comissões nas Dioceses e nas Paróquias. Essas sugestões são publicadas no subsídio “Hora da Vida”, nas páginas finais. Pedimos aos bispos, padres e leigos que tomem a frente desse movimento de evangelização e de educação popular que visa defender e promover a vida, sempre que é desrespeitada e oprimida, de modo a motivar lideranças qualificadas capazes de levar adiante com generosidade e com criatividade esta proposta.
Existem outros subsídios já elaborados que podem auxiliar, especialmente na etapa inicial da implantação da Comissão. A CEPVF está à disposição para auxiliar e orientar em tudo o que for possível.
Dom João Carlos Petrini é Bispo de Camaçari, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família da CNBB e Vice-Presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família – seção brasileira.
Contatos – e-mail: vidafamilia@cnbb.org.br; familia@cnbb.org.br; secren@cnpf.org.br; tel.: (61) 3443-2900; (61) 8155-5631; (61) 2103-8300

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Arcebispo de Los Angeles: A ameaça contra a liberdade religiosa nos Estados Unidos é real


WASHINGTON DC, 03 Jul. 12 / 10:54 am (ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos),  a maior arquidiocese do país, Dom José Horacio Gómez, assinalou que as ações propostas pela Administração de Barack Obama mostram que a ameaça contra a liberdade religiosa no país não é um exagero como alguns meios ou pessoas no Governo querem demonstrar.

Em sua última coluna publicada na página em espanhol do grupo ACI, o Prelado se referiu ao mandato que obrigará em 2013 que entidades católicas comprem planos de saúde que dão cobertura para a anticoncepção e o aborto. O bispo disse que este texto atenta contra a liberdade religiosa porque ameaça "nossa capacidade como cristãos individuais para vivermos da maneira que Jesus quer que vivamos" e a capacidade da Igreja para levar adiante sua missão.

Nesse sentido, disse ainda que a iniciativa dos bispos "Fortnight for freedom" (Quinzena pela Liberdade)", deve ser uma ocasião para que os americanos renovem sua "dedicação às liberdades fundamentais que fizeram os Estados Unidos tão excepcional. Se não o fizermos, corremos o risco de esquecer as lições da história e de esquecer por quê essas liberdades tão importantes".

"Como cristãos, também temos o dever de amar a liberdade e defender a liberdade que amamos. A história da Igreja nos ensina que temos que lutar por essas liberdades; elas nunca foram dadas aos cristãos gratuitamente", acrescentou.

Por isso, afirmou que a maior ameaça para os cristãos é "a própria indiferença, ou nosso sentimento de que esta luta realmente não nos diz respeito pessoalmente". Dom Gómez advertiu que a liberdade religiosa não um conceito abstrato, mas sim tem muito que ver com a vida diária.

"Verdade que hoje livres de ir à igreja, de ler nossas Bíblias, de orar em nossas casas, de ler publicações religiosas e de encontrar programação religiosa na televisão e a Internet. Mas a liberdade religiosa significa mais que isso, porque ser cristão significa mais que isso", afirmou.

Nesse sentido, destacou que a iniciativa "Fortnight for freedom" –que culmina no dia 4 de julho-, coincida com a lembrança de importantes Santos que morreram defendendo a liberdade religiosa.

"A quinzena começou na Vigília da Festa dos Santos John Fisher e Thomas More", que foram executados por não dobrar-se "às pressões políticas do rei Enrique VIII, que demandava que eles aceitassem sua ‘supremacia’ sobre a Igreja e que eles negassem os ensinos da Igreja sobre a santidade domatrimônio".

Também recordou São João Batista, "executado por um rei tirano por defender a lei de Deus sobre o matrimônio". Além disso, recordou "os primeiros mártires da Igreja de Roma" e a São Pedro e São Paulo, "os maiores desses primeiros mártires".

"Todos esses valentes homens e mulheres sofreram a morte por defender as liberdades que freqüentemente nós damos por garantidas. Todos eles usaram sua liberdade em Cristo para transformar suas sociedades. De dentro. Pela força do seu amor e seu exemplo. Cada um de nós estamos chamados à mesma missão na nossa sociedade", afirmou.

Por isso, convidou os americanos a pedir a intercessão desses mártires e para que "Nossa Senhora de Los Angeles que nos dê o valor para defender a liberdade da Igreja e nossa liberdade de consciência".

Europa restaura a “Roda” medieval para salvar os recém-nascidos.




A Alemanha e diversos países europeus apelaram para um sistema medieval visando salvar a vida de recém-nascidos, acolhendo-os no anonimato.

Trata-se da “Roda dos enjeitados”, ou “Roda da Misericórdia”, ou ainda “Roda dos Expostos”, criada na cidade francesa de Marselha em 1188, durante a Idade Média. 

Ela foi largamente usada no Brasil, onde ainda ficam algumas, porém fora de uso. A primeira foi aberta em Salvador em 1734, por determinação real, com o nome de Roda do Asilo do Santo Nome de Jesus. Seu uso se estendeu a todas as cidades importantes do Brasil até o século XX.

Embora o método seja criticado, muitas autoridades europeias reconhecem que todos os anos ele salva as vidas de dezenas de crianças. As críticas obedecem à antipatia visceral contra tudo o que é medieval, ainda quando é benéfico.

A Alemanha adotou o sistema (“Babyklappe” em alemão), visando salvar as vidas dos bebês que morriam de frio abandonados na rua. 

Antigamente a Roda funcionava em conventos e hospitais que eram dirigidos por religiosos ou religiosas. 

Roda de Misericórdia, Portugal
Roda de Misericórdia, Portugal
De fato, na Idade Média, hospitais, orfanatos e asilos eram mantidos gratuitamente pela Igreja Católica e por confrarias leigas por Ela aprovadas. 

Esse bom costume perdurou ainda nos séculos posteriores, sendo muito perseguido e diminuído pelo laicismo de Estado ligado à Revolução Francesa.

Nos séculos penetrados pela doçura da caridade católica, o tratamento dado às criancinhas abandonadas deixa envergonhados os sistemas modernos.

As Rodas eram giratórias, ficavam em locais discretos e a infeliz mãe não era vista. Religiosas e religiosos cuidavam bem das crianças, como se estas fossem o próprio Jesus Cristo. Velavam pela sua saúde, educação, pelo ensino de profissão no caso dos moços e do casamento no caso das moças.

Hoje estão sendo aplicadas melhorias técnicas como um dispositivo automático que toca uma campainha e liga o aquecimento indispensável no frio europeu. Infelizmente, faltam religiosas ou religiosas para atender a essas crianças que são tratadas por funcionários do Estado.

Entretanto, o Comitê das Nações Unidas para os Direitos das Crianças, que jamais ofereceu algum sistema melhor, voltou-se contra o retorno ao sistema medieval. 

A ONU, que tanto se tem empenhado pelos direitos humanos dos bandidos, alega que a prática violaria os direitos das crianças ao favorecer um retrocesso à Idade Média!

Roda dos expostos, Viseu
Roda dos expostos, Viseu
Gabriele Stangl, do Hospital Waldfriede, de Berlim, que administra uma “roda salva vidas” de crianças, reagiu com senso humanitário à absurda objeção da ONU. O costume tem o objetivo de evitar o pior: que mães desesperadas abandonem os recém-nascidos no frio.

Se os medievais acertaram melhor, bem-vindos sejam suas invenções e seus progressos.

Segundo Steffanie Wolpert, responsável pela “Babyklappe” de Hamburgo, no ano de 1999, antes do funcionamento da “Roda salva-vidas”, cinco bebês foram abandonados nas ruas, três dos quais morreram de frio. 

A Alemanha é o país que tem mais “Rodas” para receber bebês: 99. Hungria, Itália, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Lituânia, Bélgica, Holanda e Suíça também adotaram o sistema.

A caridade cristã inspirou realizações na Idade Média para as quais os homens se voltam hoje à procura de bom senso, humanidade e fé. Os adversários do Catolicismo, obviamente, não gostam de nada disso.

EUA: Carolina do Norte reforça casamento natural e proibe “casamento” homossexual”



Defensores do casamento tradicional enfrentaram à grande mídia
e ao establishment político nacional
Por 61% dos votos contra 39%, os habitantes da Carolina do Norte, nos EUA, aprovaram uma emenda à Constituição estadual definindo o casamento entre um homem e uma mulher como sendo “a única união doméstica legal que será válida ou reconhecida neste Estado”, informou a CWN.

A emenda previne que o legislativo estadual possa legalizar “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo ou uniões civis igualmente viciadas.
“Embora nosso estado já tenha uma lei que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nós somos bem conscientes, pelo que aconteceu em outros estados, que uma lei como essa pode ser anulada por iniciativas judiciárias ou legislativas” – escreveram os bispos católicos D. Michael Burbidge de Raleigh e D. Peter Jugis de Charlotte em carta que foi lida nas missas em toda a Carolina do Norte no domingo anterior à votação.

“É por isso que é tão importante para nós o voto para proteger o casamento tradicional e aprovar a emenda que estabelece essa definição como parte de nossa Constituição estadual. (…) Nós os instamos a juntar-se a nós para sustentar a vocação sagrada do casamento e tudo quanto esta definição significa para nós e para o futuro de nosso estado”, acrescentaram os prelados.
A vitória da emenda pelo verdadeiro casamento adquire ainda mais relevância por ter acontecido num estado onde os seguidores do Partido Democrata (esquerda) superam habitualmente os seguidores do Partido Republicano (conservador) por mais de 750.000 votos.

Numerosos líderes do Partido Democrata, entre os quais o presidente Barack Obama, o ex-presidente Bill Clinton e o governador Beverly Perdue, falaram contra a emenda pelo casamento normal, e a Secretaria de Educação emitiu uma declaração contra a proposta aprovada por larga maioria popular.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O “trono de ouro” do Papa e a caridade da Igreja. Uma resposta!




Blogueiro Jorge Ferraz
Voltou a circular no Facebook uma imagem retratando a suposta contradição entre a “opulência” do Papa sentado em um trono (alegadamente) de ouro e a miséria de uma criança passando fome na África. A imagem recente provoca mais comoção, imagino, por conta do olhar da criança: a foto mostra o menino faminto ostentando dois olhos enormes e brilhantes, no melhor estilo Gato-de-Botas, acrescentando assim à (já comovente, é lógico) tragédia uma apelo visual que faz com que seja impossível não se compadecer imediatamente. É uma obra-prima de propaganda, forçoso reconhecer.
Contudo, nem tudo o que reluz é ouro e nem toda boa peça publicitária divulga a verdade. Aliás, o que acontece neste caso é exatamente o contrário.
Sobre este assunto já se falou antes.  No entanto, fez-se uma confusão com as imagens que convém esclarecer.
O que se disse anteriormente (e que é verdade) é que nem mesmo a Cathedra Petri, encrustrada n’A Glória de Bernini, é de ouro. A obra do famoso escultor italiano é de madeira revestida por bronze dourado. Contudo, este não é o trono que aparece nas fotos divulgadas no Facebook, como qualquer um que compare as duas imagens pode ver.Aliás, creio que nenhum Papa se senta na Cathedra Petripor óbvias razões ergonômicas: a obra é alta e imponente, e é perceptível que foi confeccionada visando mais a razões estéticas do que ao uso prático quotidiano.

O trono no qual o Papa aparece sentado – e que NÃO é o de Bernini – é o Trono de Leão XIII. Sobre esta confusão falou extensamente o Caos & Regresso no início deste mês, e recomendo a leitura: tanto deste texto quanto do anterior lá linkado, mormente na parte específica sobre as riquezas da Igreja. O que realmente interessa nessa discussão – como eu respondi pela primeira vez a um amigo que me questionou – é que não importa o valor do trono no qual o Papa se senta, uma vez que ele (como aliás todas as riquezas da Igreja) pertence(m) não ao Papa enquanto indivíduo, mas sim à Igreja como um todo. As riquezas da Igreja estão lá não para conforto dos homens, mas para reverenciar a Deus. E o valor delas, conquanto fosse alto, seria ainda assim insuficiente para “comprar” um mundo perfeito porque, infelizmente, o egoísmo humano é maior do que toda a riqueza acumulada pela humanidade e uma terra sem males não está à venda. Portanto,

1) ainda que o Trono do Papa fosse de ouro maciço, o Papa não poderia vendê-lo porque ele não lhe pertence;
2) ainda que o Trono do Papa fosse de ouro maciço e o Papa o derretesse e vendesse, a fome do mundo não ia acabar com isso. Porque dinheiro se gasta e acaba, ao passo em que as pessoas têm fome todos os dias. Isto é tão evidente que dói ter que desenhar.
O que interessa é dizer que a Igreja – ao contrário desta galera que acredita estar colaborando com o futuro da humanidade ao divulgar no Facebook uma peça de propaganda caluniosa – é a maior instituição de caridade do mundo. A gente não costuma divulgar porque caridade é para ser feita sem alarde mesmo, mas existe um Dicastério Romano (o Conselho Pontifício Cor Unum) voltado para a caridade institucionalizada.
Os que acham ser uma boa idéia jogar pedras na Igreja Católica, melhor fariam se primeiro dessem uma olhada nos relatórios anuais do Cor Unum. Se não têm coragem de ler textos grandes e em outros idiomas, então tenham ao menos a decência de passar os olhos pelos números organizados em tabelas (mostrando o total de doações e o número de países beneficiados por ano) antes de perguntar cinicamente quantas crianças poderiam ser alimentadas pela venda de uma peça histórica.
O mais trágico é que as pessoas que divulgam estas cretinices, as mais das vezes, não têm coragem de comprar um pão na padaria para dar a um mendigo faminto da rua, e certamente não lhes passa pela cabeça vender o próprio carro (ou o iPhone ou a roupa de marca) para alimentar a criança que passa fome na calçada do seu próprio prédio. No entanto, vêm fazer exigências sem sentido à Igreja Católica. Donde se vê que, na verdade, hipocrisia não é o que está representado na imagem.
Hipocrisia existe em quem compartilha uma coisa dessas.

domingo, 15 de julho de 2012

Ideologia do Gênero: Ciência nega CATEGORICAMENTE que o Gênero seja “construção social”.




E criou Deus o homem à Sua Imagem
à Imagem de Deus o criou; 
macho e fêmea os criou.Génesis 1:27

Por Pär Ström
Muitas feministas alegam que as distinções que podem ser observadas entre os homens e as mulheres são ensinadas. Segundo elas, são as expectativas ambientais que pressionam os rapazes a agir como rapazes e as mulhers agirem como mulheres. Estas diferenças, dizem-nos elas, permanecem por toda a vida.
“Não se nasce mulher; torna-se numa” Simone de Beauvoir (1908-1986).
A teoria em torno do gênero como uma construção social chegou até a ser aceite politicamente [na Suécia]. O governo social democrata da altura colocou isso mesmo na sua declaração governamental de 2002. Isto encontra-se na declaração governamental Skr 2002/2003:140.
“Apesar da longa história em torno do trabalho ativo em prol da igualdade, a nossa sociedade continua caracterizada por uma estrutura de poder de gênero. No futuro, o nosso trabalho deve possuir uma direcção mais feminista. Isto significa que temos que estar cientes da estrutura de poder de género – que as mulheres são subordinadas e os homens superiores – e temos que estar preparados para mudar esta situação. Isto significa também que o governo tem que considerar o masculino e o feminino como “construção social”, isto é, padrões de género criados externamente após o nascimento através da nossa educação, cultura, enquadramentos económicos, estruturas de poder e a nossa ideologia politica.
Quem estuda as pesquisas e os dados científicos, em vez de documentos políticos, encontrará diferenças significativas entre os sexos já na altura no nascimento. Estas diferenças genéticas controlam muitos dos traços que estão por trás do nosso comportamento diário.
Quais são as diferenças entre os sexos?
Um dos grandes nomes desta área é Simon Baron-Cohen, professor na Universidade de Cambridge na Grã-Bretanha. Cohen desenvolveu a assim chamada ‘E-S Theory’ [daqui para a frente, referida apenas como EST] onde ‘E’ significa empatia e S significa sistematização. Ser empático implica que uma pessoa conecta-se a outros seres humanos, entende-os e comunica com eles. Sistematização significa que uma pessoa analisa, entende e constrói sistemas – sistemas abstratos ou sistemas técnicos.
Segundo a EST, e analisando a forma como o cérebro funciona, as pessoas podem ser divididas em 3 grandes grupos. Os tipos de cérebro são:
  • O cérebro E onde a aptidão empática supera em muito a sua habilidade para sistematizar.
  • O cérebro S onde a aptidão para sistematizar é maior que a sua aptidão para a empatia.
  • O cérebro B onde as duas capacidades se encontram igualmente desenvolvidas.
Segundo o professor Baron-Cohen, o cérebro E é típico das mulheres e o cérebro S é típico dos homens. 1Existem variações individuais e excepções mas o padrão geral é forte.
Outro pesquisadora que também possui um interesse pelo tópico é Annica Dahlström, professora emérita no departamento de química médica e biologia celular na Universidade de Gotemburgo. Ela dedicou 15 anos da sua vida a este assunto. No seu livro ‘Gender is in the Brain’ ["O Género Encontra-se no Cérebro"] ela reporta a complexa relação química entre os hormonas, o cérebro, e outros órgãos que, tanto antes como depois do nascimento, transformam os seres humanos em homens e mulheres.
Mesmo que existam discrepâncias individuais, Annica Dahlström afirma que existem coisas como características “femininas típicas”, e características “masculinas típicas”. Segundo Dahlström, em média as mulheres são:
  • Mais empáticas e preocupadas
  • Melhores na comunicação verbal e linguagem
  • Detectam mais nuances e detalhes com os seus olhos e ouvidos.
  • São mais sensíveis ao estado de espírito dos outro bem como aos sinais sutis
  • Podem fazer associações mais rápidas com informação guardada anteriormente
  • São melhores no multitasking [várias tarefas ao mesmo tempo]
Com os homens, no entanto, segundo Dahlström, eles:
  • Estão mais dispostos a correr riscos e a competir
  • São melhores a concentrar a sua atenção a um tópico de cada vez
  • São vastamente superiores no pensamento abstrato.
  • Possuem melhor visão tri-dimensional
  • São mais extremos (em ambas as direções) no que toca a inteligência (embora a inteligência média entre os sexos seja a mesma)
Um terceiro pesquisador a levar em conta é Germund Hesslow, professor de neuro-ciência na Universidade de Lund. Ele afirma que as diferenças entre homens e mulheres encontram-se bem documentadas. Por exemplo, diz Hesslow, os homens, no geral, possuem uma habilidade superior para pensamento espacial e resolução de problemas matemáticos. Para além disso, os homens são mais agressivos e determinados no que toca a correr riscos.
As mulheres, diz Hesslow, são mais compassivas (especialmente com as crianças) e mais cuidadosas na escolha dos parceiros. Quando comparadas com os homens. as mulheres têm mais dificuldade em considerar relações sexuais breves. Tal como Dahlström, Hesslow também afirma que os homens exibem uma maior distribuição de inteligência que as mulheres.2
Eu poderia continuar a citar outros pesquisadores que documentaram as diferenças entre os sexos, mas em vez disso, vamos analisar o que as pesquisas dizem em tornos das causas dessas distinções.
Comportamento aprendido ou diferenças genéticas?
Pode-se dizer, portanto, que há distinções entre os sexos. Mas serão essas distinções aprendidas ou genéticas? Apesar do ambiente social ter influência, existe uma lista enorme de estudos científicos que ressalvam a enorme e significativa importância das diferenças biológicas entre os sexos. A Scientific American sumarizou a questão muito bem num artigo em torno do cérebro masculino e do cérebro feminino. Isto é que eles escreveram:
Durante a década passada, os investigadores documentaram uma surpreendente quantidade de variações [=diferenças] estruturais, químicas e funcionais entre o cérebro masculino e o feminino. 3
Analisemos um certo número projectos de pesquisa que demonstram que a genética encontra-se por trás de muitas das diferenças entre os sexos que podemos observar. Podemos começar na Suécia com Arne Müntzing, geneticista e professor de hereditariedade.
Ainda em 1976 ele estudou bebés com 12 semanas, que dificilmente poderiam ter sido influenciados pelos papéis de género [inglês: "gender roles"], e observou diferenças essenciais no comportamento dos rapazes e das moças. Müntzing escreveu:
Os rapazes ganham muito cedo um melhor entendimento da espacialidade, a posição dos corpos em relação aos outros. Esta é provavelmente a razão que leva a que, mais tarde, os rapazes se interessem mais que as moças em construções técnicas e problemas matemáticos.
As mulheres, por outro lado, buscam os problemas segundo um ângulo humano. Não é só o meio ambiente que leva a que as meninas coloquem os soldados de chumbo numa cama de algodão de modo a que eles estejam confortáveis e bem aquecidos. 4
No ano de 1999 a estudante de doutoramento Anna Servin - Instituto de Psicologia da Universidade de Uppsala - levou a cabo um estudo em 300 crianças. Este projeto foi feito em cooperação com pesquisadores e médicos do Hospital Huddinge Hospital. Servin detectou claras diferenças comportamentais presentes já aos 9 meses, diferenças essas que, posteriormente, aumentaram com o passar do tempo.
Ela escreveu na sua tese que é a quantidade de andrógenos (hormonas masculinos) que determina o comportamento da criança, incluindo coisas como o tipo de brinquedos com os quais a criança quer brincar.5
Esta é a forma como Anna Servin sumarizou as diferenças comportamentais entre os rapazes e as mulheres e a forma como estas características influenciam a escolha de brinquedos:
De modo geral, os rapazes possuem uma aptidão espacial; eles vêem e entendem como os vários tipos de construção funcionam e ficam mais satisfeitos com brinquedos de construção.
As meninas são melhor equipadas verbalmente e possuem um interesse maior nos relacionamentos. Como tal, escolhem brinquedos que estão de acordo com estas habilidades.
Fala a testosterona.
O professor Richard Udry - Universidade da Carolina do Norte - comparou os níveis de testosterona nos fetos femininos com a atitude e comportamento das mesmas pessoas 30 anos mais tarde. Ele verificou que há uma conexão entre o nível de testosterona durante a altura fetal e o nível de comportamento masculino/feminino nos seus 30 anos. O comportamento monitorizado nos adultos foi a sua atitude perante as crianças, casamento, trabalho, carreira e a sua aparência.
Níveis elevados de testosterona durante a fase fetal correspondiam a comportamentos menos femininos e atitudes menos femininas.6
Os ftalatos são um grupo de compostos químicos que inibem os hormonas sexuais. Oito pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram que os rapazes que são expostos aos ftalatos durante a fase fetal irão brincar de uma forma menos masculina com outros rapazes.7 Análogo a isto. Sete pesquisadores da Universidade de Cambridge concluíram que elevados níveis de hormona sexual masculino – testosterona – durante a fase fetal resultará num comportamento mais masculino durante as brincadeiras. 8
Um grupo de pesquisadores americanos e britânicos concluiu que o nível de testosterona durante a fase fetal determinará o quão interessada em sistematização a criança mais tarde ficará. Quanto maior for o nível de testosterona, maior será o interesse em sistematização. 9
Uma quarta pesquisa determinou que meninas que sofrem de “Congenital Adrenal Hyperplasia Disorder” – isto é, níveis anormais da hormona masculina testosterona – irão preferir brinquedos de construção e brinquedos de transporte mais do que as outras meninas. Para além disso, elas irão brincar de forma mais dura e agressiva..10
Desde a mais tenra idade que os rapazes se encontram mais interessados em objetos mecânicos enquanto que as muleres nutrem um interesse maior por rostos. Um projecto de pesquisa mostrou que as mulheres  com um ano de idade demoravam mais tempo que os rapazes a olhar para a cara da mãe. Quando se mostravam filmes às crianças com 1 ano, as meninas demoravam mais tempo que os rapazes a olhar para os filmes que exibiam uma cara, enquanto que os rapazes demoravam mais tempo a observar filmes que exibiam carros.11
Será possível que estas crianças de 1 ano tenham sido influenciadas pelas expectativas do mundo à sua volta em torno dos papeis de género? De modo a investigar esta crença, estes pesquisadores continuaram com o trabalho e levaram a cabo um estudo similar em crianças com 1 dia de vida.
As crianças poderiam escolher entre olhar para o rosto duma mulher ou olhar para dispositivo móvel mecânico que, na sua cor, tamanho e forma, lembrava o rosto!. Os resultados demonstraram que os bebés masculinos dedicavam mais tempo a olhar para o dispositivo móvel enquanto que as bebés femininas devotavam a maior parte do tempo a olhar para o rosto.
O professor Simon Baron-Cohen da Universidade de Cambridge apurou também que as meninas com 12 meses de idade possuem uma resposta mais empática aos problemas alheios que os rapazes com a mesma idade.12
Há algum tempo atrás o hormônio feminino dietilestilbestrol foi usado para tratar as mulheres que haviam tido abortos espontâneos consecutivos. Isto viabilizou alguns interessantes projetos de pesquisa. Entre outras coisas, ficou demonstrado que os rapazes que nasciam de mulheres que haviam recebido o em cima mencionado tratamento - isto é, que haviam recebido hormonios femininos - demonstravam comportamento mais “feminino” e mais empático. Por exemplo, quando comparados com outros rapazes, eles demonstravam um maior interesse em brincar com bonecas.13
Outra pesquisa foi levada a cabo nos rapazes nascidos com a deformação IHH, significando que os seus testículos eram pequenos e, desde logo, produtores de quantidades menores de testosterona. Os estudos mostraram que estes rapazes eram piores que outros rapazes na sistematização de formas espaciais.
Adicionalmente, existem rapazes que nascem com o AI Syndrome, condição que deixa os rapazes não-receptivos aos andrógenos (hormonio sexual masculino) Eles são piores na sistematização espacial. Ao mesmo tempo, as moças nascidas com Congenital Adrenal Hyperplasia Disorder, que, como dito em cima, resulta em níveis anormais de andrógenos (masculinos), são mais inteligentes na sistematização espacial que as outras mulheres.14
Existe também um projeto de pesquisa que demonstra como o nível de testosterona determina o nível de riscos económicos na idade adulta. Entre outras coisas, os pesquisadores estabeleceram que as mulheres que escolhem uma carreira na área das finanças possuem níveis de testosterona superiores, quando comparadas com outras mulheres.15

O periódico sueco Illustrerad Vetenskap (Ciência Ilustrada)
Pesquisas recentes mostram que os homens possuem 6,5 vezes mais massa encefálica cinzenta que as mulheres, enquanto que elas possuem 10 vezes mais massa encefálica branca que os homens. Isto pode explicar o porque dos homens serem melhores, por exemplo, em matemática, enquanto que as mulheres são melhores nas línguas.
Homo Sapiens é um animal.
Estudos em torno do mundo animal são interessantes uma vez que os animais dificilmente podem ser influenciados pelas normas sociais e papéis de género humanos. Se a natureza criou [sic] os animais de modo a que os sexos sejam distintos por motivos biológicos, porque é que os homo sapiens seria uma exceção? Seguem-se alguns projetos de pesquisa com os animais interessantes.
Um estudo usou um certo número de macacos a quem foram dados um certo número de brinquedos. Eles encontravam-se entre bonecas, caminhões e brinquedos genericamente neutros como livros com pinturas.
Os pesquisadores observaram como os machos passavam mais tempo a brincar com os brinquedos “masculinos” enquanto que as fêmeas passavam mais tempo que os machos a brincar com os brinquedos “femininos”.
Ambos os sexos passaram o mesmo tempo em redor dos livros com imagens e em redor de outro brinquedos genericamente neutros.17
Outro projeto expôs os fetos fêmea dos macacos aos andrógenos (hormonas sexuais masculinos). Mais tarde, enas suas brincadeiras, estas fêmeas exibiram um comportamento mais masculino que as demais fêmeas.18
Uma terceira pesquisa levada a cabo por um terceiro grupo de cientistas ofereceu paus como brinquedos aos macacos e observou como as fêmeas, de forma bem clara, brincavam com os paus como se os mesmos fossem bonecas, algo que os machos fizeram em escala muito menor.19
Num quarto projecto os pesquisadores deram dois tipos de brinquedos aos macacos – veículos com rodas e brinquedos de peluche. Os machos demonstraram um forte e persistente interesse nos veículos enquanto que as fêmeas não demonstraram qualquer tipo de interesse por nenhum dos brinquedos.20
Um quinto estudo em torno dos macacos demonstrou como, em larga escala, os machos focaram-se nos carros enquanto que as fêmeas preferiram as bonecas.21
Experiências foram também levadas a cabo com ratos. As fêmeas injectadas com testosterona à nascença aprenderam mais rapidamente a navegar pelo labirinto que as fêmeas sem o hormona. Elas atingiram também uma proficiência final superior que as fêmeas que não receberam o hormona masculino. O labirinto testava a aptitude espacial.22
Em jeito de conclusão podemos determinar que a alegação “o género é uma construção social” é um mito.
Antes de terminar este capítulo, gostaria de falar nas diferenças genéticas entre os sexos que possuem um peso enorme no debate em torno da igualdade.
Como mencionei anteriormente, os homens e as mulheres possuem a mesma inteligência média mas a inteligência é mais dispersa entre os homens. Isto significa que há mais tolos e génios entre os homens enquanto que as mulheres se encontram a meio da escala.
Esta amplitude pode ser considerada como desinteressante do ponto de vista da igualdade. Afinal, o fato da inteligência média entre ambos os sexos ser basicamente a mesma não é o mais importante?
Mas consideremos o fato de existirem muitas situações onde o foco se encontra completamente nos extremos e particularmente no extremo mais elevado: os génios. A maior amplitude masculina implica com lógica matemática que há mais génios entre os homens do que entre as mulheres. O que é que isto significa para a composição genética dos, por exemplo, prémio Nobel?
Do ponto de vista puramente estatístico é, portanto, normal que haja mais laureados entre os homens em áreas que exijam mais inteligência. Isto foi também ressalvado por Annica Dahlström23 e Germund Hesslow,24 que, por sua vez, provocou respostas violentas. Mas a realidade é o que é independentemente do que cada um pensa dela.
O fato das mulheres serem compensadas por terem entre si menos tolas do que o número de menos inteligentes entre os homens não recebe muita atenção mediática porque os menos inteligentes raramente se encontram no foco dos holofotes. Mas isto provavelmente contribui também para o fato de haver menos mulheres nas camadas mais baixas da sociedade tais como as prisões ou entre os sem abrigo.
Referências:
  1. ‘The Essential Difference: The Truth about the Male and Female Brain’, Simon Baron-Cohen, 2003
  2. Article ‘Omöjlig kamp för att uppnå likhet mellan könen’, DN.se op-ed page (available online, date n/a)
  3. Article ‘His Brain, Her Brain’, Scientific American, May 2005
  4. ‘Varför är vi olika? kvinna and man, svart and vit, kropp and själ’, Arne Müntzing, 1976
  5. Article ‘Hormoner styr hur barn leker’, Aftonbladet. Available online, date n/a
  6. Article ‘Biological limits of gender construction’, American Sociological Review, Vol 65, No 3, pp 443-457
  7. Article ‘Prenatal phthalate exposure and reduced masculine play in boys’, International Journal of andrology
  8. Article ‘Fetal Testosterone Predicts Sexually Differentiated Childhood Behavior in Girls and in Boys’, Psychological Science
  9. Article ‘Foetal testosterone and the child systemizing quotient’, European Journal of Endocrinology, vol 155
  10. Handbook of social psychology, Volume 1, page 639, Susan T Fiske, Daniel T Gilbert, Gardner Lindzey
  11. Article ‘HisBrain, HerBrain’, ScientificAmerican, May 2005, ‘Human sex differences in social and non-social looking preferences at 12 months of age’, Svetlana Lutchmaya, Simon Baron-Cohen
  12. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  13. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  14. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  15. Article ‘Risky Business – Women Have Higher Testosterone In Financial Careers’, Science 2.0, 24 August 2009
  16. Article ‘Lär sig flickor and pojkar olika?’ Illustrerad Vetenskap, 16 March 2011
  17. Article ‘His Brain, Her Brain’, Scientific American, May 2005
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