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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O inferno? Quase ninguém mais acredita nele!


Por D. Estêvão Bettencourt
A razão por que muitos em nossos tempos não acreditam no inferno, é que nunca tiveram explicação exata do que ele significa: é frequente conceber-se o inferno como castigo que Deus inflige de maneira mais ou menos arbitrária, como se desejasse impor-se vingativamente como Soberano Senhor; o réprobo seria atormentado maldosamente por demônios de chifres horrendos, em meio a um incêndio de chamas, etc. — Não admira que muitos julguem tais concepções inventadas apenas para incutir medo ; não seriam compatíveis com a noção de um Deus Bom.

Na verdade, o inferno não é mais do que a consequência lógica de um ato que o homem realiza de maneira consciente e deliberada aqui na terra; é o indivíduo quem se coloca no inferno (este vem a ser primàriamente um estado de alma; vão seria preocupar-se com a sua topografia) ; não é Deus quem, por efeito de um decreto arbitrário, para lá manda a criatura, É o que passamos a ver.

Admitamos que um homem nesta vida conceba ódio a Deus (ou ao Bem que ele julgue ser o Fim último, Deus) e O ofenda em matéria grave, empenhando toda a sua personalidade (pleno conhecimento de causa e liberdade de arbítrio); essa criatura se coloca num estado de habitual aversão ao Senhor. Caso morra nessas condições, sem retratar, nem mesmo no seu íntimo, o ódio ao Sumo Bem, que sorte lhe há de tocar ?

A morte confirmará definitivamente nessa alma o ódio de Deus, pois a separará do corpo, que é o instrumento mediante o qual ela, segundo a sua natureza, concebe ou muda suas disposições. Depois da morte, tal criatura de modo nenhum poderá desejar permanecer na presença de Deus; antes espontaneamente pedirá afastar-se d'Ele. Não será necessário que, para isto, .o Juiz supremo pronuncie alguma sentença; o Senhor apenas reconhecerá, da sua parte, a opção tomada pela criatura ; Ele a fez livre e respeitará esta dignidade, em hipótese nenhuma forçando ou mutilando o seu alvitre.

Eis, porém, que desejar afastar-se de Deus e permanecer de fato afastada, vem a ser, para a alma humana, o mais cruciante dos tormentos. Com efeito, toda criatura é essencialmente dependente do Criador, do qual reflete uma imagem ou semelhança ; por conseguinte, ela tende por sua própria essência a se conformar ao seu Exemplar (é a natureza quem o pede, antecedentemente a qualquer opção da vontade livre); caso o homem siga esta propensão, ele obtém a sua perfeição e felicidade. Dado, porém, que se recuse, a fim de servir a si mesmo, não pode deixar de experimentar os protestos espontâneos e veementíssimos da natureza violentada. A existência humana torna-se então dilacerada : o pecador sente, até nas mais recônditas profundezas do seu ser, o brado para Deus ; esse brado, porém, ele o sufocou e sufoca, para aderir a um fim inadequado, fim que, em absoluto, ele não quer largar apesar do terrível tormento que a sua atitude lhe causa. — Na vida presente, a dor que o ódio ao Sumo Bem acarreta, pode ser temperada pela conversão a bens aparentes, mas precários..., pela auto-ilusão ; na vida futura, porém, não haverá possibilidade de engano!

É nisto que consiste primariamente o inferno. Vê-se que se trata de uma pena infligida pela ordem mesma das coisas, não de uma punição especialmente escolhida , entre muitas outras por um Deus que se quisesse “vingar” da criatura. Em última análise, dir-se-á que no inferno só há indivíduos que nele querem permanecer. — A este tormento espiritual se acrescenta no inferno uma pena física, geralmente designada pelo nome de fogo; certamente não se trata de fogo material, como o da terra, mas de um sofrimento que as demais criaturas acarretam para o réprobo, e acarretam muito naturalmente. Sim; quem se incompatibiliza com o Criador não pode deixar de se incompatibilizar com as criaturas, mesmo com as que igualmente se afastaram de Deus (o pecador é essencialmente egocêntrico), de sorte que os outros seres criados postos na presença do réprobo vêm a constituir para este uma autêntica tortura (não se poderia, porém, precisar em que consiste tal tormento).

Por último, entende-se que o inferno não tenha fim ; há de ser tão duradouro quanto a alma humana, a qual por sua natureza é imortal; Deus não lhe retira a existência que lhe deu e que, em si considerada, é grande perfeição. Embora infeliz, o réprobo não destoa no conjunto da criação, pois por sua dor mesma ele proclama que Deus é a Suma Perfeição, da qual ele se alheou (é preciso, nos lembremos bem de que Deus, e não o homem, é o centro do mundo).

Não se pense em nova “chance” ou reencarnação neste mundo. Esta, de certo modo, suporia que Deus não leva a sério as decisões que o homem toma, empenhando toda a sua personalidade; o Senhor não trata o homem como criança que não merece respeito. De resto, a reencarnação é explicitamente excluída por textos da Sagrada Escritura como os que se acham citados sob o no 8 deste fascículo.

Eis a autêntica noção do inferno, que às vezes é encoberta por descrições demasiado infantis e fantasistas.

Veja a propósito E. Bettencourt, A vida que começa com a morte (ed. AGIR) Cap. VI.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O fim do mundo



Para o cristão o Senhor sempre será a meta

Muita gente está assustada com as previsões feitas para o dia 12/12/2012. Isto não passa de mais um momento de sensacionalismo, daquilo que é próprio de uma cultura cheia de vulnerabilidade e insegurança. Dizem ser o “dia galáctico”, até interpretado como “fim do mundo”. Apenas digo ser verdade que a profecia não é verdade.

O profeta Daniel descreve o fim dos tempos e a evidência da ressurreição(Dn 12, 1-3), mas tal realidade só pode acontecer por uma intervenção decisiva de Deus, quando cada pessoa receberá o destino de acordo com o seu proceder na terra: uns para a vida eterna e outros para a ignomínia eterna.

Daniel cita a sabedoria como aquilo que constrói o destino das pessoas. Quem age com meios violentos não consegue fazer prevalecer o direito de Deus. É a partir daí que vai acontecer o julgamento divino, “que tarda, mas não falha”. O que vai ficar é a justiça divina e a glória para quem a faz acontecer.

A meta da história está centrada no fato de que é Deus quem a dirige, levando consigo a ideia de seu triunfo final sobre todo o mal. Isto significa que o mundo tem uma meta, a consumação do plano de Deus. Cabe às pessoas uma atitude de vigilância, porque há uma certeza de que o Senhor virá.

Na visão bíblica, parece não existir fim do mundo, mas fim dos tempos, que vai coincidir com o retorno de Jesus Cristo na glória de Sua Ressurreição. Ele virá para julgar o mundo e a história. O povo eleito, disperso por toda a terra, será reunido e os justos estarão definitivamente com o Senhor.

O cristão deve ter em mente que o fim é acontecimento presente, que influencia seu pensar, julgar e agir. Um presente que é passageiro, transitório, mas apoiado na firmeza da Palavra do Senhor. Só Deus pode determinar o que chamamos de fim dos tempos. O dia vai chegar, mas isto não está nas mãos dos homens, mas do Senhor.

Você sabe como a Bíblia foi escrita?


Como foram escritos os primeiros livros da Bíblia?
Os textos da Bíblia começaram a ser escritos desde os tempos anteriores a Moisés (1200 a.C.). Escrever era uma arte rara e cara, pois se escrevia em tábuas de madeira, papiro, pergaminho (couro de carneiro). Moisés foi o primeiro codificador das leis e tradições orais e escritas de Israel. Essas tradições foram crescendo aos poucos por outros escritores no decorrer dos séculos, sem que houvesse uma catalogação rigorosa das mesmas. Assim foi se formando a literatura sagrada de Israel. Até o século XVIII d.C., admitia-se que Moisés tinha escrito o Pentateuco (Gen, Ex, Lev, Nm, Dt); mas, nos últimos séculos, os estudos mais apurados mostraram que não deve ter sido Moisés o autor de toda esta obra.
A teoria que a Igreja Católica aceita é a seguinte: O povo de Israel, desde que Deus chamou Abrão de Ur na Caldéia, foi formando a sua tradição histórica e jurídica. Moisés deve ter sido quem fez a primeira codificação das Leis de Israel, por ordem de Deus, no séc. XIII a.C.. Após Moisés, o bloco de tradições foi enriquecido com novas leis devido às mudanças históricas e sociais de Israel. A partir de Salomão (972 – 932), passou a existir na corte dos reis, tanto de Judá quanto da Samaria (reino cismático desde 930 a.C.) um grupo de escritores que zelavam pelas tradições de Israel, eram os escribas e sacerdotes. Do seu trabalho surgiram quatro coleções de narrativas históricas que deram origem ao Pentateuco:
1. Coleção ou código Javista (J), onde predomina o nome Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972 – 932).
2. O código Eloista (E), predomina o nome Elohim (=Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a.C., no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo (representa Deus à semelhança do homem) do código Javista. Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código E foi levado para o reino de Judá, onde ouve a fusão com o código J, dando origem a um código JE.
3. O código (D) Deuteronômio (= repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,…) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640 – 609 a.C.), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a sua redação final é do século V a.C., quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No Deuteronômio se observa cinco “deuteronômios” (repetição da lei). A característica forte do Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo.
4. O código Sacerdotal (P) – provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587 – 537a.C.) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V a.C., um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje. Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 73 livros canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo.
Foi num longo processo de discernimento que a Igreja, desde o tempo dos Apóstolos, foi “berçando” a Bíblia, e descobrindo os livros inspirados. Se você acredita no dogma da infalibilidade de Igreja, então pode acreditar na Bíblia como a Palavra de Deus. Mas se você não acredita, então a Bíblia perde a sua inerrância, isto é, ausência de erro.
Demorou alguns séculos para que a Igreja chegasse à forma final da Bíblia. Em vários Concílios, alguns regionais outros universais, a Igreja estudou o cânon da Bíblia; isto é, o seu índice.
Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (DV 8; CIC,120).
Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (CIC,119).
Prof. Felipe de Aquino

terça-feira, 17 de julho de 2012

É possível ser Católico e ao mesmo tempo acreditar em Horóscopo?




Dom Estevão Bettencourt
Para abordarmos devidamente a questão, faz-se mister em primeiro lugar dizer algo sobre o histórico e as doutrinas da Astrologia.
1. A Astrologia através da história
A Astrologia vem a ser a arte de predizer o futuro mediante a observação dos astros, observação interpretada à luz de certas normas filosófico-religiosas.
Embora até o fim da Idade Média Astrologia e Astronomia tenham sido .cultivadas conjuntamente, elas se distinguem uma da outra.
A Astronomia visa apenas observar os astros e, mediante a aplicação de cálculos matemáticos, de leis da Física e da Lógica, predizer condições climáticas, bom ou mau rendimento das colheitas e fenômenos cósmicos previsíveis estritamente segundo métodos científicos; a Astronomia permanece, pois, no setor das ciências naturais (por isto também é chamada «Astrologia natural ou meteorológica»).
A Astrologia propriamente dita, ao contrário, apela para crenças religiosas e místicas que não estão sujeitas ao controle da razão; é também denominada «Astrologia judiciária», porque não prediz fenômenos cósmicos apenas, mas pretende julgar o temperamento pessoal e a futura sorte dos homens.
O berço da Astrologia é a Mesopotâmia, onde, diz Diodoro da Sicilia (séc. I. d.C.), «inigualável limpidez atmosférica permite ver as estrelas como que mais próximas e mais nítidas do que em qualquer outra região». Encontraram-se na segunda metade do século passado, em arquivos do antigo reino da Babilônia, tabuinhas cuneiformes datadas da época do monarca Assurbanipal (668-626 a.C.), as quais já contêm oráculos de Astrologia. Os sacerdotes da Babilônia eram encarregados oficialmente de observar os astros e catalogar as predições que de tal arte se podiam colher; os vaticínios possuíam sempre caráter religioso, pois cada astro da abóbada celeste era tido como a figura concreta de determinado deus.
Nos séc. VI/V a. C. a Astrologia se propagou da Babilônia para a Pérsia, a Índia e o Ocidente greco-romano.
O Cristianismo, desde que começou a se afirmar, mostrou-se alheio às práticas astrológicas. Contudo no séc. VII da nossa era estas receberam notável impulso por parte do islamismo; com efeito, a religião de Maomé herdou algo do antigo culto dos astros praticado pelos árabes; além disto, ela acentua a absoluta dependência do homem em relação a Deus, ensinando mesmo o fatalismo. É o que explica tenham os maometanos experimentado especial afinidade com a Astrologia.
Por influxo dos árabes, encontraram-se durante a Idade Média pensadores latinos que aderiram à Astrologia (no séc. XIII tornou-se famosa a figura de Guido Bonatti, o qual, a serviço do nobre Guido de Montefeltro, subia a Forli sobre a torre de S. Mercurial, para interrogar as estrelas antes de cada empreendimento bélico). Como se sabe, a Cabala judaica contribuiu outrossim eficazmente para nutrir crenças astrológicas no Ocidente latino (a respeito desta corrente de pensamento, veja-se «P. R.» 10/1958, qu. 12).
Nos séc. XIV/XVI o movimento da Renascença corroborou, com suas concepções por vezes pouco cristãs, a estima até então devotada à Astrologia. O Humanismo prezava muito a afinidade da natureza humana com os demais valores naturais; afirmava analogias entre as energias latentes no homem e as dos corpos que cercam a este. A vida do homem assim aparecia muito sujeita à influência e às leis impostas pelo ambiente e pelos… astros.
Em consequência destas ideias, compreende-se que a medicina renascentista (para não dizermos também : medieval) tenha estado muito ligada à Astrologia: Paracelso (+1541) estipulou uma série de doenças produzidas por influência das esferas celestes; dizia que qualquer corpo, de animal ou de planta, era sede de um espírito emanado dos astros, espírito que presidia à formação dessa matéria. Por causa da afinidade geralmente admitida entre os diversos elementos do mundo, os astrólogos admitiam poder terapêutico em certas plantas que tinham aspecto semelhante ao de um órgão doente; assim a erva «dente de cão» serviria para repelir a dor de dentes; a cenoura (por sua cor) combateria a palidez; a pulmonária, os males do pulmão, etc.
Com o desenvolvimento da Astronomia científica, devido principalmente a Galileu (+1642), a Astrologia foi aos poucos perdendo sua voga. No fim do séc. XVIII, porém, alguns ocultistas pretenderam restaurá-la, de sorte que em nossos dias são principalmente as correntes esotéricas (isto é, de iniciação secreta) que apelam para as normas da Astrologia; esta parece comunicar às concepções fantasistas da pseudo-mística um caráter científico, fidedigno…
O expressionismo das línguas modernas até hoje guarda vestígios do modo de falar dos astrólogos. Tenham-se em vista as seguintes locuções: «ser lunático, ter boa ou má estrela, sofrer os efeitos de uma maré de sorte,… de uma boa ou má hora, estar o tempo saturno, viver um dia aziago» (os romanos contavam seus dias fasti e nefasti).
Após este esboço histórico, voltemo-nos para a consideração das
2. Linhas-mestras doutrinárias da Astrologia (o horóscopo)
Três são as principais modalidades de Astrologia cultivadas pelos gregos no início da nossa era e praticadas através dos séculos:

a) o «sistema das interrogações», que visa captar resposta para os casos da vida cotidiana;
b) o «sistema das escolhas», que tem por fim averiguar o momento oportuno para se dar início a determinado trabalho ou empreendimento importante;
c) o «sistema das natividades», que se propõe prever acontecimentos referentes a pessoas, de acordo com o momento em que estas nasceram. É tal técnica que recebe propriamente o nome dehoroscopia. Detenhamo-nos um pouco sobre as suas leis.
O nome horóscopo (do grego horoskópos) designa a arte de observar (skopein) a posição dos astros por ocasião (hora) do nascimento de uma criança. O momento preciso da natividade e a respectiva configuração de astros são tidos como importantes para se descrever a futura sorte do indivíduo, assim como para se interrogarem os astros no decurso da existência dessa pessoa.
Pois bem. Sete são, segundo as concepções cosmológicas dos antigos, os «planetas» que entram na consideração da horoscopia: a Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Cada um desses planetas simboliza determinada época ou idade da vida humana: a Lua, por exemplo, a primeira infância; Mercúrio, a Juventude;… Saturno, a decrepitude.
Para determinar com exatidão a posição dos planetas no céu, a horoscopia distingue na linha do horizonte (concebida como um anel que envolve a Terra) doze compartimentos iguais chamados «casas do horóscopo». A cada um desses compartimentos corresponde um símbolo ou um sinal próprio; os doze símbolos assim concebidos constituem os famosos sinais do zodíaco (do grego zódion, sinal), que assim se denominam:

1. Aríete (Carneiro)                                    8. Escorpião
2. Touro                                                           9. Arqueiro (Sagitário)
3. Gêmeos (Irmãos)                                   10 . Capricórnio (Cabra com cauda de peixe)
4. Câncer (Caranguejo)                              11. Ânfora (aquário)
5. Leão                                                             12. Peixes
6. Virgem
7. Balança

Os doze nomes podem ser agrupados em dois versos mnemônicos latinos:
«Sunt Aries, Taurus, Gemini, Câncer, Leo, Virgo, Libra, Scorpio, Arcitenens, Caper, Amphora, Pisces».
A origem desses títulos se deve à mitologia oriental e grega.
Cada um dos sinais do círculo zodiacal, por sua vez, significa um aspecto ou uma situação da vida do indivíduo. Imaginem-se agora as múltiplas combinações possíveis dos sete planetas com os doze sinais do zodíaco; cada uma dessas combinações vem a ser um oráculo do destino, que marca decisivamente o temperamento e o currículo de vida da pessoa que nasce sob a sua égide. Deve-se ainda observar que cada qual dos sete planetas tem, dentre as doze casas do horóscopo, a sua mansão própria, na qual o astro é mais enérgico e a partir da qual exerce influência mais eficaz do que nas outras casas.
Eis o valor simbólico dos diversos sinais do zodíaco ou das casas do horóscopo:
A 1ª casa (Aríete) significa a Vida. Nela se determinam a complexão e as potencialidades da alma e do corpo. É esta casa que por excelência marca o caráter e o aspecto físico da pessoa.
A 2ª casa é a dos Peixes (a série se desenvolve doravante em ordem regressiva). Assinala o desenvolvimento material, seja corpóreo (crescimento), seja financeiro (riquezas), definindo assim as relações do indivíduo com o seu ambiente imediato, com os seus bens móveis e as suas economias.
A 3ª casa (Ânfora) determina as relações da pessoa com seus irmãos e vizinhas.
A 4ª casa (Capricórnio) diz respeito à hereditariedade, representando os laços de parentesco, ascendência, raça e pátria.
A 5ª casa (Arqueiro) significa a geração material; representa, por conseguinte, os filhos, a expansão instintiva do indivíduo, os seus prazeres e as suas façanhas de juventude.
A 6ª casa (Escorpião) denota o desenvolvimento moral,  o que vem a ser a felicidade da pessoa, felicidade condicionada por saúde, empregados, vocação social, inimigos.
A 7ª casa (Balança) marca a união. É a casa de todos os contratos: casamentos, sociedades comerciais, sociais, políticas…
A 8ª casa (Virgem) determina as obrigações materiais; toca de perto os problemas de conservação do corpo, decrepitude e morte.
A 9ª casa (Leão) tem por objeto a geração intelectual (Religião, filosofia, sonhos, viagens distantes).
A 10ª casa (Câncer) indica a atividade, isto é, profissão, cargos e autoridade que possam convir à pessoa.
A 11ª casa (Gêmeos) compreende a associação material, isto é, amizades, relações humanas, clientela comercial, lucros de trabalho, etc.
A 12ª casa (Touro) designa as obrigações morais, ou seja, os vínculos materiais e morais que prendem o homem ao trabalho e às idéias. É a casa da inimizade, do cárcere, do ciúme, da inveja, da maldade.

Na Idade Média, o significado das doze casas do horóscopo era resumido nos dois seguintes versos:
«Vita, lucrum, fratres, genitor, nati, valetudo, Uxor, mors, pietas, regnum, benefactaque, carcer.»

As várias casas do horóscopo não gozam todas do mesmo poder influente na vida do indivíduo; a primeira (Aríete) é a mais influente; a décima (Câncer) vem logo a seguir, nessa escala.
Dentre os sete astros, ensinam os astrólogos, dois implicam sempre bom presságio: Vênus e Júpiter. Ao contrário, Marte e Saturno são maléficos; o Sol, Mercúrio e a Lua são neutros, capazes de se combinar com a influência boa ou má dos anteriores. Também aos signos zodiacais é atribuída influência de bom ou mau agouro: benéficos são o Touro, o Câncer, o Leão, a Virgem, o Arqueiro e os Peixes; maléficos vêm a ser o Aríete, os Gêmeos, a Balança, o Escorpião, o Capricórnio e a Ânfora. Além disso, os doze sinais zodiacais são distribuídos em quatro tríades, cada uma das quais corresponde a um dos elementos fundamentais da natureza:
Gêmeos, Balança e Ânfora — Ar
Touro, Virgem e Capricórnio — Terra
Câncer, Escorpião e Peixes — Água
Aríete, Leão e Arqueiro — Fogo

Na antiguidade, os astrólogos atribuíam influências masculinas aos sinais do Ar e do Fogo; femininas, aos da Terra e da Água.

Poder-se-iam multiplicar os princípios e normas observados pela horoscopia; os que foram acima expostos, dão suficientemente a ver quão relevantes são as partes da fantasia (quase humorista) no cultivo dessa arte.

3. Uma conceituação…
1. A Astrologia e as suas diversas aplicações se baseiam, como vimos, no pressuposto de que os astros exercem influência decisiva não somente sobre os fenômenos naturais, mas também sobre a vontade e a vida moral dos homens. Nessa concepção o livre arbítrio da criatura e a Providência paterna de Deus carecem de significado. É o que S. Agostinho notava nos seguintes termos:
«Os astrólogos pretendem que no céu se acha a causa inevitável do pecado; foi Vênus, Saturno ou Marte que nos fez executar esta ou aquela ação. Querem assim isentar de culpa o homem, o qual é carne, sangue e verme soberbo, e procuram transferir a responsabilidade para Aquele que criou e governa tanto o céu como as estrelas» (Confissões IV 3).
Ora, por induzirem o determinismo e o fatalismo, a Astrologia e, em particular, a horoscopia entram em conflito não somente com a fé cristã, mas também com a sã filosofia (sobre a liberdade de arbítrio no homem, veja-se «P. R.» 5/1958, qu. 3, 6 e 7).
Além disto, deve-se observar que as práticas astrológicas estão não raro associadas a teses panteístas. Com efeito, há quem explique a influência dos astros sobre a vida terrestre, afirmando que todos os seres — celestes e terrestres, divinos e humanos — não são senão combinações dos quatro elementos fundamentais (terra, água, ar, fogo) ou meras expressões de uma única substância universal, vivificada pela «alma do mundo». Ora o raciocínio sadio tem o panteísmo e o monismo na conta de aberrações filosóficas (cf. «P. R.» 7/1957, qu. 1).
2. Tais erros justificam as repetidas condenações que os documentos da fé cristã têm proferido sobre a Astrologia em geral.
Já a Sagrada Escritura admoesta :
«Não temais os sinais do céu, que os gentios receiam, pois vãos são os ritos dos povos» (Jer 10,2 ; cf. Is 47,13).
«Não vos dirijais aos feiticeiros nem consulteis os adivinhos, para não vos contaminardes pelo seu contato; sou o Senhor vosso Deus» (Lev 19,31).
A Tradição cristã sempre repudiou a Astrologia como sendo superstição, isto é, atribuição de feitos maravilhosos a causas por si ineptas para tanto, o que equivale a derrogar ao conceito de Deus ou a «tentar» a Deus. Seja citado mais uma vez S. Agostinho:
«Ele (o astrólogo convertido à fé cristã), seduzido pelo inimigo em virtude da sua boa fé, foi durante muito tempo astrólogo, seduzido e sedutor, enganado e enganador. Atraiu, enganou, proferiu muitas mentiras contra Deus, o qual teria dado aos homens o poder de fazer o bem, e não o de cometer o mal. O adultério, não é a minha vontade própria que o comete, mas é Vênus; o homicídio, não é a minha vontade própria que o realiza, mas é Marte; o justo, não é Deus quem o justifica, mas é Júpiter; e muitos despropósitos sacrílegos (eram assim proferidos pelo astrólogo). A quantos cristãos não roubou ele o dinheiro! Quantos dele não compraram mentiras!» (En. in Ps 61,23).
As palavras condenatórias de S. Agostinho encontraram amplo eco em concílios regionais; basta citar os de Toledo, no ano de 447, e Braga em 561 (cf. Denziger, Enchiridion 35.239). Aos 5 de janeiro de 1566 o Papa Sixto V condenou mais uma vez a Astrologia mediante a bula «Caeli et terrae Creator», documento este que Urbano VIII corroborou e ampliou na nova bula «Inscrutabilis iudiciorurnn de 31 de março de 1621.

3. Aliás, parece digno de nota o fato de que, até mesmo entre os mestres da cultura pagã, se fizeram ouvir vozes depreciativas sobre a técnica dos astrólogos (os quais eram equivalentemente chamados em Roma «astronomi, astrologi, mathematici, planetarii, genethliaci, chaldaei, babylonii»). É de Tácito (+120 d.C.), por exemplo, o seguinte juizo:
«Mathematici genus hominum potentibus infidum, sperantibus fallax. — Os matemáticos (astrólogos) constituem uma categoria de homens desleal para os poderosos, enganadora para os esperançosos» (Hist. I 22).
Cícero (+43 d.C.), por sua vez, escreve:
«Contemnamus babylonios et eos qui ex Caucaso, caeli signa ser- vantes, numeris et motibus stellarum cursus persequuntur; con- demnemus eos aut stultitiae aut vanitatis aut imprudentiae. — Desprezemos os babilônios e os que, oriundos do Cáucaso, observam os sinais do céu, assinalam com números e traçados o curso dos astros. Condenemo-los por motivo ou de tolice ou de vaidade ou de imprudência» (De divin. I 19).
Embora os pagãos, principalmente em Roma, não tivessem senso religioso muito apurado, sabiam por vezes denunciar os abusos da fantasia e da pseudo-mística…

4. Por fim, observar-se-á que o repúdio da Astrologia dita judiciária não impede se reconheça certa solidariedade vigente entre os elementos da natureza irracional e o corpo humano que vive em meio a estes. Não se negará que os astros, por sua massa, sua temperatura, seus raios, influenciam as disposições fisiológicas do corpo humano. Verdade é que não se poderia determinar até que ponto preciso se estende tal influência (hoje em dia, a telepatia, a telestesia, a percepção extrassensorial ainda estão em exploração); não há dúvida, porém, de que os influxos da natureza sobre o corpo humano estão longe de implicar o liame estreito que os antigos astrólogos admitiam entre os fenômenos celestes e os atos da vida humana. A utilização das energias da natureza para promover o bem-estar do homem dever-se-á basear estritamente em resultados da observação empírica e do cálculo matemático; não seria lícito mesclar a isso teorias religiosas ou místicas; a observação dos astros há de ser cultivada como ciência, e não como técnica religiosa.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pedro, a Rocha. (Parte I)


Esta é mais uma matéria Sobre Pedro. É com “grande freqüência” que estou postando matérias sobre Pedro, é que estou fazendo uma série de matérias e postando aos poucos, devido a falta de tempo para fazer uma maior.
Mas já foram (minhas próprias, fora as de outros autores):
Pedro Simples Presbítero? (Que será também depois completada na refutação a um protestante que colocarei aqui outro dia.)
E agora esta aqui, fundamentando Pedro como a Rocha de Mateus 16, 18, onde vamos analisar 3 fontes: Idiomática e Bíblica (juntas) e Patrística na Parte II.
Um aviso aos neófitos protestantes. Se quiserem se meter a refutar esta matéria, o faça no mesmo nível dela, com argumentações, em grego, aramaico, bíblicas e patrísticas todas em harmonia entre si, caso contrário todos os delírios serão ignorados.
Então vamos lá.
IDIOMÁTICA E BÍBLICA
Em Aramaico temos duas palavras para designar materiais rochosos:
1º  Evna = Pedra
2º Kepha  כף (ou cefas, transliterado para o grego) =  Rocha
Em Grego, assim como o aramaico, temos também 2 palavras:
1º Lithos (λίθος), = Pedra pequena
2º Petra (πέτρᾳ ) = Rocha maciça, Pedra Grande (que é o equivalente de Kepha)
A Bíblia nos diz que Jesus deu um nome novo a um pescador que se chamava Simão e este nome foi “KEPHA” (Aramaico) e transliterado como “cefas”,  que no grego ficou “Petrus”, como podemos ver em João 1, 42:
“Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de Jonas, serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” (Negrito meu)
Em aramaico não temos gênero, mas em grego sim, por isso a palavra Petra que é o equivalente a KEPHA (cefas) foi masculinizada para dar nome a um homem, Petrus, mas o significado permaneceu o mesmo (Rocha ou pedra grande) como é atestado nos seguintes Léxicos protestantes:
CONCORDÂNCIA STRONG
4074 πετρος Petros Pedro = “uma rocha ou uma pedra”
1) um dos doze discípulos de Jesus
 FRIBERG, ANALYTICAL GREEK LEXICON
“Πέτρος, ου, ὁ Pedro, nome próprio masculino dado como um título descritivo para Simão, um dos apóstolos (MK 3.16), o significado do nome, a pedra, é provavelmente o equivalente grego de uma palavra aramaica transliterada como Κηφᾶς (João 1,42 )”
THAYER, GREEK LEXICON OF NT
“Πέτρος, Πέτρου, ὁ – um nome próprio apelativo, o que significa “uma pedra”, “uma rocha,” “rochedo “”.
Em português a diferença entre Pedro e Pedra não permite acentuar a força do original aramaico e grego que é a mesma palavra que designa a materialidade da rocha.
 A CONCORDÂNCIA STRONG, que é tão utilizada pelos protestantes brasileiros, diz que Cefas ou Kepha é Rocha, leiam:
 “03710 כף (keph)
Procedente de 3721, grego 2786 κηφας (cefas); DITAT – 1017; n m
1) rocha, cavidade duma rocha” (o parênteses em vermelho foi  adicionado por mim)
Os próprios protestantes em seus léxicos confirmam que o nome de Pedro Significa “ROCHA” ou “PEDRA”.
 Mais algumas passagens com o nome de “Cefas”.
 1Co 1:12 Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
1Co 3:22 Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso,
1Co 9:5 Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?
1Co 15:5 E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze.
Gal 2:9 E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;
 Refutando Algumas objeções dos que dizem que:
1 º O significado do nome de Petrus é Pedregulho.
Não existe nenhum prova para isto, até por que no NT Petrus só é designado para Pedro. E para nada mais.
2º O significado do nome Petrus é pequena pedra para arremessar.
Isso não existe no grego Koiné. No Grego Koiné usa-se a palavra “lithos” para significar “uma pedrinha ou uma pedra para arremessar” como podemos constatar no caso da mulher adúltera (João 8, 7) ou de Jesus (João 8, 59).
João 8, 7 Ὡς δὲ ἐπέμενον ἐρωτῶντες αὐτόν, ἀνακύψας εἶπεν πρὸς αὐτούς, Ὁ ἀναμάρτητος ὑμῶν, πρῶτον ἐπ᾽ αὐτὴν τὸν λίθον βαλέτω.
Tradução: “Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.”
John 8:59 Ἦραν οὖν λίθους ἵνα βάλωσιν ἐπ᾽ αὐτόν· Ἰησοῦς δὲ ἐκρύβη, καὶ ἐξῆλθεν ἐκ τοῦ ἱεροῦ, διελθὼν διὰ μέσου αὐτῶν·
Tradução: “Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”
Pedra de arremesso nunca foi nem será Petrus.
E para azar e confusão na cabeça dos protestantes que sustentam esta mesma idéia Jesus em 1 Pedro 2,4 é chamado de “Lithos” a mesma palavra em gênero, número, grau e declinação que foi usada para a Pedra de arremesso da adúltera e das pedras jogadas em Jesus.
1 Pd 2:4 “πρὸς ὃν προσερχόμενοι λίθον ζῶντα ὑπὸ ἀνθρώπων μὲν ἀποδεδοκιμασμένον παρὰ δὲ θεῷ ἐκλεκτὸν ἔντιμον..”
Tradução “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa…”
Seria também Jesus uma pequena pedrinha de arremesso? E não a grande Rocha da Salvação?
Gostaria de ver algum protestante respondendo isto!
3º O significado do nome Petrus é pequena pedra igual as demais como citado em sua epistola.  
Não existem bases ou sustentações para afirmar que “Petrus” significa “pedra pequena” porque para isto a Bíblia utiliza outra palavra (lithos ou lithon) como foi mostrado.
E vejam:
1 Pd 2:5 καὶ αὐτοὶ ὡς λίθοι ζῶντες οἰκοδομεῖσθε οἶκος πνευματικός, ἱεράτευμα ἅγιον, ἀνενέγκαι πνευματικὰς θυσίας εὐπροσδέκτους τῷ θεῷ διὰ Ἰησοῦ χριστοῦ.
Tradução: Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Ou seja, a palavra “Lithos” que é usada para Jesus em 1 Pd 2, 4 se referindo a Jesus é novamente utilizada em grau e gênero para os demais Cristãos em 1 Pd 2, 5.
E ainda aparecem protestante vindo dizer que a rocha ou Pedra só pode ser utilizada para Jesus.
Em outras passagens Jesus também é chamado de PETRA, assim como Pedro. Mas isso não tira a magnitude de Jesus como rocha da Salvação, nem da função de Pedro como Rocha da Unidade da Igreja.
Penso que por aqui já basta a explanação sobre o nome de Pedro, agora vamos a linda passagem do evangelho de Mateus que é o foco desta matéria.
Em Mateus 16, 18 lemos:
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
Em Grego:
“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.”
Vejamos em aramaico este trecho em negrito na Bíblia Peshita (Tradução do grego para o aramaico do século V)
(lê se da direita pra esquerda)
Veja que não há diferença entre a rocha (em aramaico) e o nome de Pedro (em aramaico).
Agora analisaremos duas palavras em especial.
Voltemos ao grego de Mateus 16, 18:
“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.”
Note as duas palavras em vermelho que são ταύτῃ τῇ   que quase todas as traduções (católicas e protestantes) traduzem simplesmente por “esta”.
Vamos fazer uma analise:
ταύτῃ  (tauth) é o dativo feminino de οὗτος (outós) e sua tradução simples é “esta”. E serve para dar ênfase a algo previamente mencionado.
τῇ (th) é também o dativo feminino e ὁ (o)  e é o artigo da frase ou seja sua tradução é “a”.
Estas duas palavras juntas  ταύτῃ  + τῇ,  tem o sentido ou tradução de “esta mesma”, “esta própria”.
Então juntando o nome de Pedro que foi previamente confirmado como ROCHA, e PETRA que também foi confirmada como ROCHA, pelos léxicos protestantes, podemos traduzir Mateus 16, 18 da seguinte forma:
“TU ÉS ROCHA E SOBRE ESTA MESMA ROCHA, EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA.”
A pergunta que todo protestante faria ao ver isto “então por que as traduções católicas não traduzem assim?”
A Resposta : Por que o artigo, no grego, depois de um pronome demonstrativo não precisa ser traduzido já é sub-entendido, então se traduz somente o “esta” na maioria das vezes, mas o sentido continua o mesmo.
Além disso São Jerônimo traduziu  para o Latim da seguinte forma “HANC PETRAM” ou seja “Esta mesma Rocha“.
HANC no latim tem o sentido próprio de “esta mesma”, “esta própria” assim como ταύτῃ  + τῇ no grego. São Jerônimo, como falava fluentemente o grego Koiné, sabia muito bem o sentido real da passagem, quando ele trauziu a vulgata o grego Koiné ainda era “Vivo”.
E agora para o desespero de protestantes que apesar de tudo o que aqui foi demonstrado até agora ainda estejam duvidando, vou usar a própria bíblia João Almeida para provar que ταύτῃ  + τῇ tem o sentido e também tradução de “esta mesma”, apesar da maioria das passagens que contém estas duas palavras os tradutores não traduzam assim, por que já está implícito. Vou pegar aqui 1 passagem que a própria João Almeida confirma o que eu estou dizendo.
Antes que algum protestante venha com conversinha de versão da bíblia João Almeida, estou utilizando aqui 4 versões da mesma que traduzem a passagem do mesmo jeito em todas.
Vejamos em Atos 27, 23:
Grego:
 Atos 27, 23  παρέστη γάρ μοι ταύτῃ τῇ νυκτὶ τοῦ θεοῦ, οὗ εἰμι [ἐγώ] ᾧ καὶ λατρεύω, ἄγγελος
João Almeida
Atos 27, 23 Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo.
Podem conferir ai no grego e em suas bíblias.
Ai vai vim um protestante me dizer que viu em sua bíblia as palavras “esta mesma” e no grego não estavam escritas como ταύτῃ τῇ.  
 Como eu já disse  ταύτῃ e τῇ estão no dativo, declinadas, ou seja conjugadas. No português só temos conjugação para verbos na maioria das vezes, mas no grego não, acontece também com pronomes e substantivos, as palavras “esta mesma” podem ser encontradas também desta forma ταύτην τὴν, onde ταύτην equivale a ταύτῃ e τὴνequivale a τῇ.  Onde não há nenhuma diferença entre as mesmas, apenas a declinação.
Portanto podemos dizer com clareza a quem quiser ouvir, PEDRO É A ROCHA.
 “TU ÉS ROCHA E SOBRE ESTA MESMA ROCHA, EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA.”
 Na parte II desta matéria veremos os  vários testemunhos patrísticos a respeito disso.
Bibliografia Utilizada:
1 -  Malzoni, Cláudio Vianney, 25 Lições de Iniciação ao Grego do novo testamento/ Cláudio Vianney Malzoni. – 1. Ed. – São Paulo: Paulinas, 2009 (Coleção Línguas Bíblicas).
2 – Dicionário de Grego do Novo Testamento / Carlo Rusconi; [Tradução Rabuske] – São Paulo : Paulus 2003. – (Dicionários)
3 –Strong, James –  Exaustiva Concordância –  Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong.  Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo : Sociedade Bíblica do Brasil 2002.
4 – Friberg, Analytical Greek Lexicon.
 5 – Thayer, Greek Lexicon Of Nt.